Crítica | Star Wars: O Retorno de Jedi #1 a 4 (mangá)

retorno de jedi manga im des

estrelas 5,0

Espaço (não-canônico): Tatooine (Palácio de Jabba e Deserto de Dunas), Dagobah, Frota Rebelde (em Sullust), Estrela da Morte II (órbita de Endor), Endor
Tempo (não-canônico): A Rebelião – Quatro anos após a Batalha de Yavin e um ano após os eventos de O Império Contra-Ataca (4 d.B.Y)

Em uma época em que adaptações de filmes em quadrinhos ainda era uma estratégia pouco comum, a Marvel Comics desbravou o caminho e hesitantemente trouxe ao mundo a versão em HQ do mega-sucesso Guerra nas Estrelas. A empreitada foi bem sucedida, gerando uma longeva publicação mensal com histórias que expandiam a mitologia do filme e se encaixavam com as adaptações de O Império Contra-Ataca e, depois de O Retorno de Jedi. Olhando para trás, essas três adaptações são, ainda, quase imbatíveis no mercado editorial não só pelo pioneirismo, mas, também, pela sua qualidade. No entanto, claro, como salientei nas respectivas críticas, elas não foram isentas de problemas.

Bem mais tarde, entre 1998 e 1999, a LucasFilm, como parte da estratégia de marketing em antecipação ao lançamento de A Ameaça Fantasma, licenciou a Tokyopop para criar versões em mangá da Trilogia Original (ou a única que conta de verdade…), o que acabou gerando quatro adaptações, três delas dos três primeiros filmes, cada uma em quatro volumes e uma do filme então novo, em dois volumes. Como mencionei nas críticas dos mangás de Uma Nova Esperança e O Império Contra-Ataca, os trabalhos de Hisao Tamaki e Toshiki Kudo respectivamente em relação às adaptações do primeiro e segundo filmes, foram excepcionais, literalmente sem falhas, capturando toda a majestade da saga espacial de George Lucas com o estilo mangá de ser, claro, notadamente com personagens com traços dando aparência mais jovem, olhos grandes e reações exageradas.

Depois de reler a versão mangá de O Retorno de Jedi para a presente crítica, minha conclusão é que, vista como um todo, essa trilogia em quadrinhos consegue superar a da Marvel em quase todos os aspectos. Claro que os personagens são mais reconhecíveis no trabalho capitaneado primeiro por Roy Thomas e, depois por Archie Goodwin, duas lendas em quadrinhos que merecem todo o louvor, mas essas adaptações em mangá têm a vantagem de dar uma enorme impressão de escopo para a saga, com painéis ousados, detalhados e realmente de tirar o fôlego, além de uma sensação de ação que não é vista nem mesmo nos filmes.

mosaico retorno de jedi manga capas

As capas dos quatro volumes nacionais, que são iguais às originais.

O Retorno de Jedi ficou ao encargo de Shin’ichi Hiromoto. A adaptação em si é, como nos outros casos, uma transposição integral da Edição Especial do filme. Assim, o leitor não encontrará novidades como as vistas nas adaptações da Marvel, que foram baseadas (as duas primeiras ao menos) em versões ainda não finalizadas dos roteiros.

O destaque fica, realmente, com a arte de Hiromoto. Enquanto Tamaki e Kudo também fizeram excelentes trabalhos, seus traços são mais tradicionais, sem muito risco na recriação dos personagens, naves e planetas. Hiromoto, muito ao contrário, não se escusa de ousar, mesmo que isso gere discórdia entre fãs mais radicais. Seu traço é mais visceral, pesado, pontiagudo, gerando personagens mais irregulares, menos definidos e às vezes até bizarros, com pernas tortas como uma visão lisérgica. No entanto, não leiam esses meus comentários como algo negativo. A verdade é bem diferente, diria, pois, dentre os três artistas, tenho para mim que Hiromoto é o que mais se destaca justamente por não fazer aquilo que esperamos sempre.

Veja: toda a história está lá. Toda a ação está lá. Todas as reações corretas estão lá. Mas Hiromoto vai além e não só empresta muito mais detalhes a cada situação, trabalhando sombras e aspectos dos uniformes dos personagens que não vemos com os artistas anteriores, como, também, ele dá aspectos mais guturais, às vezes monstruosos (light, claro) a diversos queridos personagens, como Luke Skywalker e Han Solo. Ao trabalhar os vilões, ele dá imponência com o grotesco, com a deformação de Jabba o Hut, o Imperador e também Darth Vader. As sequências de ação também se beneficiam de seus traços que emitem mais cinética ainda, tornando os combates mais violentos e ameaçadores. Em poucas palavras, o artista faz uma versão ainda mais sombria de O Retorno de Jedi, mas sabendo tirar o pé do acelerador quando ele aborda situações que precisam ser mais leves, como toda a sequência inicial em Endor, com os Ewoks.

A leitura do mangá de O Retorno de Jedi é obrigatória para todos os amantes de quadrinhos, especialmente os fãs da saga de George Lucas. Trata-se de um trabalho que deslumbra do começo ao fim, valendo uma posição de destaque na estante dos colecionadores.

Star Wars: O Retorno de Jedi #1 a 4 (Star Wars: Return of the Jedi #1 a 4, Japão – 1999)
Roteiro: Lawrence Kasdan, George Lucas
Arte: Shin’ichi Hiromoto
Letras: Tom Orzechowski
Editora (no Japão): Tokyopop (julho a outubro de 1999)
Editora (no Brasil): JBC Mangás (outubro a novembro de 2002)
Páginas: 90 (cada volume)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.