Crítica | Star Wars: Legacy – Vol.1: Ruptura

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estrelas 4,5

Espaço: Coruscant, Ossus, Vendaxa, Bastion, Socorro
Tempo: 130-137 anos após a Batalha de Yavin

Poucas são as histórias do Universo Expandido de Star Wars que conseguem, de fato, se distanciar dos eventos dos filmes. Na grande maioria dos casos, temos obras que abordam os períodos não explorados pelos longa-metragens, como entre o Episódio IV e V ou III e IV, raros são os roteiristas que optam por trazer algo quase que inteiramente novo, pulando muitos anos antes ou depois da Batalha de Yavin. Knights of the Old Republic ou Alvorecer dos Jedi são exemplos disso, materiais que nos oferecem um olhar único sobre a saga, que ajuda a construir, em nossa mente, como tudo chegou ao ponto que vemos nos cinemas. Legacy é para o futuro de Star Wars o que essas duas histórias citadas anteriormente são para seu passado, quadrinhos que nos revelam o que aconteceu muito após a queda do Imperador.

legacy-1-coverAproximadamente cento e trinta anos após os eventos de Uma Nova Esperança, a galáxia se tornara muito diferente daquela configuração que vimos em O Retorno de Jedi. A Nova República, formada pelos integrantes da antiga Aliança Rebelde deixou de existir, dando lugar a uma nova Aliança, um Império formado por usuários da Força, não pelos Sith e a Ordem Jedi, que se estabelecera no planeta Ossus. Após um grande conflito galáctico, Darth Krayt, liderando os Sith, retorna de Korriban para o centro da galáxia, dizimando quase todos os Jedi – restam apenas alguns padawans, dentre eles Cade Skywalker, descendente de Luke e alguns mestres. Após esses eventos, o vilão toma Coruscant, usurpando o trono de Imperador no lugar de Roan Fel, que escapa a fim de recuperar seu poder.

De início, admito que contava com certos receios em relação a Legado. Sempre gostei das histórias de Star Wars que se distanciam dos filmes, mas ver o foco novamente em um Skywalker me desanimava – certamente eles não são os únicos poderosos com a Força nesse universo! O trabalho como roteirista de John Ostrander, contudo, afastou esses receios de mim, visto que nos entregou personagens que muito se distanciam daqueles que conhecemos em 1977. Cade, por exemplo, é totalmente diferente de Anakin ou Luke, sua rebeldia e personalidade irônica o fazem uma ótima adição à saga e aumentam a sensação de agonia no leitor ao vê-lo fugindo de seu destino como um Jedi.

Ostrander ainda faz um ótimo serviço ao nos mostrar diferentes focos que se afunilam para um só. Sentimos pitadas da clássica montagem paralela da franquia e enxergamos esses quadrinhos como um verdadeiro storyboard – mesmo com um distanciamento cronológico tão grande de O Retorno de Jedi, sentimos como se estivéssemos, de fato, diante de uma história da saga. Outro aspecto que enriquece o texto de Ostrander são as conexões que o autor faz não só com o material audiovisual, como outros livros, quadrinhos e games, como Knights of the Old Republic IIImpério Negro. Ele não se esquece do que veio antes, inserindo de forma orgânica dentro de sua narrativa, criando em nós a percepção de um vasto universo sendo abordado.

A arte de Jan Duursema não deixa a desejar, o artista sabe muito bem compor a identidade visual de seus personagens e, ao lado dele, temos o essencial trabalho de Brad Anderson nas cores, definindo muito bem qual é a postura de cada um dos indivíduos que acompanhamos. Uma peculiaridade bastante interessante no traço de Duursema é como ele opta por uma arte mais detalhada quando dá um close no rosto dos personagens – é como se seu estilo mudasse completamente. É criado, sim, uma certa quebra de imersão em virtude disso, mas não podemos deixar de parar para analisar como cada um dos personagens se transforma nesses específicos painéis.

O primeiro volume de LegacyRuptura, dá início a uma era totalmente nova em Star Wars, um período ainda não abordado, que expande consideravelmente a mitologia da franquia e, através de algumas escolhas do roteiro, apenas expande nosso gosto pelo que veio antes. Com uma história inédita e personagens ainda desconhecidos, estamos falando de quadrinhos ousados por natureza, que vão aonde nenhum outro escritor de Star Wars jamais esteve e que, por isso, já merece nosso reconhecimento – felizmente, a trama aqui apresentada nos cativa por completo – que venha o próximo volume!

Star Wars: Legacy – Vol.1: Ruptura (Star Wars: Legacy – Vol. 1: Broken) — EUA, 2006
Roteiro:
John Ostrander
Arte:
Jan Duursema
Arte-final: Dan Parsons
Letras:
Michael David Thomas
Cores:
Brad Anderson
Capas:
Adam Hughes
Editora original:
Dark Horse Comics
Editora no Brasil:
On Line
Páginas: 
144

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.