Crítica | Star Wars: Legends #3

sw legends 3 capaStar Wars: Legends é uma publicação mensal da Panini reunindo duas histórias do Universo Expandido de Star Wars conforme publicado pela Dark Horse Comics. Como são histórias diferentes, passadas em momentos diferentes da linha temporal da saga – uma logo após a Batalha de Yavin (trata-se da destruição da primeira Estrela da Morte em Star Wars – Episódio IV: Uma Nova Esperança, marco para a contagem de anos em Star Wars) e outra 19 anos antes – e com equipes criativas diversas e até mesmo anos de publicação original diferentes, trabalharei, assim como fiz em Star Wars: Legends #1 e Star Wars: Legends #2, com duas críticas separadas em uma mesma postagem, cobrindo todo o conteúdo da publicação nacional.

Os detalhes editoriais de cada história, inclusive sua localização no espaço-tempo, antecedem cada comentário, de maneira que o leitor possa se localizar no longo e multifacetado Universo Expandido de Star Wars.

estrelas 2,5

Star Wars: À Sombra de Yavin – Partes Cinco e Seis
Roteiro: Brian Wood
Tradução: Levi Trindade, Paulo França
Arte: Carlos D’Anda
Cores: Gabe Eltaeb
Editora original: Dark Horse Comics
Título e data original de publicação: Star Wars #5 e 6 (maio e junho de 2013)
Publicação no Brasil: Janeiro de 2015
Espaço: Frota Rebelde, Coruscant, Frota Imperial,
Estrela da Morte 2 (Sistema Endor), Sistema Pybus
Tempo: A Rebelião – Dois meses depois da Batalha de Yavin (d.BY)

Essa publicação, originalmente apenas intitulada Star Wars, é, na verdade, a última revista mensal publicada pela Dark Horse Comics, que perdeu seus direitos na virada de 2014 para 2015. São apenas 20 números publicados entre 2013 e 2014 e a Panini vem publicando-a de duas em duas mensalmente no título Star Wars: Legends. Com isso, de maneira que os arcos sejam maiores, Brian Wood tratou de criar uma história que é dividida em várias frentes que eventualmente convergem. A primeira frente é a criação de um esquadrão secreto de pilotos X-Wing por Mon Mothma, líder da Rebelião, tendo a Princesa Leia como líder e Wedge Antilles e Luke Skywalker como dois de seus pilotos. A segunda frente trata de um missão secreta de Han Solo e Chewbacca em Coruscant, também agindo sob comando de Mon Mothma. A terceira e quarta frentes lidam com o lado do Império, com Darth Vader sofrendo as consequências de ter deixado a Estrela da Morte ser explodida por um pequeno esquadrão durante a Batalha de Yavin (acontecimento chave de Star Wars – Episódio IV: Uma Nova Esperança) de um lado e, de outro, com a ascensão do Coronel Bircher, o novo queridinho do Imperador.

Com isso, a crítica de apenas dois números por vez pode criar situações injustas para a obra como um todo, já que a cadência de cada trama separada é irregular. Isso fica muito evidente com as duas histórias publicadas nesse número de Star Wars: Legends, que focam fundamentalmente no esquadrão de Leia e a perseguição que sofre pelas hábeis mãos de Bircher. As demais histórias são vistas quase que de relance, apenas para que não seja esquecidas pelo leitor. E isso, claro, faz sentido dentro da engrenagem maior que Wood montou, mas que, visto de maneira estanque, parece falha narrativa.

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Tie Interceptor: um dos mais belos designs de nave espacial já imaginados!

De toda forma, a grande maioria das páginas de À Sombra de Yavin é tomada por batalhas espaciais ou situações que têm que ser resolvidas no espaço. A dificuldade de qualquer roteiro que aborde esse tipo de ação é balancear explicações com sequências interessantes, algo que, infelizmente, falta ao trabalho de Wood, que se perde em longos diálogos expositivos cheios de technobabble que atravancam o desenvolvimento da história. E a arte de Carlos D’Anda, que é muito boa para retratar o Universo Expandido de Star Wars, não consegue traduzir muito bem as batalhas espaciais em termos visuais, tornando tudo muito estático e, em última análise, frio e distante. Sim, aprendemos o quanto Leia está disposta a se sacrificar pela Aliança Rebelde e o quanto ela é boa em estratégia e também vemos Luke lidar com a crescente “interferência” do espírito de Obi-Wan Kenobi em seus atos, mas, em termos de ação, a história deixa muito a dever.

