Crítica | Star Wars: Princesa Leia #3 a #5 (Marvel – 2015)

estrelas 3,5

Espaço: Yavin-4 (base rebelde e órbita da lua), Hiperespaço, Alderaan (flashback), Naboo (órbita, arredores do palácio real e cidade de Keren), Sullust (órbita e enclave alderaaniano na superfície), Espirion, Skaradosh
Tempo: A Rebelião – Imediatamente após a Batalha de Yavin (0 d.BY)

Obs: Leiam as críticas dos dois primeiros números da minissérie nos links abaixo:

Star Wars: Princesa Leia #1

Star Wars Princesa Leia #2

A primeira minissérie da retomada e reinício do Universo Star Wars em quadrinhos pela Marvel Comics focou na Princesa Leia. Com uma publicação geral, batizada de Star Wars, cujo primeiro arco focou em Luke Skywalker e com uma publicação integralmente dedicada a Darth Vader, a escolha de Leia era óbvia mesmo que esquecêssemos por um momento a necessária diversificação de gêneros. Afinal, Leia foi ganhando cada vez mais destaque na Trilogia Original e, ainda que talvez fosse mais óbvio escolher Han Solo para estrelar a mini, justamente por isso é que Leia se encaixa melhor.

O roteiro de Mark Waid tem como objetivo discutir quem é a Princesa Leia depois que seu planeta natal, Alderaan, foi obliterado pelo Império em Uma Nova Esperança. A busca pela identidade é o mote e Waid usa como elemento catalisador a caçada que o Império inicia a todos os alderaanianos sobreviventes espalhados pela galáxia. Completamente sem autorização dos líderes rebeldes e com a ajuda da piloto alderaaniana Evaan, que tem profundo respeito pela família real, mas que pessoalmente não gosta de Leia. Imediatamente, a química entre as duas torna-se interessante, pelo texto afiado de Waid. Nos dois primeiros números, objetos das críticas que os leitores acharão nos links acima, Leia e Evaan, sem muitos preparativos, conseguem libertar um grupo de artistas alderaanianos em Naboo e todos continuam a missão nos três números seguintes.

O cliffhanger do segundo número é a descoberta – somente por nós, leitores – de que existe um traidor entre os sobreviventes que Leia e Evaan recolheram. Esse mistério, então, é utilizado para o máximo efeito na missão seguinte, quando as duas vão até Sullust para lidar com um extremamente desconfiado grupo de alderaanianos que sobrevivem no subsolo liderados Jora Astane, uma senhora que é a “preservadora” da comunidade. Quando a traição é descoberta por Astane, a lisura dos atos de Leia ficam literalmente sob sua mira e a ação ganha corpo com a chegada de tropas imperiais. É interessante ver como Waid usa Nien Nunb (o simpático co-piloto de Lando Calrissian na Millenium Falcon ao final de O Retorno de Jedi) e também R2-D2 ao longo da narrativa. E não é só no terceiro número que vemos isso, pois, no quarto, com Leia arriscando tudo para salvar a traidora das garras do Império, os dois têm papel importante mais uma vez em um número que não empolga tanto simplesmente por sabermos que Leia não tem seu fim nas mãos do Império.

Neste mesmo quarto número, a ação é bipartida, com Leia enviando duas emissárias para Espirion, outro planeta com uma colônia de seus compatriotas. A narrativa perde um pouco de ritmo quando isso acontece, mas o objetivo de Waid, de criticar o preconceito representando pela reação de Astane diante de alderaanianos “impuros”, é perfeitamente alcançado, ainda que haja um quê de maniqueísmo em seus diálogos.

De toda forma, o clímax no número final funciona bem – ainda que seja exageradamente simplificado – solidificando a imagem de Leia e encerrando a narrativa eficiente e apropriadamente, sem pontas soltas. Bem, na verdade, Waid constroi a história de tal forma que fica a vontade de ler mais sobre o destino dos alderaanianos sobreviventes. Quem sabe a Marvel não volta com uma segunda minissérie mais tarde?

A arte, ao encargo da dupla Terry e Rachel Dodson, encaixa-se perfeitamente ao espírito do texto de Waid, com traços simples, mas completos, refinados, passando majestade ao mesmo tempo que jovialidade, com um toque de mangá nos rostos. Os traços de Terry não se preocupam em dar à Leia as feições de Carrie Fisher e, por isso, vê-se um lado autoral mais forte, ainda que os figurinos, em geral, respeitem os da Trilogia Original (menos o biquíni dourado, claro). E os quatro planetas mostrados ao longo da história ganham vida própria com muita originalidade, mesmo quando aparecem por pouquíssimas páginas, como é o caso de Espirion. As cores claras usadas por Jordie Bellaire ajudam na leveza da história, mas sem nunca diminuir sua seriedade e passam ao leitor uma espécie de serenidade constante, apesar de toda a ação.

Star Wars: Princesa Leia é uma ótima minissérie da Marvel. Resta esperar que as próximas, Lando e Chewbacca (já em andamento lá fora) tenham a mesma qualidade.

Star Wars: Princesa Leia #3 a #5 (Star Wars: Princess Leia #3-5, EUA – 2015)
Roteiro: Mark Waid
Arte: Terry Dodson
Arte-final: Rachel Dodson
Cores: Jordie Bellaire
Letras: VC’s Joe Caramagna
Data original de publicação: 29 de abril, 03 de junho e 1º de julho de 2015
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Editora (no Brasil): Panini Comics (ainda em publicação – no #2 – na data de lançamento da presente crítica)
Páginas: 23 (cada número)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.