Crítica | Star Wars: Shadows of the Empire

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estrelas 2

Espaço: Hoth, Ord Mantell, Tatooine, Gall, Falleen’s Fist, Coruscant
Tempo:
Império Galáctico, 3,5 anos depois da Batalha de Yavin (entre os episódio V e VI).

A saga Star Wars conta com uma extensa história quando se trata de videogames, englobando diversos gêneros, que vão desde o clássico plataforma em 2D, até os first person shooters modernos. A segunda metade dos anos 1990 e os 2000 foram especialmente prolíficos para a franquia (em virtude da trilogia prelúdio, claro), com marcantes jogos como Rogue SquadronEpisode I RacerBounty HunterGalactic BattlegroundsKnights of the Old Republic, dentre dezenas de outros. Parte de um grande projeto transmídia, incluindo quadrinhos e livros, Shadows of the Empire é um desses saudosos games que praticamente todos os fãs da franquia já experimentaram no Nintendo 64 ou no PC. A grande questão é se ele envelheceu bem ao ponto de poder ser jogado nos dias atuais.

No jogo controlamos Dash Rendar, um caçador de recompensas contratado pela Rebelião a fim de ajudá-los na luta contra o Império. O que não esperavam, porém, é que, além das tropas do Imperador, eles precisariam ir contra o príncipe Xizor, líder do sindicato do crime conhecido como o Sol Negro. Sobretudo, Xizor almeja tomar o lugar de Vader ao lado do Imperador, tomando qualquer medida necessária, incluindo atrapalhar os planos do Império, a fim de ser bem visto pelos olhos do soberano. Iniciado na batalha de Hoth, a história do jogo nos leva até momentos antes de O Retorno de Jediculminando com a derrota do ser reptiliano.

Um game que, definitivamente, marcou uma geração, Shadows of the Empire nos traz uma abordagem muito pouco vista na franquia. Nos distanciamos dos personagens principais, como Luke, Han e Leia e controlamos alguém completamente inédito, em um jogo de ação em terceira pessoa, gênero pouco explorado com Star Wars, ainda que tenhamos ótimos exemplos como a série Jedi Knight. Aqui, porém, mesmo os Jedi ficam de fora, já que encarnamos um caçador de recompensa que prefere um blaster ao seu lado. O lado scifi de Star Wars ganha mais destaque, portanto, deixado o lado fantasia da saga em segundo plano.

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O grande problema do game, ironicamente, cai justamente na forma como constrói a jogabilidade de ação. Salvo nas batalhas espaciais, que são tão monótonas que nos fazem querer cortar os pulsos, com uma mira que nada ajuda, os outros momentos de gameplay não contam com absolutamente nenhuma mira, se apoiando no automático, que direciona o laser do blaster para os inimigos em nossa frente. Na teoria isso poderia funcionar se os oponentes em níveis superior ao do personagem fossem tão fáceis de atingir quanto os normais. Dito isso, o jogo, ocasionalmente, dá saltos de dificuldade sem mais nem menos e tudo em razão de péssimas escolhas de design, as quais não fazem o menor sentido, já que estamos falando de uma era pós DoomGoldeneye, dentre outras icônicas obras que redefiniram tais sistemas nos videogames.

Tudo isso ainda é atrapalhado pelo péssimo sistema de locomoção (tanto no controle quanto no mouse e teclado), com o personagem se movimentando rápido demais, resumindo muitas das missões em simplesmente sair andando apertando o botão de atirar. O problema disso tudo é que, nessas corridas pelas fases, muitas vezes o personagem continua andando mesmo quando largamos o controle (ou o teclado), causando mortes acidentais. O bug chega a tal ponto que tive de repetir um cenário de canyons específico repetidas vezes, pois as vidas foram esgotadas em virtude da fixação de Rendar pelos abismos.

Tornando tudo mais trágico, não há por que contemplar qualquer coisa dos cenários, que são devotos de qualquer detalhe (a geração não é desculpa, já que é a mesma de Ocarina of Time, por exemplo). Trata-se de um enorme desperdício de localidades, já que visitamos inúmeros planetas do universo criado por George Lucas, como Ord MantelTattooine e, claro, Hoth, que abre o jogo. O fato desses locais estarem preenchidos por personagens que mal conseguimos distinguir só piora as coisas, chegando ao ponto que só conseguimos identificar um wookie pelo som que ele faz quando morre. Dito isso, praticamente todos os inimigos que enfrentamos são variações de skins, que não representam nenhum desafio diferente, a não ser um possível dano aumentado.

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Do outro lado da balança, nos envolvendo mais do que qualquer tentativa da imagem, temos a trilha sonora tirada direto da trilogia original, o que incrementa uma forte dose de nostalgia em qualquer fã que decida desbravar o game. O uso dessas faixas é, também, muito bem pensado, já que refletem os objetivos de cada missão. Por exemplo, quando estamos à procura de Boba Fett, ouvimos a mesma música tocada quando ele leva Han para a Slave I em O Império Contra-Ataca. Os efeitos sonoros, exceto quando o tiro acerta o inimigo, também seguem o mesmo padrão de qualidade, utilizando sons dos filmes para tornar a experiência mais imersiva.

Apesar de ser um jogo consideravelmente curto, especialmente para os padrões atuais, Shadows of the Empire se torna uma verdadeira provação para seus jogadores, que são forçados a enfrentarem irritantes bugs, péssimo level-design e gráficos nada refinados, mesmo considerando a época que fora lançado. Por mais que tenha marcado uma geração, o game claramente não envelheceu nada bem e as escolhas do gameplay tornam revisitar esse clássico algo maçante, que dificilmente irá agradar mesmo os fãs mais devotos de Star Wars.

Shadows of the Empire
Desenvolvedor: 
Lucasarts
Lançamento:
03 de dezembro de 1996
Gênero: 
Ação, Plataforma
Disponível para: 
Nintendo 64, PC

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.