Crítica | Star Wars: O Império Contra-Ataca (Dramatização Radiofônica)

estrelas 4,5

Como tudo que leva o selo Star Wars, a ambiciosa dramatização radiofônica de Uma Nova Esperança, produzida pela National Public Radio, KUSC-FM e BBC e lançada em 1981, foi um sucesso. E merecido, vale dizer, diante da qualidade do material compilado e transformado em roteiro por Brian Daley, da direção de John Madden e do trabalho do elenco, que incluía Mark Hamill e Anthony Daniels reprisando seus célebres papeis.

Com tudo isso a seu favor, a dramatização de O Império Contra-Ataca não demorou a sair, indo ao ar inicialmente em 14 de fevereiro de 1983 em 10 capítulos e trazendo de volta todo o time anterior (com Tom Voegeli co-dirigindo com Madden) e acrescentando duas novas e importantes vozes: Billy Dee Williams de volta à franquia como Lando Calrissian, o malandro espacial e administrador de Bespin, a Cidade das Nuvens e ninguém menos do que John Lithgow como Yoda, o Mestre Jedi octocentenário e exilado em Dagobah.

Brian Daley voltou aos arquivos da Lucasfilm para trazer mais elementos novos ao filme, mas mais uma vez provou que O Império Contra-Ataca é um filme irretocável. Diferente das diversas novas sequências de Uma Nova Esperança, Império tem comparativamente pouca coisa inédita realmente relevante. As alterações de Daley são muito mais para realmente transpor a barreira entre o cinema e o rádio, adaptando o material para uma mídia que não tem o luxo de se valer de imagens para contar histórias, do que para realmente acrescentar a uma obra já bem redonda, com suas arestas aparadas.

Mas isso não significa que não há coisa nova. O início, por exemplo, não é em Hoth, mas no espaço profundo, com uma frota rebelde que tenta levar suprimentos para Hoth sendo atacada e destruída pelo Império. Isso funciona para explicar a patente de comandante do Esquadrão Rogue que Luke (Mark Hamill) tem perante os Rebeldes e que o vemos receber quando finalmente chegamos no planeta gelado. De forma semelhante, a missão de Han (Perry King) e Chewbacca que resulta na destruição do droide-sonda na superfície do planeta ganha contornos mais profundos, com as ordens do General Rieekan (Merwin Goldsmith) e o resgate de Luke por Han é sucedido de uma longa conversa entre os dois noite a dentro, depois que ele é retirado da barriga do Taun Taun, mas ainda na neve.

No entanto, depois das sequências em Hoth, que são espetaculares, não há quase nada novo. Mas isso não detrai de forma alguma do resultado final, pois a qualidade da direção sonora é impressionante, com o vasto uso dos efeitos sonoros e trilha musical do filme – cortesia de George Lucas – e uma bela cadência nas ações paralelas, especialmente no crucial momento do treinamento de Luke por Yoda e as aventuras de Han, Leia (Ann Sachs) e Chewbacca primeiro na barriga da lesma espacial e, depois, em Bespin.

O grande destaque mesmo fica com o esplendoroso trabalho de voz de John Lithgow como Yoda. Se Frank Oz, que fez a voz original tem alguma concorrência, essa é de Lithgow, sem dúvida alguma. O ator se entrega ao personagem, modulando e alterando sua voz de tal maneira que ouvimos Yoda e não Lithgow, mas ao mesmo tempo percebemos que não é uma mera imitação do também sensacional trabalho de Oz. Mesmo considerando Hamill, Anthony Daniels e Williams no elenco, a alma desta segunda dramatização está mesmo aqui, no pequeno e sábio ser verde perdido em um planeta-pântano e treinando um jovem e impaciente aspirante a Jedi.

Se existe um defeito nesta dramatização, ele está no uso de Darth Vader. A voz é a de Brock Peters mais uma vez e a modulação eletrônica usada, apesar de não ser das melhores, funciona. O problema está mesmo é no quanto Vader fala. Sua imponência e maldade, nos filmes, exalam de sua armadura negra e ameaçadora e isso, claro, inexiste aqui. Além disso, ele fala pouco nos filmes e seu silêncio, quando é quebrado, traz momentos definitivos na saga. Certamente pela presença física mais constante de Vader em Império e considerando as óbvias restrições que o rádio impõe, Daley teve que escrever muito mais diálogos para ele, como ameaças verbais depois que ele enforca seus almirantes com a Força e instruções detalhadas sobre o que os caçadores de recompensa e outros subalternos têm que fazer. Além disso, infelizmente, o famoso e icônico momento “No, I am your father.” não é nem de longe tão potente quanto no filme, perdendo-se em meio a uma troca de farpas entre pai e filho.

Há um pouco de enrolação para a dramatização acabar também, com o momento pós-Bespin sendo extrema e desnecessariamente alongado e sem razão, pois a obra toda, apesar de mais curta que Uma Nova Esperança, tem mais de quatro horas de duração. Mas essa espichada final é também compreensível, pois, se lembrarmos o filme, muito pouco é dito e estamos falando de rádio, com a explicação do que está acontecendo sendo absolutamente inevitável, especialmente em um trabalho que somente usa narração em off excepcionalmente, no começo e fim de cada segmento.

A dramatização radiofônica de O Império Contra-Ataca pode ter seus probleminhas, mas continua sendo uma excelente forma de revisitar aquele que é considerado o melhor filme da franquia. Um mais do que sólido trabalho de produção que realmente dá outra vida ao filme e mostra que Frank Oz não é o único Yoda.

Star Wars: O Império Contra-Ataca (Star Wars: The Empire Strikes Back, EUA – 1983)
Direção:
John Madden, Tom Voegeli
Roteiro:  Brian Daley (baseado em obra de George Lucas)
Elenco: Mark Hamill, Anthony Daniels, Ann Sachs, Perry King, Billy Dee Williams, John Lithgow, Bernard Behrens, Brock Peters, Peter Friedman, Paul Hecht, Alan Rosenberg, Ken Hiller
Duração: 4h15′ (10 partes)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.