Crítica | Star Wars: Kanan – Vol. 2: Primeiro Sangue Derramado

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estrelas 4

Espaço: Coruscant, Kaller, Lahn, Mygeeto.
Tempo:
República, durante as Guerras Clônicas, até pouco antes da Ordem 66.

A série animada, Star Wars Rebels, certamente é uma das melhores obras do universo Star Wars criada após a compra da Lucasfilm pela Disney. Trabalhando com uma equipe inteiramente nova, o desenho é o vínculo mais que ideal entre a famigerada trilogia prelúdio e a original, chegando a corrigir e explorar melhor muitos aspectos subaproveitados dos episódios I, II e III. De todos os personagens introduzidos pela animação, Kanan Jarrus é o que recebeu mais atenção através do livro Um Novo Amanhecer e, claro, os quadrinhos da Marvel, Kanan. No primeiro volume dessa publicação acompanhamos o padawan tentando sobreviver após a Ordem 66. Primeiro Sangue Derramado, por sua vez, nos leva para o tempo antes da queda da República e dos Jedi.

Assim como no primeiro volume, esse arco é introduzido no presente, com a célula rebelde cumprindo uma missão até que Kanan é ferido e colocado em um tanque Bacta. Desacordado ele começa a se lembrar dos anos de seu treinamento. Acompanhamos, portanto, o jovem Jedi desde que ele fizera seus primeiros testes, passando pela forma como conheceu sua mestre, Deepa Billaba, até momentos antes de seu embarque na missão durante a qual ele e sua mestre seriam traídos pelos clones. Durante esse período, vemos o, ainda chamado Caleb Dume, participando das guerras clônicas e criando um vínculo com Billaba, que, em muitos aspectos, se parece com ele.

O sentimento que mais toma conta de nós enquanto lemos Primeiro Sangue Derramado é a nostalgia. Com a Disney focando quase que exclusivamente nos tempos do Império, é gratificante ver uma história que se passa, em sua maioria, durante a República. Claro que muitos preferem se distanciar desse período em razão da trilogia prelúdio, mas quadrinhos como esse ajudam a completar o quadro cheio de buracos e defeitos pintado por George Lucas nesses três filmes. Dito isso, não há como ignorar as importantes informações que aprendemos sobre o treinamento Jedi e seus costumes nesses quadrinhos.

Greg Weisman acerta ao escolher o cenário das Guerras Clônicas para desenvolver a relação entre Caleb e sua mestre. Afinal, antes de mais nada, esses quadrinhos são um prelúdio de Star Wars Rebels e, ao posicionar essa história nesse conflito, o roteirista possibilita que muitos paralelos sejam criados, justificando o conhecimento de Kanan futuramente. Além disso, a sombra da Ordem 66 paira constantemente sobre a narrativa, garantindo doses de melancolia sobre a relação entre os Jedi e os clones, que se tornariam inimigos mortais não muito tempo depois. Tudo isso pinta um retrato muito mais sombrio sobre a queda dos Jedi, além de, claro, favorecer o enredo do primeiro volume da obra, que nos traz flashbacks que se passam depois desse segundo.

A arte de Pepe Larraz acerta no tom precisamente, permitindo que a tensão seja constante durante toda a trama. Mesmo os patéticos dróides de batalha da Confederação são tidos como uma maior ameaça aqui, desenhados de forma fria, como devem ser. O mesmo vale para Grievous, que é pintado como um verdadeiro vilão. O único problema está nas ações resumidas, frutos, claro, da narrativa que se apoia demais em balões de narração. Sim, estamos falando de memórias de Kanan, mas alguns trechos poderiam ser construídos de forma mais cadenciada, a fim de nos imergir de forma mais efetiva nessa trama.

Apesar desse deslize, Kanan continua sendo um material praticamente obrigatório para os fãs de Star Wars, que desejam conhecer um pouco mais desse período tão mal explorado pela trilogia prelúdio. Além disso, claro, conhecemos mais sobre um dos personagens centrais de Rebels, com sua história se encerrando de maneira cíclica e dramática, já que sabemos que a Ordem 66 irá ser dada em breve. Esperamos, sinceramente, que a Disney explore mais esses anos futuramente, construindo mais os personagens secundários da saga.

Star Wars: Kanan – Vol. 2: Primeiro Sangue Derramado (Kanan – Vol. 2: First Blood) — EUA, 2016
Roteiro: Greg Weisman
Arte: Pepe Larraz
Cores: David Curiel
Letras: Germana Viana
Capas: Mark Brooks
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 18 de maio de 2016
Editora no Brasil: Panini Comics
Páginas: 127

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.