Crítica | Star Wars: Legends #2

sw legends 2 capaStar Wars: Legends é uma publicação mensal da Panini reunindo duas histórias do Universo Expandido de Star Wars conforme publicado pela Dark Horse Comics. Como são histórias diferentes, passadas em momentos diferentes da linha temporal da saga – uma logo após a Batalha de Yavin (trata-se da destruição da primeira Estrela da Morte em Star Wars – Episódio IV: Uma Nova Esperança, marco para a contagem de anos em Star Wars) e outra 19 anos antes – e com equipes criativas diversas e até mesmo anos de publicação original diferentes, trabalharei, assim como fiz em Star Wars: Legends #1 com duas críticas separadas em uma mesma postagem, cobrindo todo o conteúdo da publicação nacional.

Os detalhes editoriais de cada história, inclusive sua localização no espaço-tempo, antecedem cada comentário, de maneira que o leitor possa se localizar no longo e multifacetado Universo Expandido de Star Wars.

estrelas 3,5

Star Wars: À Sombra de Yavin – Partes Três e Quatro
Roteiro: Brian Wood
Tradução: Levi Trindade, Paulo França
Arte: Carlos D’Anda
Cores: Gabe Eltaeb
Editora original: Dark Horse Comics
Título e data original de publicação: Star Wars #3 e 4 (março e abril de 2013)
Publicação no Brasil: Dezembro de 2014
Espaço: Frota Rebelde, Coruscant, Frota Imperial, Estrela da Morte 2, Sistema Pybus
Tempo: A Rebelião – Dois meses depois da Batalha de Yavin (d.BY)

À Sombra de Yavin tenta estabelecer a Princesa Leia mais como uma heroína por si só do que como uma “donzela em perigo”. E, para isso, conforme vimos no número anterior, ela passa a liderar um esquadrão de elite de pilotos de X-Wing especiais, chamado Esquadrão Cinza. Quando a história começa, essa característica se mantém, mas Brian Wood acrescenta aspectos pessoais interessante que afetam a personalidade de Leia.

Quando Luke resgata Prithi em uma simulação, atrasando-se horas no retorno à base, Leia repreende os dois, somente para ter Luke jogando em sua cara que ele destruiu a Estrela da Morte por ela. Leiam fica enfurecida e, somente em conversa posterior com Mon Mothma, a madrinha secreta desse esquadrão especial que objetiva não só encontrar uma nova base para a Aliança Rebelde, como descobrir quem é o traidor infiltrado, que ela percebe que seus sentimentos por Luke são mais do que meramente profissionais. É uma interessante abordagem de um assunto delicado já que qualquer leitor sabe do parentesco proibitivo dos dois Skywalker.

Mas o fato é que aquele lado forte que vemos em Leia no Episódio IV é expandindo na história, tornando crível sua transformação em uma líder de um esquadrão secreto, que conta não só com Luke, como o mais experiente Wedge Antilles, que tem bom destaque na série. Não há muito desenvolvimento além do estabelecimento dos “ciúmes” de Leia nesse trecho da narrativa, que caminha vagarosamente.

star wars legends 2 inside image

O mesmo vale para a misteriosa missão de Han Solo em Coruscant, para negociar um acordo com alguém muito importante. Novamente, o mistério é mantido e, quando tudo dá errado, Solo e Chewie têm que desesperadamente fugir das forças do Império. Quer parecer que a rede de traidores da Aliança Rebelde é mais extensa do que Mon Mothma previa e é possível que as linhas narrativas de Leia e Solo convirjam em algum momento futuro.

O terceiro vértice e, talvez, o mais interessante dos três, pois aborda os problemas por que Darth Vader passa com seu fracasso em Yavin. Ele precisa se provar ao Imperador, que o afastou do comando da frota imperial, colocando o arrogante Coronel Bircher em seu lugar. Agora, Vader fica apenas ao encargo da reconstrução da Estrela da Morte, mas com enorme rancor, provavelmente um plano e a revelação de uma nova aliada dentro do Império, uma mulher chamada Byrra Seah, que parece ter ligação com a Força.

A narrativa de Brian Wood flui vagarosa, mas constantemente para frente, com uma boa e misteriosa progressão que prende o leitor. No entanto, receio que o acúmulo de mistérios e personagens novos dificulte a resolução satisfatória da história. Mas isso, só o tempo dirá.

No quesito arte, Carlos D’Anda continua seu ótimo trabalho que alia criatividade na recriação do Universo Star Wars – repare no uniforme vermelho de Bircher e do design das X-Wing do Esquadrão Cinza – além de ter preciso controle da progressão de quadros e da intercalação de splash pages impactantes, uma delas sendo a singela, mas bonita imagem dos eternos alívios cômicos C-3PO e R2-D2. Seus problemas com rostos continuam, com traços muito genéricos que só não confundem o leitor por se tratarem de personagens icônicos, devidamente caracterizados com vestimentas características. É particularmente fraca a maneira como ele desenha Han Solo.

Com uma história tripartite intrigante, À Sombra de Yavin é divertimento garantido.

estrelas 3,5

Star Wars: Dark Times – Fora da Escuridão – Parte Dois
Roteiro: Randy Stradley (escrevendo como Mick Harrison)
Tradução: Magda Lopes, Paulo França
Arte: Douglas Wheatley
Cores: Dan Jackson
Editora original: Dark Horse Comics
Título e data original de publicação: Star Wars – Dark Times: Out of the Wilderness #2 (setembro de 2011)
Publicação no Brasil: Dezembro de 2014
Espaço: Prine (lua), Coruscant, Vonport em Vondarc
Tempo: A Ascenção do Império – 19 anos antes da Batalha de Yavin (a.BY)

A desvantagem da escolha da Panini em começar a série Dark Times “do meio” começa a desaparecer já no segundo número das aventuras do Mestre Jedi Dann Jennir. Ele é um fugitivo, conforme estabelecido anteriormente e, junto com Ember, caem na lua Prine, do sistema de Vondarc. E, como quase todo planeta em Star Wars (ok, brincadeira!) ele é desértico. Seus perseguidores são não só Darth Vader, como também um misterioso assassino de preto, esse último já bem perto de Jennir.

Paralelamente, vemos a ação da tripulação da nava Uhumele, comandada por Bomo Greenbark e que conta com o Mestre Jedi Beyghor Sahdett da raça insectoide Verpine. Todos eles também procuram por Jennir, que parece ser bem popular, para o bem ou para o mal. Apesar de muito pouco ser revelado, especialmente quem exatamente é Ember e o que Jennir tem de tão importante, a estrutura de fuga e perseguição funciona muito bem, com uma cadência narrativa que prenderá o leitor à história, tornando-o curioso pelo destino dos personagens e praguejar ao perceber que apenas um mísero número faz parte desse mix da Panini, deixando-o desesperado pelo próximo.

sw dark times

A arte fica por conta de Douglas Wheatley que tem muito capricho com o que faz, desde as inusitadas criaturas que formam a tripulação da Uhumele (não há um humano sequer!), passando pelo design do uniforme do assassino ao encalço de Jennir e do próprio Jennir, que parece ter sido inspirado em arte conceitual original de Ralph McQuarrie e também pelas paisagens de Prine. Há certa dependência de uso de imagens criadas em computador, mas Wheatley consegue balancear bem a ação em quadros que, apesar de nada inovadores, ajudam o trabalho narrativo de Stradley.

O bom é que a confusão do começo da história realmente começa a se dissipar, tornando possível o vislumbre do potencial que pode vir por aí. Seria ótimo se a Panini decidisse publicar as aventuras anteriores desse Mestre Jedi também.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.