Crítica | Star Wars: O Retorno de Jedi (Dramatização Radiofônica)

estrelas 4

O sucesso da dramatização radiofônica de Uma Nova Esperança logo abriu as portas, nem bem dois anos depois, para a adaptação de O Império Contra-Ataca, dois tours de force valiosíssimos e, francamente, obrigatórios, para qualquer fã da franquia. Era óbvio que O Retorno de Jedi não poderia estar muito atrás, não é mesmo, até porque a segunda dramatização foi lançada no mesmo ano que o terceiro filme (ou sexto) chegou aos cinemas.

Mas, infelizmente, não foi bem assim. A National Public Radio (NPR) sofreu cortes federais em seu orçamento e não pode bancar nem mesmo parte dos altos gastos para se fazer um trabalho de qualidade. O problema, porém, não ficou limitado à NPR, que nem mesmo tinha os direitos de adaptação, que desde o início foram exclusivos para a KUSC-FM, emissora ligada à University of Southern California, onde George Lucas havia estudado. Dizem os rumores que, apesar de toda a benevolência de Lucas ao licenciar sua propriedade por um dólar por filme (com direito a acesso aos arquivos da Lucasfilm e ao uso dos efeitos sonoras e das trilhas sonoras da Trilogia Original), houve desentendimentos entre sua produtora e a KUSC-FM sobre as sublicenças concedidas à NPR para transmissão nacional (nos EUA). A coisa ficou tão complicada que O Retorno de Jedi perigou, por muitos anos, de jamais ser transformado em programa de rádio.

Por incrível que pareça, foi somente em 1996 que a HighBridge Audio, prestigiosa e tradicional produtora de áudio-livros, vendo a Lucasfilm movimentar-se com o prometido lançamento das (péssimas) edições especiais da Trilogia Original, manifestou interesse em trabalhar O Retorno de Jedi no formato das duas primeiras – e então já clássicas – dramatizações, para lançamento não em rádio propriamente dito, já que, a essa altura, o interesse por essa mídia já havia desaparecido por completo, mas sim para CDs e fitas cassete. Uma parceria com a KUSC-FM foi novamente feita e a Lucasfilm, já tendo ultrapassado a rusga de anos antes e também interessada em chamar atenção para seus filmes mais uma vez, embarcou no projeto nos mesmos moldes de acesso irrestrito anterior. O resultado foi mais um trabalho da mais alta qualidade técnica, ainda que, em conteúdo, ela deixe um pouco a desejar.

Os valiosos John Madden e Brian Daley, diretor e roteirista das adaptações anteriores, voltam para a equipe, assim como Anthony Daniels, o único e eterno C-3P0. Mark Hamill e Billy Dee Williams, porém, não voltaram aos papéis de Luke Skywalker e Lando Calrissian, sendo substituídos por Joshua Fardon e Arye Gross respectivamente. Mesmo com a falta que Hamill obviamente faz, a escolha de Fardon foi precisa, por ele ter uma voz muita parecida com a do ator e manifestar o mesmo tipo de energia que Hamill demonstrou nos áudios anteriores. Gross também faz um bom trabalho, mas sua importância é obviamente menor, já que Lando pouco participa do filme.

Considerando a consolidação do Universo Expandido de Star Wars em livros e quadrinhos nos anos de hiato entre o Episódio VI e o Episódio I, Brian Daley – que morreu meras horas depois que as gravações foram encerradas – incorporou pequenos momentos e personagens clássicos ao trabalho. Para começar, a dramatização não começa com os droides chegando ao Palácio de Jabba, mas sim com Luke, em Tatooine e na antiga moradia de Obi-Wan Kenobi, montando seu sabre de luz verde e usando a Força para isso, em linha com o que ele faz em Uma Nova Esperança para destruir a Estrela da Morte. Já no Palácio de Jabba, há um diálogo bem destacado entre C-3P0 e uma personagem chamada Arica. Trata-se de Mara Jade, futura esposa de Luke Skywalker e mãe de Ben Skywalker, infiltrada ali a pedido do Imperador para matar Luke, conforme podemos constatar em detalhes a partir do conto Sleight of Hand: the Tale of Mara Jade, na coletânea Contos do Palácio de Jabba, que expande sua introdução no mais do que clássico Herdeiro do Império, de Timothy Zahn.

Há diversas outras pequenas alterações no roteiro original que são menos salientes, mas às vezes até proféticas, como quando Luke diz que Leia pode ter um destino além do caminho dos Jedi, algo que realmente ela acaba tendo em O Despertar da Força ou quando Vader e o Imperador discutem sobre a possibilidade de se converter Luke ao Lado Negro e também quando o Imperador conta seu plano para Vader e para Moff Jerjerrod (Peter Dennis). Aliás, vale um parênteses aqui: o trabalho de voz de Paul Hecht como o Imperador não deixa nada a dever ao tom ameaçador de Ian McDiarmid.

O maior problema da dramatização de O Império Contra-Ataca, a falação interminável de Darth Vader, foi corrigida aqui, com Brock Peters repetindo seu trabalho como o Lorde Sith, mas tendo textos mais econômicos e precisos para trabalhar, sem banalizar o personagem com narrações que não lhe cabem. Essas narrações, portanto, ficam ao encargo, em grande parte, de Anthony Daniels como C-3P0, algo que fica particularmente evidente nas descrições que ele precisa fazer para nós, ouvintes, durante toda a ação em Tatooine.

John Lithgow volta para reprisar seu magnífico Yoda, mas ele não consegue o mesmo resultado, falhando muitas vezes com a voz do personagem ancião prestes a morrer. No entanto, como a sequência é curta, não é nada que impacte no resultado final da dramatização.

O Retorno de Jedi é a dramatização mais fraca das três, mas isso nem de longe significa que é algo dispensável ou de menor qualidade técnica. Toda a arquitetura sonora e o uso da trilha de John Williams que marcou as edições anteriores estão presentes aqui, mas o material oferecido é apenas, digamos, menos interessante, menos recheado de informações que saiam de verdade do roteiro original. Ainda é um trabalho obrigatório para os fãs, mas faltou mais ousadia.

Star Wars: O Retorno de Jedi (Star Wars: Return of the Jedi, EUA – 1996)
Direção:
John Madden
Roteiro:  Brian Daley (baseado em obra de George Lucas)
Elenco: Joshua Fardon, Anthony Daniels, Ann Sachs, Perry King, Arye Gross, Bernard Behrens, John Lithgow, Paul Hecht, Brock Peters, Edward Asner, Ed Begley, Jr., David Birney, David Dukes, Peter Dennis, Peter Michael Goetz, Ian Gomez, Natalia Nogulich, Mark Adair Rios, Samantha Bennett
Duração: 4h15′ (6 partes)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.