Crítica | Star Wars Rebels – 3X18: Double Agent Droid

estrelas 4

  • Contém spoilers do episódio.
  • Confiram todas as nossas críticas da série aqui.

Beiramos o que promete ser um desfecho dramático de temporada, com o próximo capítulo a nos trazer o esperado duelo entre Maul e Obi-Wan e o finale, com duração estendida, o conflito entre Thrawn e os rebeldes. Double Agent Droid, portanto, funciona como a preparação de terreno para o último episódio deste terceiro ano. Como de costume, Rebels sabe aproveitar com eficácia seus personagens secundários, trabalhando-os de maneira quase isolada. Neste caso temos Chopper e AP-5 em foco, o que já não acontecia há algum tempo, al´m disso, temos o retorno de Wedge Antilles, que não contava com uma participação efetiva desde The Antilles Extraction.

A trama é iniciada no espaço, com Hera enviando Wedge, Chopper e AP-5 em uma missão para extrair os códigos de acesso a Lothal, para que possam atacar a base imperial do planeta, algo que já vem sendo construído em segundo plano desde o ótimo An Inside ManO problema é que Thrawn está ciente de um dróide rebelde que frequentemente se infiltra no Império e envia um grupo de técnicos em uma nave capaz de hackear os robôs de maneira remota. Dito isso, Chopper é comprometido e passa a ser controlado pelos antagonistas, que visam adquirir a localização da base rebelde.

É bastante comuns em seriados com a estrutura procedural, como Rebels (ainda que nesse caso contemos com elementos de seriados não-procedurais), que nenhum senso de urgência seja criado – sabemos que os personagens principais irão sair por cima, independente dos riscos pelos quais passam. Isso, felizmente, não ocorre aqui em Double Agent Droid. Embora saibamos que o astromech voltaria a si invariavelmente, o sucesso dos imperiais permanece uma incógnita até o derradeiro fim do capítulo e mesmo assim não é deixado claro exatamente quais informações eles conseguiram tirar do grupo. Com isso a tensão criada pela narrativa é genuína, especialmente considerando que estamos perto do fim da temporada.

Mais importante que isso, porém, é o simples fato de agora sabermos que os inimigos tem conhecimento do dróide agente duplo, algo que pode comprometer operações futuras dos rebeldes, como fora o caso aqui. Além disso, a personalidade de Wedge é construída em segundo plano e desde já descobrimos o porquê do piloto não gostar muito de robôs como copilotos. Por outro lado, para a trama geral, o capítulo em questão avança a caminhada para o fim consideravelmente e agora tudo o que resta é efetivamente atacar Lothal, o que veremos em Zero Hour.

O único real deslize ocorre nos minutos finais, através da forma como Hera destrói o cruiser imperial, método que não faz o menor sentido: como um excesso de informações transmitidas pode sobrecarregar os circuitos da nave ao ponto de ela explodir? Isso acaba soando como um artifício do roteiro para impedir que os dados coletados sejam enviados para Thrawn, por mais que isso se mantenha um mistério, já que não sabemos ao certo o que foi enviado ao grão-almirante. Dito isso, não se trata de um defeito que acaba com o capítulo por completo, mas certamente pede demais de nossa suspensão de descrença.

Com isso em mente fica fácil enxergar o que veremos no finale dessa terceira temporada de Star Wars Rebels. A série, como sempre, fez o bom serviço de preparar o terreno antes de nos entregar o clímax, através de um episódio mais descontraído, mas que conseguiu criar uma ótima e constante tensão. Temos, aqui, mais uma prova de como os personagens do seriado conseguem levar episódios inteiros de maneira isolada, não necessitando a presença de sabres de luz ou até mesmo combates espaciais, uma marca evidente do quanto foram bem construídos até aqui.

Star Wars Rebels – 3X18: Double Agent Droid (EUA, 2017)
Showrunner:
Dave Filoni
Direção:
Steward Lee, Justin Ridge
Roteiro:
Brent V. Friedman
Elenco:
Taylor Gray, Vanessa Marshall, Freddie Prinze Jr., Tiya Sircar, Steve Blum, Dee Bradley Baker, David Oyelowo,  Derek Partridge, Stephen Stanton, Jim Cummings, Sam Witwer, Nathan Kress
Duração: 
22 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.