Crítica | Star Wars: O Império Contra-Ataca #1 a 4 (mangá)

estrelas 5,0

Espaço (não-canônico): Hoth, Dagobah, cinturão de asteroides perto de Hoth, Bespin (Cloud City), Frota Galáctica (espaço profundo), Frota Rebelde (espaço profundo)
Tempo (não-canônico): A Rebelião – Três anos após a Batalha de Yavin (3 d.BY)

A série de mangás que adapta a Trilogia Original de Star Wars faz parte do universo não-canônico da série, ainda que a fidelidade seja tamanha, que é perfeitamente possível considerá-la como canônica. A adaptação de Uma Nova Esperança, lançada originalmente em 1998, rivaliza com o próprio filme diante de sua qualidade e consegue ser ainda melhor que a já sensacional adaptação da Marvel, de 1977. E, apesar de Hisao Tamaki ter sido substituído por Toshiki Kudo na arte da adaptação de O Império Contra-Ataca, a qualidade não caiu.

O trabalho, retirado diretamente do roteiro de Leigh Brackett e Lawrence Kasdan é fidelíssimo à fonte, com diálogos quase que integralmente retirados do que vemos no filme. É o mais próximo que podemos chegar do filme em uma obra literária, mais próximo ainda que a adaptação literária de 1980. Pode parecer estranha a proximidade entre as mídias, sem qualquer tentativa de adaptação, mas confesso que esse mangá é realmente uma exceção à regra, pois a familiaridade dos diálogos e das imagens tornam a leitura extremamente prazerosa em um exercício visual fabuloso de Toshiki Kudo.

mosaico sw 5 manga

As capas dos volumes nacionais, idênticas às originais.

É bem verdade que Kudo, diferentemente de Tamaki, carrega na estilização dos personagens, afastando-os ainda mais do desenho realístico e aproximando-os do que aprendemos a esperar de um mangá. No entanto, a não ser que o leitor realmente não aprecie o estilo – olhos grandes, feições joviais e muitas caretas exageradas – será impossível não se apaixonar pelos traços do desenhista. Com o espaço de quatro volumes de pouco mais de 90 páginas cada, Kudo tem o espaço necessário para trabalhar spreads duplos e splash pages com grande efeito, traduzindo no papel a majestade do universo criado por George Lucas.

Os volumes são particularmente memoráveis na retratação dos icônicos personagens Yoda e Darth Vader, o primeiro ganhando contornos de “bicho de pelúcia” que logo se transmutam em seriedade e sapiência. O segundo é majestoso e intimidador como deve ser, com Kudo trabalhando sombras à perfeição, ao ponto de, em muitos momentos, esconder as feições da máscara, o que acaba emprestando um caráter fantasmagórico ao personagem.

O treinamento de Luke com Yoda em Dagobah e o embate final entre pai e filho também são particularmente excepcionais. Kudo não se furta em trabalhar os detalhes do tenebroso pântano do planeta onde Yoda se exilou, o que dá uma atmosfera imersiva à ação e, na luta em Bespin, os cenários são tratados de maneira a engolir os personagens. E, no melhor estilo mangá, no lugar de esconder a violência, o autor a mostra, algo que fica muito evidente quando a cabeça do “Vader fantasma” é cortada em Dagobah e quando a mão de Luke é decepada na Cidade das Nuvens.

Além disso, o desenhista foca muito de sua atenção no momento chave da trama, quando Vader revela ser o pai de Luke. Ele expande a sequência para o máximo efeito, trazendo flashbacks e quadros quase vazios que amplificam o desespero de Luke com a revelação que sabe ser verdadeira. É um artista que não se limita pelo que precisa adaptar e usa seu meio e sua especialidade para transformar um momento icônico nas telonas em um momento igualmente icônico nas páginas desenhadas.

Esse mangá, assim como o anterior, são leituras obrigatórias para os fãs de Star Wars e de mangás em geral. Imperdível como o filme!

Star Wars: O Império Contra-Ataca #1 a 4 (Star Wars: O Império Contra-Ataca #1 a 4, Japão – 1999)
Roteiro: Lawrence Kasdan, Leigh Brackett
Arte: Toshiki Kudo
Letras: Tom Orzechowski
Editora (no Japão): Tokyopop (janeiro a abril de 1999)
Editora (no Brasil): JBC Mangás
Páginas: 92 (cada volume)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.