Só para se ter uma ideia, as poucas páginas dedicadas à fuga de Han Solo e Chewie pelo submundo de Coruscant (eles fogem de Boba Fett e Bossk, agindo em dupla) e que quase não têm ação, são muito mais fluidas do que as várias dedicadas à Leia e seu grupo. E, do lado de Vader, quase nada é impulsionado. Ele tem um plano, claro, provavelmente relacionado com a raiva que ele no momento sente de Bircher por ter tomado o posto dele, mas nada de efetivo realmente acontece, tanto que ele só aparece por umas duas ou três páginas no total.

Espero que os próximos números desenvolvam de maneira mais orgânica a história e que a arte de D’Anda se adapte às batalhas espaciais que, pelo visto, continuarão com força total.

estrelas 3,5

Star Wars: Dark Times – Fora da Escuridão – Parte Três
Roteiro: Randy Stradley
Tradução: Magda Lopes, Paulo França
Arte: Douglas Wheatley
Cores: Dan Jackson
Editora original: Dark Horse Comics
Título e data original de publicação: Star Wars – Dark Times: Out of the Wilderness #3 (novembro de 2011)
Publicação no Brasil: Janeiro de 2015
Espaço: Prine (lua), Vonport em Vondarc
Tempo: A Ascenção do Império – 19 anos antes da Batalha de Yavin (a.BY)

Dark Times – Fora da Escuridão tem uma grande vantagem sobre À Sombra de Yavin: ela é composta de apenas cinco números e, por isso, tem um passo acelerado. Ainda que ela tenha um começo um tanto confuso, algo gerado basicamente pela introdução de diversos personagens novos – para quem não acompanha o Universo Expandido, claro –  de uma tacada só. Mas agora, no terceiro número da fuga do Mestre Jedi Dass Jennir pela lua Prine, a convergência da narrativa é total. Ele precisa salvar sua companheira Ember das mãos de piratas ao mesmo tempo que foge de um assassino misterioso que, por sua vez, é perseguido por Darth Vader. Paralelamente, a tripulação da nave Uhumele também tenta achar Jennir, mas para fins benignos.

Com passo acelerado, a história caminha para um final explosivo, ao mesmo tempo que nos permite um olhar sobre o passado de Jennir na Academia Jedi, em que aprendemos que seu futuro como Jedi seria medíocre. É uma interessante visão dos Jedi, na verdade, pois normalmente os associamos a nobres e poderosos cavaleiros e mestres, com poderes únicos. Jennir, pelo visto, é um Jedi menos poderoso e que, por isso, provavelmente teve que se provar muito mais do que seus pares. Dessa forma, expondo suas franquezas, Randy Stradley humaniza o personagem, permitindo-nos aproximar dele, simpatizar com ele e, também, apreciar ainda mais seus esforços. Ele pode até não ser tão poderoso, mas seus feitos estão longe de ser comuns, como fica claro nesse número.

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Dass Jennir ao resgate!

Douglas Wheatley, na arte, continua surpreendendo com seus designs caprichados de criaturas e veículos. O destaque, agora, ficam com os piratas “elefantino” que sequestraram Ember e seus veículos terrestres, além de uma visão mais detalhada do esguio assassino de preto que persegue Jennir. Não há muita ação na história, mas seus visuais, que fazem bom uso de computação gráfica se prestam igualmente a momentos de calmaria, especialmente porque o texto de Stradley não pesa, permitindo uma leitura muito mais fluida.

Mas esse número, claro, é a proverbial calmaria antes da tempestade. No próximo, como já deixam claros os últimos quadros, a ação será provavelmente ininterrupta e ainda mais convergente. Meu único receio que a tripulação da Uhumele seja usada como um conveniente deus ex machina em algum momento futuro.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.