Crítica | Star Wars: Rogue One – Cassian & K2S0

Espaço: Wecacoe (As Colônias)
Tempo: Logo antes dos eventos de Rogue One: Uma História Star Wars

A franquia Star Wars sempre notabilizou-se por seus carismáticos androides. Seja a eterna dupla formada por R2-D2 e C-3P0 da Trilogia Original (hein, tem outra trilogia?), seja pelo recente BB-8, de O Despertar da Força, esses seres mecanizados sempre tomaram de assalto o imaginário popular, por vezes mais até do que suas contrapartidas de carne e osso. Rogue One é o primeiro filme da série que coloca um androide originalmente imperial como o representante metálico da vez, com uma papel de grande destaque graças ao seu característico design, às boas falas que ele tem, funcionando muitas vezes como bem inseridos alívios cômicos e, claro, o trabalho de voz de Alan Tudyk.

Fiel escudeiro de Cassian Andor, que recruta Jyn Erso para a causa rebelde, K-2S0 é consciente de sua condição de androide reprogramado, mantendo o hábito de lidar com tudo sem rodeios, falando o que pensa, algo que Cassian reputa a problemas em sua desprogramação pelos rebeldes. Mas como eles se conheceram, afinal de contas? Ou, melhor ainda, será que era mesmo necessário sabermos detalhes de como os dois formaram uma improvável dupla?

A segunda pergunta pode ser respondida imediatamente pela existência em si do one-shot que conta essa breve história de origem. Ela foi escrita e publicada, pelo que não adianta reclamar dela. A esperança é que a história seja boa, algo que o leitor só descobrirá se… bem, decidir lê-la. A vantagem é que, independente de qualquer coisa, gostando ou não do material, ele tem apenas 27 páginas, consistindo em uma leitura rápida e, sim, prazerosa que o leitor não estiver procurando algo particularmente especial ou edificante.

Em uma missão de inteligência, Cassian e dois alienígenas gêmeos espiões (Kertas e Rismor) que se comunicam apenas por odores que exalam do corpo (!!!) vão a um um planeta remoto para obter informações sobre as atividades do Império a partir de um Destroyer em doca seca que está sendo canibalizado para ter suas partes vendidas. Não demora e Cassian atrai um droide imperial que ele usa para ajudá-lo na missão. Com isso, grande parte da narrativa lida com ele e K-2S0 se digladiando na medida em que o primeiro tenta apagar a memória do segundo, evitando que sua diretiva que determina que o rebelde deveria ser capturado ou morto seja ativada.

O roteiro de Duane Swierczynski é extremamente simples e descompromissado. Mas, aqui, diferente do que acontece na minissérie solo da Capitã Phasma, a objetividade do texto não ajuda em nada a narrativa que é repleta de obviedades e clichês, apenas uma vez ou outra fazendo o humor funcionar eficientemente. Sem qualquer profundidade e com um final que forçosamente já conhecemos, não resta muito mais a se apreciar na narrativa além de conhecer o destino dos espiões que, por sua vez, exatamente por não se comunicarem de maneira convencional, jamais criam qualquer tipo de conexão com o leitor. Faltou inventividade para pelo menos estabelecer um subtexto qualquer que trouxesse estofo à narrativa, como acontece no one-shot dedicado a C-3P0 e como ele ganhou o braço vermelho.

A arte também não ajuda muito, pois Marcelo Maiolo faz um trabalho bonito, mas burocrático, de certa forma um reflexo do roteiro parado e que localiza a ação em praticamente apenas um grande hangar. Como se isso não bastasse, apesar das poucas páginas, Maiolo consegue por vezes desnortear o leitor, especialmente nas sequências em que o androide imperial é desligado pelos espiões. É como se não tivesse havido muito cuidado na concepção da lógica dos quadros. No entanto, seu trabalho de fundo nas sequências em que vemos vida no planeta e também na ação final funciona muito bem, mostrando que o problema não é exatamente o artista, mas sim o roteirista.

O one-shot dedicado a como Cassian Andor e K-2S0 se conheceram só diverte, pois acaba rápido, já que ele não oferece nada além de seu valor de face. Uma oportunidade desperdiçada de lidar com a dinâmica dos dois em uma aventura quase que completamente livre das rédeas da continuidade.

Star Wars: Rogue One – Cassian & K2S0 (Idem, EUA – 2017)
Roteiro: Duane Swierczynski
Arte: Fernando Blanco
Cores: Marcelo Maiolo
Letras: Clayton Cowles
Capas: Paul Renaud
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: outubro de 2017 (capa), agosto de 2017 (lojas)
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: ainda não publicado
Páginas: 27

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.