Crítica | Star Wars Rebels – 4X07 e 4X08: Kindred e Crawler Commandeers

– Contém spoilers do episódio e da trilogia Thrawn. Confiram todas as nossas críticas da série aqui.

Chegamos e passamos da metade da última temporada de Star Wars Rebels e todas as peças já se posicionaram para nos entregar o dramático desfecho dessa primeira parte do quarto ano do seriado, que promete nos entregar a maior batalha entre a Rebelião e Império do desenho até então. Continuando de onde fomos deixados em Flight of the Defender, os rebeldes precisam encontrar um jeito de saírem de Lothal com os planos do Tie Defender, traçando, desde já, um paralelo óbvio com a Estrela da Morte, visto que ambas as armas podem significar a ruína dos rebeldes. Sem opção, eles permanecem no planeta enquanto Hera e Chopper partem para Yavin-4, onde pretende conseguir apoio dos líderes da Rebelião para montar um ataque contra a fábrica em Lothal.

Até então, todos os capítulos dessa temporada ofereceram arcos bem delineados, com bastante informação sendo despejada de maneira orgânica e fluida, sem desperdiçar importantes elementos ou acelerar indevidamente a narrativa. Infelizmente o mesmo não se repete nessa quarta dupla de capítulos, que começou com um forte episódio, seguido de algo muito próximo de filler, com poucos acontecimentos efetivamente importantes para o futuro do seriado, podendo tudo ter sido resolvido em curtos minutos, ao invés de se estender pelos vinte e dois que totalizam o capítulo. O que parece é que decidiram criar uma bela enrolação a fim de postergar a batalha por Lothal, que há tanto é esperada dentro da série.

Kindred, porém, é mais do que capaz de nos engajar, resgatando o foco místico da série, com mais criaturas ligadas à Força, enquanto apresentou um importante personagem da trilogia Thrawn (atualmente tida como Legends), Rukh, dublado por ninguém menos que Warwick Davis. Para quem não sabe (preparem-se para os spoilers dos livros), Rukh era um dos capangas de Thrawn e foi responsável pelo assassinato do Chiss, após tê-lo traído no último romance da trilogia. Evidente que não necessariamente veremos uma repetição de tais eventos na série, mas sua inserção aqui já levante boas suspeitas, indicando a morte do Grão Almirante.

O que pode ser resgatado de Crawler Commandeers são as sequências envolvendo Hera em Yavin-4, que mostra que a Rebelião não é tão democrática quanto ela alega ser, impedindo que a capitã presencia a reunião do alto-escalão, mesmo quando o assunto a afeta diretamente. Evidente que é algo muito distante da ditadura imperial, mas era de se esperar que eles demonstrassem mais empatia em relação à Syndulla, não forçando a personagem a invadir a sala de reuniões como fez. Em termos de narrativa, claro, tais acontecimentos foram realizados de tal forma a fim de garantir a tensão do espectador, mas é importante notar como o tratamento da liderança rebelde foi feita de maneira similar ao que vimos em Rogue One, demonstrando forte coesão entre as diferentes obras desse universo.

Fora isso, contudo, o segundo capítulo nos trouxe mais encheção de linguiça, com alguns bons momentos cômicos e outras sequências de ação, que, de fato, não influenciam em muita coisa, a não ser que o Crawler demonstre ser essencial para a vindoura batalha. À beira do midseason finale, portanto, Rebels tirou uma breve pausa para respirar, para, depois, nos mergulhar na maior batalha vista no seriado. Resta torcer para que o resultado cumpra nossas expectativas, nos entregando uma boa despedida a Lothal.

Star Wars Rebels – 4X07/08: Kindred e Crawler Commandeers (EUA, 6 de novembro de 2017)
Showrunner: 
Dave Filoni
Direção:
 Dave Filoni, Sergio Páez, Bosco Ng
Roteiro: 
Dave Filoni, Henry Gilroy, Matt Michnovetz
Elenco: 
Taylor Gray, Vanessa Marshall, Freddie Prinze Jr., Tiya Sircar, Cary-Hiroyuki Tagawa, Andrew Kishino, Kevin McKidd, Dave Filoni, Sharmila Devar, Tobias Menzies, Lars Mikkelsen, Warwick Davis, Genevieve O’Reilly
Duração: 
44 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.