Crítica | Star Wars: Lando #1 a #5

estrelas 3,5

Espaço: Colônia Imperial Castell, entre a Orla Interior e o Centro, Sistema de Frotas Sienar (Estaleiro Orbital CC-24), Coruscant, Orla Interior (Instalação Imperial 729-D e Amethia Prime), Espaço Profundo.
Tempo: algum tempo antes dos acontecimentos de O Império Contra-Ataca.

Desde que a Marvel Comics recuperou a licença dos quadrinhos Star Wars no começo de 2015, ela vem despejando no mercado um bom número de publicações fixas e minisséries passadas nesse Universo, restabelecendo o Universo Expandido que ela mesma ajudara a criar em 1977, com a saudosa publicação Star Wars original. Star Wars e Darth Vader são os carros-chefe, além da recém-iniciada Poe Dameron, que será um título ongoing e a única até agora que se passa em intervalo de tempo diferente da Trilogia Original. Em termos de minisséries, a primeira foi Princesa Leia, seguida de Kanan (uma maxissérie, na verdade, sobre o Jedi introduzido em Star Wars: RebelsChewbacca, Império Despedaçado (como parte do projeto Jornada para Star Wars: O Despertar da Força) e, finalmente, Lando.

A estrutura de minisséries permite variedade tanto de histórias como de times criativos, já que os roteiristas e os desenhistas não precisam ficar presos a uma publicação por muito tempo. Por outro lado, a Marvel vem escolhendo ser pouco ousada, limitando-se a personagens e períodos de tempo mais conhecidos (com exceção talvez de Kanan), o que impede arroubos completos de criatividade. Mas, pelo menos, no geral, o saldo tem sido positivo.

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E Lando definitivamente contribui para essa sensação de que o caminho está correto, apesar de não ser terrivelmente original. Passada em algum período após o estabelecimento do Império e após ele perder a Millenium Falcon para Han Solo, mas antes dele tornar-se o administrador de Bespin, a Cidade nas Nuvens (que vimos em O Império Contra-Ataca), a narrativa é simples e objetiva: o herói do título, para pagar suas dívidas (sempre elas) tem que roubar o Imperialis, um misterioso e ultra-moderno iate imperial, de propriedade de ninguém menos do que o Imperador Palpatine. Ajudado por seu fiel escudeiro Lobot (lembram dele?), por uma ugnaught avaliadora de relíquias Sava Korin Pers, que perdeu um olho por causa dele e de Aleksin e Pavol, dois guerreiros clonados com aparência de panteras negras, Lando Calrissian parte para o que acha que será uma missão fácil e que lhe renderá fortuna para o resto da vida. Obviamente que tudo dá errado e eles são perseguidos não só por três Destroieres do Império como também pelo caçador de recompensas altamente tecnológico Chanath Cha, que mais parece um super-herói (ou um super-vilão, melhor dizendo).

Ainda que os mistérios da Imperialis sejam interessantes e a retratação dos coadjuvantes ser eficiente no pouco espaço que Charles Soule tem, o grande trunfo do trabalho do roteirista é respeitar o relativamente pouco que sabemos de seu protagonsita com base no Episódio V. Seu Lando é fundamentalmente o mesmo que ajuda, trai e depois ajuda novamente Han Solo e a Princesa Leia no filme de 1980, um homem que age exclusive na base do charme, sorte e malandragem, jamais com força física ou algum tipo de violência. Mulherengo e incorrigível, o herói consegue ser mais espertalhão do que o próprio Han Solo. De novidade significativa, aprendemos mais sobre sua amizade com Lobot que, nessa história, é um homem comum que luta para impedir que seus implantes neurais tomem seu corpo completamente. É essa amizade e o que acontece com ele que tornam a narrativa especial e particularmente importante para os fãs da franquia nesta nova cronologia.

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A arte do búlgaro Alex Maleev é outro atrativo da minissérie. Apesar dele ter a tendência de desenhar quadrinhos que tendem ao sombrio, aqui o equilíbrio que ele dá a Lando – sempre tranquilo, alegre e confiante – em relação a tudo que acontece a seu redor é muito inteligente, com traços leves, mas ao mesmo tempo marcadamente angulares, emprestando gravidade às ações. Maleev é também muito competente ao tornar os rostos de Lando e Lobot familiares o suficiente sem serem cópias servis de suas versões em carne e osso. Além disso, os ambientes que ele cria – praticamente interiores de naves, mais especificamente a Imperialis, mas também a Cimitarra, de Chanath Cha – surpreende por reunir organicidade com aquela perfeita sensação de estarmos realmente vendo algo retirado desse rico universo de Star Wars.

Lando é diversão garantida. Tomara que a Marvel traga mais do malandríssimo herói no futuro, mas sem se esquecer de se aventurar por águas mais revoltas.

Star Wars: Lando #1 a #5 (Idem, EUA – 2015)
Roteiro: Charles Soule
Arte: Alex Maleev
Cores: Paul Mounts
Letras: Joe Caramagna
Editora original: Marvel Comics
Datas originais de publicação: setembro a novembro de 2015
Editora no Brasil: não publicado aqui quando da data de publicação da presente crítica
Páginas: 100 (aprox.)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.