Crítica | Star Wars Rebels 1X01: Spark of Rebellion

estrelas 4

Star Wars mantém sua firme presença na televisão desde 2003. Começando com Clone Wars, a ótima minissérie criada por Genndy Tartakovsky, passamos a ver pequenos contos que não só atuam como material para o vasto universo expandido da franquia, como unem os episódios II e III, em especial a segunda parte do desenho, que chega a explicar a tosse de General Grievous e a abdução de Palpatine.

Depois vimos uma nova produção, desta vez em CGI, passada no mesmo período histórico, introduzindo novos personagens e, desta vez, tendo um maior foco em Anakin e sua aprendiz Ahsoka. Esta série, também denominada Clone Wars, custou para encontrar sua linguagem, demorando temporadas inteiras para, realmente, cativar seu público. E no alto desse hype, envolvendo o popular Darth Maul, a Disney comprou a Lucasfilm, cancelando a série que teve sua última temporada exibida pelo Netflix.

Para preencher o espaço vazio deixado na televisão, veio Rebels, que finalmente nos tira das guerras clônicas e nos joga no obscuro período entre os episódios III e IV, no qual o Império se firma e a Aliança Rebelde começa a se formar. Obviamente são esses os dois pontos principais da narrativa do desenho, como o próprio título já deixa claro. E é justamente isso que assistimos no primeiro episódio, Spark of Rebellion.

Um jovem observa, à distância, um centro urbano. Em cima de uma torre de observação, de repente, uma sombra começa a se formar: um Star Destroyer se aproxima e a visão por baixo dele nos remete imediatamente a Uma Nova Esperança. Acompanhando a gigantesca espaçonave ouvimos um sutil arranjo da Imperial March, solidificando, de vez, o saudosismo dos fãs. Com a nave imperial se aproximando da cidade, também o faz, o garoto. Lá se depara com um grupo de stormtroopers, já com a clássica armadura, e oficiais extorquindo um vendedor de frutas, que alega que a Velha República era muito melhor. O tom de ditadura militar é, então, claramente estabelecido, ao passo que o comerciante é acusado de rebelião. A ameaça desse novo governo já é firmada na mente do espectador, de forma similar ao que vimos no filme que gerou a franquia. Lembremos que a série é voltada não só para os fãs de longa data, mas também para um público jovem que pode nunca ter tido contato com a velha trilogia.

É justamente para essa grande parcela dos espectadores que temos o protagonista Ezra, uma figura que muito nos lembra de Aladdin da Disney – destemido, mão leve e carismático. Há, porém, algo a mais no garoto e a velha melodia tema da força nos demonstra isso, quando ele sente a aproximação de um grupo de rebeldes prestes a roubarem alguns caixotes dos imperiais. Ezra, contudo, já tinha os olhos nessa mercadoria e disputa o roubo com o grupo desconhecido. Com as forças do Império facilmente enganadas, as speeder bikes que carregam as caixas são roubadas e logo o menino descobre que se meteu em algo muito maior que um simples roubo.

Spark of Rebellion dá início a essa nova fase de Star Wars com o pé direito, nos trazendo uma série de elementos que, de forma efetiva, criam um elo entre a trilogia velha e a nova. O showrunner, Simon Kinberg, ainda dá uma piscada aos velhos fãs e opta por construir uma identidade que mais se assemelha aos episódios IV, V e VI. Para começar temos a evidente escassez de Jedis. Espere, portanto, mais blasters, perseguições e batalhas no espaço. A presença da ordem jedi se faz de forma discreta e mesmo quando existe a presença de um deles observamos movimentos mais sóbrios, mais controlados e menos dotados de pulos e piruetas, o que cria uma interessante escala de poder entre o Império e esses poucos cavaleiros – os jedis são poderosos, sim, mas não invencíveis, como Obi-Wan já deixou claro em Uma Nova Esperança.

É claro que estamos falando de uma obra que procura atingir, também, um público jovem e, com isso, temos uma forte presença da comédia, que constantemente livra um pouco da tensão. Embora divirta em vários aspectos esse tom de menor urgência pode prejudicar a percepção de um público mais velho, mas, como dito anteriormente, a própria trilha sonora, repleta de melodias conhecidas, irá assegurar que esses espectadores se mantenham atentos ao show.

Outro aspecto que pode causar certo estranhamento é o estilo de animação utilizada. Muito similar ao que vimos na segunda fase de Clone Wars, Rebels faz uso de um CGI com traços claros dos desenhos animados tradicionais. O que vemos são personagens mais coloridos e que facilmente podem ser vistos como bonecos (afinal, esta é parte da intenção). O visual mais infantil, contudo, não significa que os detalhes são deixados de lado. O trabalho em cima das texturas é notável, especialmente considerando as armaduras. Alguns movimentos, por sua vez, acabam parecendo travados enquanto outros são fluidos, algo a ser melhorado com a progressão da série. No âmbito geral é uma animação que agrada tanto a adultos quanto jovens.

Alguns deslizes, porém, não conseguem tirar a força de Spark of Rebellion. Trata-se de uma forte introdução para Star Wars Rebels, que adota um texto muito similar ao que vimos no episódio IV. Com bons personagens, de dinâmicas diferentes, que fazem menção tanto a trilogia nova quanto à velha, a Disney XD conta com um ótimo produto em suas mãos, exibindo um grande potencial. Chegamos a uma nova era de Star Wars e não podemos deixar de ficar curiosos para assistir o rumo que ela irá tomar.

Star Wars Rebels 1X01: Spark of Rebellion
Showrunner:
Simon Kinberg
Direção: 
Steward Lee
Roteiro: Simon Kinberg
Vozes Originais: Taylor Gray, Vanessa Marshall, Tiya Sircar, Steve Blum, David Oyelowo, Keith Szarabajka, Liam O’Brien
Duração: 48 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.