Crítica | Star Wars: Império Despedaçado #1 (Jornada para Star Wars: O Despertar da Força)

estrelas 4

Espaço: Órbita da lua-floresta de Endor, superfície da lua-floresta de Endor
Tempo: A Rebelião – Quatro anos após a Batalha de Yavin e um ano após os eventos de O Império Contra-Ataca (4 d.B.Y)

Tenho sentimentos conflitantes com a decisão da Disney, depois de comprar a Lucasfilm, de zerar o Universo Expandido estabelecido desde 1977 com as publicações da própria Marvel (ironia, ironia!), apagando do cânone centenas de publicações em quadrinhos e outras ao longo desses quase 40 anos. Por um lado, os fãs que vinham acompanhando o vasto material, com exemplares realmente magníficos, ficaram a ver navios. Por outro, faz sentido começar de novo para evitar confusões e permitir que novos leitores embarquem no novo Universo Expandido, gerando, claro, mais dinheiro para o conglomerado.

star wars shattered empire 1 capaSeja de que lado você esteja, não há como lutar contra fatos e decisões como essa. Podem fazer beicinho e bater o pé (eu sei que fiz isso tudo…), mas o Universo Expandido até 31 de dezembro de 2014 tornou-se Legends e não conta mais no cânone. Ele sempre existirá, lógico, mas simplesmente não mais faz parte da história oficial. Grosso modo, ficaram os filmes (claro, mas bem que eles poderiam ter decidido apagar a Trilogia Prelúdio…) e a série em computação gráfica The Clone Wars, mais nada (Star Wars Rebels é cânone também, desnecessário dizer). E 2015, então, viu um dilúvio de lançamento de quadrinhos – Star Wars, Princesa Leia, Darth Vader, Kanan, o Último Padawan – e também de livros.

Enquanto os lançamentos nos quadrinhos até agora seguiam a linha do Universo Expandido de outrora, a linha Shattered Empire, que também conta com livros, tem o objetivo específico de fazer a ponte entre o final de O Retorno de Jedi e o começo de O Despertar da Força, como o subtítulo “Jornada para Star Wars: O Despertar da Força” deixa evidente. E Greg Rucka escreve de maneira a não deixar dúvidas ao leitor: a ação começa não após O Retorno de Jedi, mas durante a batalha final que leva à destruição da segunda Estrela da Morte.

Mas como fazer isso sem repetir a história que todos conhecem?

A saída do autor pode não ser original, mas é bem executada: ele apresenta os fatos por intermédio de outro ponto de vista. O protagonista não faz parte do grupo óbvio que ele poderia escolher como Han Solo, Luke Skywalker ou Leia Organa. Ele cria uma nova personagem, a tenente Shara Bey, excelente piloto de A-Wing que participa ativamente do ataque à Estrela da Morte II e é por seu olhar que vemos a ação. Sim, Luke está lá (mas não aparece), assim como Lando Calrissian e Han Solo (esses aparecem), mas eles apenas compõem o cenário, por assim dizer. O importante é entendermos quem é Shara e sua paixão pelo marido Kes Dameron, soldado rebelde da equipe Pathfinder, que trabalhou na lua de Endor sob comando de Solo.

Mas Rucka não tem pressa. Ele apenas estabelece os personagens. A ação fica por conta da batalha inicial, que divertirá os leitores pelas várias referências ao filme e um pouco ao final, em uma segunda missão. Mais nada. O resto é, única e exclusivamente escrito para construir Shara e seu relacionamento com Kes. Eles formam um casal convincente, que faz sentido e, considerando que o sobrenome de um dos personagens de O Despertar da Força é também Dameron, a ligação com o que será visto “30 anos depois” no próximo filme já fica evidente.

A arte ficou ao encargo de Marco Checchetto e, em poucas palavras, ele arrebenta. Seus combates aéreos são de tirar o fôlego, com detalhes da tecnologia “velha” desse universo saltando aos olhos, assim como a proximidade que ele nos coloca da ação. Ele tem o comado dos quadros e, sem inventar muito, cria tensão onde simplesmente sabemos que ela não existe (por conhecemos o final de O Retorno de Jedi). Shara já ganha contornos de heroína sem nem mesmo lermos os balões de Rucka, por sua postura, por seu rosto retesado que ganha traços simples, mas fortes. Mesmo em momentos parados na lua de Endor, Chechetto acerta o tom e expande o texto de Rucka.

As cores, por Andres Mossa, por sua vez, são frias demais. A paleta escolhida pelo colorista faz sentido na batalha espacial, mas perde um pouco a razão de ser na festa na lua. Sim, talvez seja um pouco da personalidade fria e calculista de Shara sendo refletida nas cores, mas ela, ali, tem seu momento mais terno e talvez Mossa pudesse ter esquentado o ambiente. Mas não é nada que prejudique o resultado final.

O primeiro número da minissérie (de quatro) começa bem e gera curiosidade naqueles que não estiverem esperando ação desenfreada. Shara Bey já nasce nesse novo Universo Expandido com personalidade fascinante e definitivamente fica um gosto de quero mais. Resta saber se Rucka saberá levar a história a um desfecho digno.

Star Wars: Shattered Empire # 1 (Journey to Star Wars: The Force Awakens) – EUA, 2015
Roteiro: Greg Rucka
Arte: Marco Checchetto
Cores: Andres Mossa
Letras: VC’s Joe Caramagna
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 9 de setembro de 2015
Editora (no Brasil): não publicado na data da presente postagem
Páginas: 20

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.