Crítica | Star Wars: Poe Dameron #1 a 3 – Black Squadron

estrelas 4

Espaço: D’Qar: base secreta da resistência, a caverna de Crèche, Megalox Beta.
Tempo: Nova República Galática, tempos antes dos acontecimento de O Despertar da Força.

Desde de 1977, com o lançamento de Uma Nova Esperança, todos os fãs da Saga tem o mesmo sonho, viver na galáxia muito, muito distante. Talvez uma das posições mais aspiradas pelo público seja a de piloto de X-Wing, todos enlouqueceram quando viram Luke explodir a Estrela da Morte com elas. A fascinação pelas naves em forma de X é tão grande que fez personagens secundários do universo virarem favoritos do fandom, falar de X-Wing e não citar Wedge Antilles é quase um pecado!

Deve ser por causa de sua posição que Poe Dameron já era muito querido antes mesmo do lançamento de O Despertar da Força. O marketing do filme dava muito destaque ao personagem de Oscar Issac, mostrando-o em quase que todos os materiais promocionais e até dedicando um poster exclusivo para o piloto. Todo esse entusiasmo construído foi levemente abalado quando se viu que não se tratava de um filme que tinha Dameron como um de seus protagonistas. Mas isso não foi o suficiente para abalar o status de queridinho do personagem, mesmo com pouco tempo de tela, o melhor piloto da resistência mostrou-se com um bom futuro a ser desenvolvido.

Não foi nada surpreendente quando a Marvel anunciou que estava trabalhando em um titulo mensal dele. Escrever uma história que tem como protagonista um piloto de X-Wing era algo muito esperado pelos fãs, desde que a Disney descanonizou a série X-Wing: Rogue Squadron, todos os apaixonados pela Saga clamavam por ver um esquadrão de volta a ação. Ficou para as mãos do roteirista Charles Shoule desenvolver um arco para esse novo título, e pode-se afirmar que o escritor é muito acertivo em sua tarefa.

Em busca de seu irmão, Leia Organa manda o seu melhor piloto, junto com seu esquadrão de naves, para recolher pistas com um sacerdote da Força. Lor San Tekka pode ter grandes informações sobre os rastros de Luke, como a Galáxia está à beira de uma guerra, a missão de Poe e de seus companheiros vira uma prioridade para toda a resistência. Mas, da mesma forma que o grupo liderado por Organa deseja saber os mistérios de Skywallker, a Primeira Ordem também procura o último Jedi. Capitã Phasma envia o Agente Terex para capturar a principal pista do paradeiro de Luke.

O arco se divide em duas grandes missões com o mesmo objetivo, a primeira colher informações que estão retidas com um grupo de alguma espécie de sacerdotes. Entrar em uma prisão, que se localiza na superfície de um planeta sem gravidade, e coletar um informação com um Hutt.

Com certeza o clima aventuresco colocado por Charles Soule é o melhor trunfo do quadrinho. Toda a corrida em busca de um MacGuffin lembra muito os filmes de Indiana Jones. Temos um protagonista muito carismático, Poe é inteligente, negligente, inconsequente e a cima de tudo muito bom no que faz. Essas características lembram de algum famoso personagem de Star Wars? Com certeza Dameron é uma das maiores homenagens ao nosso querido e amado Han Solo. O roteiro sabe a hora de debochar e tem o tempo certo de inserir piadas dentro de sua narrativa.

Soule até reserva um espaço dentro do arco para tratar de BB-8, por mais que as cenas exclusivas de droids sejam uma coisa difícil de engolir, muito por culpa dos prequels que nos apresentaram um R2 guerreiro, o autor consegue sustentar a suspensão de descrença de seus receptores e manter o bom nível da narrativa do quadrinho.

Outro grande acerto do roteiro é Agente Terex, para antagonizar Poe, Soule optou por não colocar alguém que tivesse uma personalidade muito diferente do protagonista. Terex é quase que uma versão de Poe, mas com valores invertidos, o vilão está sempre um passo a frente de seus adversários, e logo na sua primeira aparição já cativa os leitores do quadrinho com seu ar soberbo.

Por mais que o roteiro cumpra muito bem com a sua proposta, sente-se falta de algumas coisas. Por se tratar de uma HQ com o Esquadrão Rogue, seria muito interessante mostrar coisas como, a relação dos pilotos, seu treinamento e até mesmo o combate de nave contra nave, a maioria dos embates é feito em terra, e não no espaço, como se é esperado. Tudo isso é muito bem justificado, o roteiro foca em suas primeiras edições em mostrar Poe e Terex, fica-se na expectativa de vermos mais X-Wings nas próximas edições.

Outro grande acerto de Poe Dameron é a sua arte, Phil Noto representa muito bem não só Oscar Issac, o desenhista consegue mostrar com eficiência todas as batalhas de naves que o quadrinho possui, isso é muito complicado, toda a dinâmica que as disputas possuem exigem um bom senso de espaço e locomoção.

Além de reproduzir de forma muito fiel os traços do protagonista, Phil também acerta quando cria personagens. Agente Terex tem um design interessante, seus traços lembram muito os dos clássicos vilões da Disney, principalmente o de Clayton (antagonista do filme Tarzan). Esse artificio é excelente, a semelhança faz com que a personalidade do agente seja desenvolvida mesmo com o silêncio do roteiro, vemos quem Terex é só por seu visual.

Outro grande aspecto da arte do quadrinho, que deve ser mencionado, são as cores, como Phil Noto aposta em tons mais neutros, não utilizando quase cores chapadas. Eu particularmente tenho esse estilo de “aquarela” como um dos meu favoritos dentre as artes de HQs digitais. As capas, também feitas por Noto, alcançam um excelente patamar, não só na paleta de cores usada, mas em sua ótima distribuição de objetos.

Com uma arte muito assertiva, e um roteiro que possui um ritmo de aventura. Poe Dameron é um ótimo quadrinho, ele tem um arco sem enrolações que é empolgante do começo ao fim. Charles Soule consegue representar muito bem a personalidade de um personagem que não foi muito bem explorado em O Despertar de Força. Espero que, para o seu segundo arco Poe consiga explorar novos horizontes, a missão de procurar Lor San Tekka é boa, mas fica a vontade de ver o personagem alçar voos que vão além do roteiro do Episódio VII.

Que Poe Dameron possa ser cada vez mais bem desenvolvido, quem sabe um dia esse personagem chegue a tapar um pouco do grande vazio que temos em nossos corações com a perda do nosso eterno melhor piloto da rebelião.

Star Wars: Poe Dameron #1 a 3 — EUA 2016.
Roteiro: Charles Soule
Arte: Phil Noto
Cores: Phil Noto
Letras: Joe Caramagna
Editora original: Marvel Comics
Datas originais de publicação: 2016
Editora no Brasil: Não publicado no Brasil até a data da crítica.
Páginas: 140 (aprox.)

PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".