Crítica | Star Wars: Império Despedaçado #2 a #4 (Jornada para Star Wars: O Despertar da Força)

estrelas 4

Espaço: Destroyer Estrelar Torment na Orla Exterior, Cawa City em Sterdic IV, Comando da Frota Rebelde, Theed, em Naboo, órbita de Naboo, The Wretch of Tayron na Orla Exterior, Base Imperial em Vetine, Yavin-4
Tempo: A Rebelião – Quatro anos após a Batalha de Yavin e um ano após os eventos de O Império Contra-Ataca (4 d.B.Y)

A crítica de Star Wars: Shattered Empire #1 o leitor encontrará aqui. Resumidamente, porém, o número inaugural apresentou a Tenente Shara Bey e seu marido Sargento Kes Dameron, a primeira uma exímia piloto rebelde e o segundo um soldado da força especial rebelde Pathfinder. A ação se passou, toda ela, na órbita e na lua de Endor, ao final do ataque rebelde à Estrela da Morte II e imediatamente após a derrocada do Império, em que os dois auxiliam Han Solo a lidar com um destacamento imperial ainda na ativa.

Logo depois desse número, sabendo que a minissérie teria, apenas, quatro números, confesso que cocei a cabeça para entender exatamente como o arco seria fechado em tão pouco tempo e como esta história, como anunciado, faria a ponte entre O Retorno de Jedi e O Despertar da Força. A grande verdade, tendo acabado de ler o trabalho de Greg Rucka, é que Shattered Empire não é exatamente nem uma ponte entre filmes nem uma minissérie propriamente dita. Mas, isso, por incrível que pareça, não é ruim.

Em linhas gerais, os quatro números servem para estabelecer, quase que exclusivamente, que o Imperador tinha planos de contingência – Operação Cinder (ou Cinzas) – para o caso de sua derrota, planos esses que têm como objetivo manter a vitória rebelde em xeque e permitir uma certa continuidade fragmentada ao Império (daí o nome em inglês Shattered Empire). Com isso, o trailer mais recente de Star Wars: O Despertar da Força começa a fazer pleno sentido, já que ele indica que a luta continua e que os atos heroicos de Luke Skywalker, Leia Organa, Han Solo, Chewbacca e demais não são muito mais do que lembranças turvas de um passado envolto em lendas. É uma jogada ao mesmo tempo arriscada e inteligente. Arriscada, pois pode enfurecer fãs de longa data se tudo o que foi visto da Trilogia Original for largado de lado e inteligente, pois parte de “tábula rasa”, quase rebootando a saga (e devo confessar que reluto muito em usar essa palavra aqui, mas J.J. Abrams ao menos já provou, em Star Trek, que sabe fazer isso sem apagar o passado, portanto…), e, no processo, permite que novos fãs mergulhem no novo filme sem a necessidade de um conhecimento profundo da mitologia estabelecida.

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As capas de Shattered Empire #2, 3 e 4.

Mas Shattered Empire não vai muito além de começar a estabelecer esse aspecto, não servindo de ponte efetiva para o vindouro filme e sim como uma explicação de como as coisas passaram a funcionar depois do “fim” do Império. Também não é completamente correto afirmar que esta é uma minissérie nos moldes tradicionais, já que cada número – ou quase isso – funciona de maneira independente, mais ou menos como team-ups de heróis Marvel. Shara Bey junta-se a Han Solo no primeiro número, mas, no segundo, é a vez de ela juntar-se a Leia, continuando no terceiro, que também foca em Kes sob o comando de Han Solo. Finalmente, no quarto e provavelmente mais importante número, Bey serve de piloto de Luke Skywalker em uma missão mais do que secreta. Cada narrativa é estanque, com começo, meio e fim e tem como elemento coesivo apenas a presença de Bey e seu desejo de ter uma vida tranquila com Dameron e seu filho Poe, personagem que já veremos adulto em O Despertar da Força, sendo vivido por Oscar Isaac.

Deixe-me então, sem spoilers, abordar brevemente cada um dos números:

No #2, é estabelecida, logo no início, a existência do tal plano de contingência do Imperador, com a chegada de um emissário com uma mensagem do próprio Palpatine ao Capitão Lerr Duvat, do Destroyer Estrelar Torment, iniciando a Operação Cinder. Fica desde logo evidente que a morte do Imperador, apesar de ser de conhecimento dos oficiais do Império, ainda não é algo estabelecido como verdade absoluta, com o próprio Duvat endurecendo com o Tenente Gulin, que afirma que Palpatine morreu. Duvat diz que é traição repetir a propagando rebelde. Nada como um pouco de desinformação para manter a chama acesa, não é mesmo?

