Crítica | Star Wars: O Despertar da Força – Trilha Sonora Original

estrelas 3,5

Se um novo filme de Star Wars está sendo produzido, há uma série de questões a serem consideradas, em especial em relação a elementos obrigatórios. Sabres de luz, naves espaciais, Ben Burtt… E, claro, John Williams na condução da trilha sonora. Uma leve ameaça fantasma surgiu no ar quando rumores apontavam que Michael Giacchino faria a trilha de Star Wars: O Despertar da Força, mas foram rapidamente abandonados quando J.J. Abrams desmentiu a informação. Nada contra o trabalho do talentoso Giacchino, mas Star Wars pertence a Williams.

Bem, confesso que esperava mais.

Se pararmos para pensar no espetacular retorno de Williams na trilogia prequel, com a magnífica Duel of the Fates de A Ameaça Fantasma, não há nada aqui capaz de realmente fazer o espectador sair cantarolando ou que grude em sua cabeça. Como O Despertar da Força aposta fortemente em nostalgia, diversos temas icônicos retornam, como Binary Sunset, Leia’s Theme e até alguns ecos de Imperial March, e estes revelam-se os pontos altos no quesito musical da trama.

Os novos temas funcionam dentro do filme, mas soam como repetições. Dominado pela orquestra de cordas e trombones, Follow Me e The Falcon acompanham com perfeição a desesperada fuga de Rey e Finn em Jakku, seja na corrida a pé pelas tendas ou o inesperado voo na Millennium Falcon. São duas faixas empolgantes e bem executadas, mas que se analisadas a finco, não representam uma evolução para John Williams.

Até o tema para a Primeira Ordem e Kylo Ren traz fortes influências da trilha de A Vingança dos Sith, como vemos em Main Title and the Attack on the Jakku Village, sugerindo uma força militar incontrolável e até trágica para os admiradores do Império. Fico triste que Ren não tenha um tema próprio, mas ao menos sua complexa jornada é bem traduzida pela operática Torn Apart (que também tempera o grandiosíssimo momento dramático do longa), mas novamente temos as cordas remetendo à tragédia de Anakin Skywalker (ver Anakin’s Dark Deeds). O outro vilão da trama, Líder Supremo Snoke é quem garante uma faixa mais chamativa, com Snoke, em uma melodia pesada e com leve uso de coral ritualístico… Mas que também traz lembrança da ópera sinistra onde Palpatine explica a natureza do Lado Negro no Episódio III. Poxa, seu Williams…

Rey tem um pouco mais de sorte em The Scavenger. Seria muito fácil simplesmente adaptar o tema de Luke e Anakin, mas Williams surpreende por trazer uma flauta sutil que explora o lado curioso e investigativo da nova protagonista. Já Rey’s Theme é totalmente centrado em seu lado aventureiro, novamente puxando uma grande orquestra que também contribui na construção da personagem.

Por fim, o retorno de John Williams à Star Wars é decepcionante. Não é uma trilha ruim, e absolutamente funciona de acordo com as exigências narrativas, mas pode facilmente ser considerada como sua mais fraca contribuição para a franquia. Será que no Episódio VIII teremos um tema digno para Kylo Ren?

Star Wars: The Force Awakens  (Original Motion Picture Soundtrack)
Composto e conduzido por John Williams
País:
 Estados Unidos
Ano: 2015
Gravadora: Walt Disney Records
Estilo: Música Clássica, Trilha Sonora

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.