Crítica | Star Wars Rebels – 4X03 e 4X04: In the Name of the Rebellion

– Contém spoilers do episódio. Confiram todas as nossas críticas da série aqui.

Depois de três temporadas, a Disney XD, enfim, aprendeu que Star Wars Rebels funciona muito melhor na estrutura de episódios duplos, com arcos de, aproximadamente, quarenta e quatro minutos, ao invés dos costumeiros vinte e dois. Evidente que tal esquema foi adotado por essa ser a temporada de despedida da série animada, possibilitando que histórias mais importantes fossem contadas em mais tempo. No première duplo vimos um pouco da guerra civil em Mandalore e agora corremos para uma trama que funciona perfeitamente como prelúdio de Rogue One, ao passo que In The Name of the Rebellion lida novamente com o projeto secreto do Império, a ainda desconhecida Estrela da Morte.

Após sua aparição em Ghosts of Geonosis, no ano anterior, Saw Gerrera, dublado pelo próprio Forest Whitaker, retorna a Rebels, deixando bem clara a diferença entre seus métodos e os da Aliança Rebelde, liderada por Mon Mothma. Enquanto ela faz de tudo para que eles não sigam o exemplo da brutalidade do Império, Gerrera está capaz de fazer tudo para ser vitorioso, inclusive sacrificar inocentes, algo que é repetido constantemente durante o capítulo, o que certamente impressiona, considerando o público-alvo infantil. Estamos diante de uma obra que lida com os tons de cinza, similarmente ao que vimos em Rogue One.

Evidente que a violência desses tempos de guerra permanece velada, aparecendo somente nos diálogos e não na imagem em si. Por mais que vejamos explosões aqui e ali, além de stormtroopers caindo em abismos, o showrunner Dave Filoni e sua equipe se esquivam da violência gráfica, mesmo quando os sabres de luz entram em jogo. Por mais necessário que seja, considerando a proposta do desenho, esse fator tira boa parte da urgência desses dois episódios – sabemos que nada irá acontecer aos personagens centrais e que, muito provavelmente, Saw não perderá sua perna ao longo do programa – o que seria bem-vindo, a fim de criar vínculos ainda mais fortes com o primeiro longa-metragem spin-off da franquia.

Em todo caso, In The Name of the Rebellion faz um bom trabalho ao se inserir em um contexto maior, chegando a trazer referências a Orson Krennic e aparição de Death Troopers, que é mais do que justificada, dada a importância do que estava sendo guardado pelo Império naquela instalação atacada pelos rebeldes. Além disso, a utilização de Ezra e Sabine é certeira, visto que ambos demonstram personalidade mais rebelde (sem trocadilhos aqui), não sendo tão “certinhos” quanto Kanan e Hera – além disso, é preciso notar como Syndulla está bem mais presa à hierarquia da Rebelião do que os dois jovens que tomam conta do episódio duplo.

Se a urgência imediata é praticamente nula, não há como negar que sentimos os ventos da mudança chegando com a iminência da finalização da Estrela da Morte. A guerra entre a Rebelião e o Império, que Mothma acredita não ter sido abertamente declarada ainda, evidentemente já começou e o choque de realidade está prestes a acontecer. Nesse sentido, o roteiro de Gary Whitta e Matt Michnovetz acerta em cheio, dando a entender que a história dessa célula rebelde beira o seu fim, nos aproximando dos eventos de Uma Nova Esperança. Há de se esperar, portanto, que essa seja a última aparição de Saw no seriado, a menos que decidam fazer outro prelúdio de Rogue One.

In the Name of the Rebellion, portanto, lida constantemente com tons de cinza, pintando um retrato mais realista da Aliança Rebelde e como nem todos concordam com a forma como essa guerra contra o Império é travada. Por mais que a sensação de urgência imediata praticamente não exista, o episódio opta por focar no contexto geral, permitindo que enxerguemos todas as peças se movimentando a fim de nos levar para os filmes clássicos da franquia. Dessa forma, a importância dos eventos mostrados aqui é mais do que evidente, já nos deixando curioso pelo que veremos a seguir.

Star Wars Rebels – 4X03/04: In The Name of The Rebellion – Partes 1 e 2 (EUA, 23 de outubro de 2017)
Showrunner: 
Dave Filoni
Direção:
Sergio Páez, Dave Filoni, Bosco Ng
Roteiro:
Gary Whitta, Matt Michnovetz
Elenco: 
Taylor Gray, Vanessa Marshall, Freddie Prinze Jr., Tiya Sircar,  Cary-Hiroyuki Tagawa, Katee Sackhoff,  Andrew Kishino, Kevin McKidd, Dave Filoni, Sharmila Devar, Tobias Menzies, Forest Whitaker
Duração: 
44 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.