A isso, segue-se um intervalo em que vemos mais uma missão de Shara Bey e o objetivo de Rucka é estabelecê-la como uma incansável oficial que deseja mais do que tudo voltar para seu filho, que não vê há muito tempo. Mas o destino não é gentil com ela, pois ela acaba sendo designada como piloto da Princesa Leia, que é comandada por Mon Mothma a fazer uma visita diplomática a Naboo. O problema é que a Operação Cinder começa justamente por lá, em um cliffhanger típico de série de TV.

No #3, a história em Naboo continua, com Shara Bey mostrando seu valor ao enfrentar o Império ao lado de Leia e a rainha do planeta que é uma das poucas treinadas como piloto. Há um tom nostálgico na narrativa, com a volta ao mesmo hangar onde começou a luta de Qui-Gon e Obi-Wan contra Darth Maul em A Ameaça Fantasma. Paralelamente, vemos Han Solo e seu grupo – incluindo Kes – descobrindo justamente a existência da Operação Cinder em um ataque a uma base imperial na Orla Exterior.

Finalente, no #4, vemos Bey acompanhar Luke Skywalker em uma missão secreta em uma base imperial científica com um objetivo muito claro que não revelarei aqui para não dar potenciais spoilers sobre O Despertar da Força. Basta dizer que é uma missão particular de Luke, com um objetivo bem específico, mas que ninguém, mesmo o mais inveterado fá adivinhará e que, quando ele descobrir, deixará dúvidas sobre o caminho que a história caminhará no filme (se quiserem saber o que é, continuem lendo depois da “Orla de Spoilers” mais abaixo.

De toda maneira, todas as quatros histórias, dadas suas naturezas, são fáceis e rápidas de ler, deixando claro que a vitória rebelde talvez tenha sido a proverbial “vitória de Pirro”, que trouxe enormes sacrifícios aos Rebeldes sem que eles consigam colher os frutos. Rucka sabe passar as informações cirúrgicas e bastante limitadas – uma imposição da Lucasfilm/Disney, claro – que aguçam a curiosidade do leitor. A introdução de Shara Bey como fio condutor funciona bem, com uma visão “de fora” do núcleo principal de personagens, além de fazer uma ponte direta com O Despertar da Força com seu filho que nem mesmo aparece.

A arte, fundamentalmente de Marco Checchetto, tem um ar de mangá, mas sem exagerar nas feições. Ele sabe trabalhar grandes tomadas em plano aberto, ainda que não seja particularmente ousado na diagramação de quadros. O ponto negativo fica mesmo por conta das cores digitais de Andres Mossa que não funcionam em explosões e em momentos de muita ação. Não é nada sério, mas às vezes ele peca por chamar muita atenção para si mesmo.

Começo da Orla de Spoilers

No quarto número de Shattered Empire, a missão secreta de Luke Skywalker consiste em tirar das mãos do Império duas mudas da árvore que crescia no coração do Templo Jedi em Coruscant, sob a desculpa de que “a força está com elas”. Nunca ouviu falar dessa árvore no Templo Jedi? Nem eu e nem ninguém. Ela foi inventada especificamente para esta história e meu grande receio é que as mudas tenham relevância narrativa exagerada em O Despertar da Força.

Seriam as mudas uma espécie de “agregador” de Força, algo capaz de absorver esse poder místico, mantendo-o vivo e concentrado? Será que é possível usar esse poder? O que raios as mudas significarão para o despertar da Força, se levarmos o título do próximo filme de maneira literal?

Além disso, enquanto Luke permanece com uma das mudas com objetivo incerto e não sabido, ele dá outra para Shara Bey, com instrução de plantá-la em seu lar (Yavin-4, por sinal). Será que seu filho Poe, que provavelmente terá crescido à sombra da “árvore Jedi” (Groot!) ganhará poderes em razão disso? Se ganhar, será que isso não depõe contra a Força ser algo inato e não absorvido?

Perguntas demais, respostas de menos. Continuo com receio de que os papeis das árvores sejam relevantes, pois elas ganham enorme destaque no último número de Shattered Empire e que isso seja um artifício canhestro para justificar certas escolhas narrativas no novo filme.

Fim da Orla de Spoilers 

Star Wars: Shattered Empire # 2 a #4 (Journey to Star Wars: The Force Awakens) – EUA, 2015
Roteiro: Greg Rucka
Arte: Marco Checchetto, Angel Unzueta, Emilio Laiso
Cores: Andres Mossa
Letras: VC’s Joe Caramagna
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 07 de outubro de 2015 (#2), 14 de outubro de 2015 (#3), 21 de outubro de 2015 (#4)
Editora (no Brasil): não publicado na data da presente postagem
Páginas: 20

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.