Crítica | Star Wars: O Retorno de Jedi #1 a 4 (Marvel – 1983)

estrelas 3,5

Espaço: Tatooine (Palácio de Jabba e Deserto de Dunas), Dagobah, Frota Rebelde (em Sullust), Estrela da Morte II (órbita de Endor), Endor
Tempo: A Rebelião – Quatro anos após a Batalha de Yavin e um ano após os eventos de O Império Contra-Ataca (4 d.B.Y)

Lá pelos idos de 1983, a publicação mensal Star Wars da Marvel Comics, iniciada com muita relutância em 1977, estava para lá de consolidada, em seu número 80. O Retorno de Jedi, o grande fechamento da trilogia original (eu nem deveria chamar de original, pois, até onde me consta, é a única que vale…) fora lançado em maio daquele ano e uma adaptação em quadrinhos era mais do que esperada.

E, de fato, ela veio, mas apenas em outubro daquele ano, sendo publicada em quatro edições mensais até janeiro de 1984. Diferente do que a editora fizera com as adaptações de Uma Nova Esperança e O Império Contra-Ataca, publicadas dentro da continuidade da série em quadrinhos em seis edições cada, a Marvel optou por adaptar O Retorno de Jedi como uma minissérie de quatro números, publicada fora da série normal, mas dentro da mitologia (tanto que Star Wars #81 começa em Endor, no vilarejo dos Ewoks). A estratégia não atrapalha em nada a leitura da série completa clássico de quadrinhos baseados em Star Wars pela Marvel, mas o fã dentro desse crítico gostaria muito de ter visto o terceiro filme com a numeração normal e não como algo apartado.

O que realmente atrapalhou a adaptação, porém, foi a redução da quantidade de edições. Das seis usadas para os demais filmes, O Retorno de Jedi foi condensado em apenas quatro, o que obrigou Archie Goodwin a economizar em passagens e glosar liberdades criativas por parte do time de artistas encabeçado por Al Williamson e Carlos Garzón. O resultado, longe de ser fraco, não deixa de desapontar. Enquanto a leitura de Uma Nova Esperança e O Império Contra-Ataca é substancialmente sem falhas, com diversos elementos discretamente expandidos, o que vemos em O Retorno de Jedi é algo infelizmente mais burocrático, ainda que cuidadoso e completo.

mosaico retorno de jedi 1983

As capas da minissérie.

Como é inevitável fazer a comparação com os trabalhos anteriores, O Retorno de Jedi fica em desvantagem justamente por ser, em grande parte, “apenas o filme”. Se o leitor não esperar mais do que isso, então não haverá razão para não adorar a adaptação, mas aqueles que esperam algo que vai além, que traga elementos novos ou alterados, ficarão a ver navios. Para não dizer que eles não existem, há diálogos estendidos entre Yoda e Luke e Ob-Wan Kenobi e Luke que elaboram um pouco mais o passado e o segredo sobre Darth Vader e Leia, mas não há muito mais do que isso. Ao contrário: há menos. Diversos momentos que estão no filme são “pulados” por Goodwin, certamente em razão da restrição de espaço (a sequência em que Leia encontra Wicket inexiste na história e a Batalha de Endor é muito encurtada). Não são problemas que afetam a compreensão da narrativa, mas que, novamente, em comparação com as outras adaptações, mostram fragilidades.

A necessidade de se encurtar a história, porém, realmente afeta a luta final entre Vader e Luke e também a reconexão entre pai e filho no clímax da narrativa. Está tudo lá, mas muito rapidamente, sem o aprofundamento que está na película ou, pior, o que seria possível considerando-se a mídia diferente.

A arte de Williamson e Garzón é perfeitamente uniforme, mesmo cosiderando que Ron Frenz e Tom Palmer trabalharam no #4 em conjunto com os dois artistas principais. Também por restrições de espaço, há poucas splash pages (uma por número basicamente), retirando um pouco do potencial operático da minissérie. Mas o trabalho é cuidados, com riqueza de detalhes, especialmente na sequência com Jabba o Hut e, depois, com o Frota Imperial atacando a segunda Estrela da Morte. As criaturas ganham vida e são tão diversificadas quanto no filme, assim como as naves rebeldes e a retratação da ação no espaço. As cores, substancialmente por Christie Scheele, mas também com ajuda de Bob Sharen, são mais escurecidas, o que gera talvez estranhamento inicial. Mas a escolha faz todo o sentido, pois estamos lidando com o capítulo final da saga, com a vilania do Imperador e de Vader chegando ao ápice.

A adaptação de O Retorno de Jedi ficou aquém de seu potencial, mas, ainda assim, é leitura prazerosa e obrigatória para os fãs da saga de George Lucas. Seria (até hoje ao menos) a última vez em que um filme da franquia ganharia uma adaptação em quadrinhos à altura de sua majestade (excluindo-se a versão mangá).

Star Wars: O Retorno de Jedi #1 a 4 (Star Wars: Return of the Jedi #1-4, EUA – 1983/4)
Roteiro: Archie Goodwin (baseado em roteiro cinematográfico de Lawrence Kasdan e George Lucas)
Arte: Al Williamson, Carlos Garzón, Ron Frenz (#4, junto com os outros três artistas), Tom Palmer (#4, junto com os outros três artistas)
Cores: Christie Scheele, Bob Sharen
Letras: Ed King
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Data original de publicação: outubro de 1983 a janeiro de 1984
Páginas: 80

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.