Crítica | Star Wars: The Old Republic

estrelas 4

Espaço: Diversos planetas
Tempo: 3643-3632 anos antes da Batalha de Yavin.

Lembro-me muito bem de quando os primeiros trailers de The Old Republic foram liberados. Na forma de custscenes apresentando o básico da história do game e as duas facções das quais podemos fazer parte, esses vídeos rapidamente conquistaram os fãs da franquia, nos mostrando lutas de sabre de luz que deixam Darth Maul parecendo aquele menino gordinho com a espada de brincadeira. Quando o jogo foi lançado, porém, muitos ficaram decepcionados com a jogabilidade, que funciona como os dois Knights of the Old Republic, porém de forma mais ágil. Mas estamos falando de um mmorpg e esperar algo muito diferente desse formato seria pura ingenuidade. Felizmente, quando dado uma chance, The Old Republic fica longe de deixar na mãos os apreciadores de Star Wars.

A trama se passa aproximadamente mil anos após a guerra civil Jedi, que tinha Darth Revan como o centro da narrativa, como vimos em KOTOR. Com o retorno dos Sith do espaço profundo, a galáxia novamente entra em conflito, ao passo que o Império liderado por essas figuras do Lado Negro começam a atacar os planetas controlados pela República. Mais uma vez os Jedi são forçados a lutarem. Nosso personagem tem sua jornada iniciada anos após o início da guerra, em um frágil momento de cessar-fogo, com um tratado de paz em vigor. O cenário, porém, está longe de ser pacífico, estamos no meio de uma guerra fria com ambos os lados agindo por baixo dos panos, esperando que as agressões abertas continuem.

Como qualquer game do gênero, iniciamos na criação de personagens e aqui já escolhemos que lado iremos fazer parte, a República ou o Império Sith. Em seguida definimos nossa classe inicial, com cada facção contando com quatro. Do lado dos “bonzinhos” temos: Jedi Knight, Jedi Consular, Trooper e Smuggler. Na facção oposta elas se dividem em: Sith Warrior, Sith Inquisitor, Imperial Agent e Bounty Hunter. Dentro de cada uma podemos escolher diferentes raças do universo de Star Wars, que vão desde os Twi’leks até os Miraluka.

A criação de personagens determina muito mais que simplesmente nossas habilidades e aparência. Ao contrário da grande maioria dos mmorpgs, The Old Republic conta com oito extensas histórias de classe diferentes. Cada uma delas nos oferece novas escolhas, diálogos e desfechos. Para alguém que não se interessa por jogos do estilo, o game pode ser encarado puramente através de sua história, que é tão bem-escrita quanto a de ambos os Knights of the Old Republic e nos suga direto para essa galáxia em conflito. É interessante observar como cada uma dessas tramas oferece uma linha narrativa diferenciada – enquanto o Agente Imperial, por exemplo, nos traz uma história similar a filmes de espionagem, o Cavaleiro Jedi nos entrega algo mais similar com os filmes da franquia.

Dito isso, o velho sistema de luz x escuridão retorna aqui e, nos diálogos podemos escolher opções que definem o caráter de nosso personagem. A Bioware não poupou esforços para nos deixar à vontade e mesmo se escolhermos um Jedi podemos caminhar pelo Lado Negro, o mesmo funciona para o outro lado do tabuleiro. De fato, estamos lidando com um game que soa como a continuação de KOTOR II, visto que muito desse jogo foi herdado pelo aqui em questão. Os desenvolvedores ainda inserem inúmeras menções aos acontecimentos dos dois Knights of the Old Republic, com citações diretas a personagens como Bastilla ou Revan.

Em termos de jogabilidade o game segue um estilo similar ao de World of Warcraft, porém de forma mais dinâmica. A cada nível ganhamos novas habilidades e essas devem ser usadas em combate ao clicar sobre os ícones de cada uma. Através de inúmeros updates ao longo dos anos, o jogo se tornou incrivelmente mais diversificado, nos permitindo criar diferentes builds que melhor se encaixam com nossas preferências. A simples presença de uma classe avançada define bem isso e cada uma conta com uma diferente árvore de skills que podemos customizar em determinados níveis, isso sem falar, é claro, dos equipamentos que adquirimos ao longo do jogo.

Outro ponto alto de The Old Republic é a forma como podemos customizar a aparência de nosso personagem. Com inúmeras roupas que podemos adquirir seja comprando de outros personagens ou do Cartel Market, que requer um investimento com dinheiro de verdade, temos a possibilidade de deixar nossa criação do jeito que queremos. Isso, porém, é melhor aproveitado por aqueles que optam por pagar a mensalidade opcional do game, visto que conseguimos essas moedas especiais mensalmente, contanto que a assinatura seja mantida.

E já que entramos nesse ponto: vale a pena pagar por The Old Republic? Se você gostou dos dois Knights of the Old Republic definitivamente sim, caso contrário é melhor passar longe. Ao se tornar um assinante a quantidade de experiência recebida é aumentada, além de desbloquear inúmeros benefícios, que vão desde um maior inventário até mais slots de criação de personagem. Isso tudo pode ser contornado com a compra de itens específicos do Cartel Market, mas, em questão de custo-benefício, o melhor é realmente pagar a mensalidade, que, infelizmente, varia de acordo com o preço do dólar.

Como free-to-play o game ainda pode ser apreciado, é claro, contanto que o jogador não se importe muito com as limitações impostas. Aqui entramos em um dos aspectos negativos do game: os preços para desbloquear determinados benefícios dentro do jogo, com o dinheiro in-game mesmo é exorbitantemente elevado, alguns passando da marca de um milhão. Isso acaba prejudicando os próprios assinantes, que são forçados a utilizarem métodos de farming de créditos (o dinheiro do jogo) para conseguir certos desbloqueios. Algo mais relativo à história poderia ser implementado, da mesma forma como funcionam os diferentes achievements dentro do game.

Felizmente isso pode ser contornado simplesmente através de uma jogabilidade mais social dentro do mmorpg. A interação com outros jogadores é extremamente encorajada, com guilds chegando a proporcionar mais experiência para aqueles que fazem parte dela. Além disso, as missões que oferecem mais tesouros só podem ser realizadas em grupo e pedem um grau de estratégia maior, contando com uma dificuldade bem mais elevada. Essas heroic missions ou flashpoints, como são chamadas, se configuram como um dos maiores atrativos do jogo e cada uma delas ainda conta com sua parcela de história própria, mais uma motivação para investirmos nesse lado do game.

Depois de jogar horas e mais horas de The Old Republic certamente posso constar que esse é um game que não deve ser deixado de lado pelos fãs de Star Wars. Com constantes expansões que apenas aumentam a quantidade de história presente no jogo, temos aqui um mmorpg com um roteiro invejável, que nos mergulha nessa guerra entre a República e o Império Sith. Embora seja melhor aproveitado por quem assina, ele pode ser experimentado por todos e muito provavelmente, aqueles que não desejam pagar, irão acabar mudando de ideia após algumas horas de jogo. Mas se lembrem que as custscenes vistas nos trailers não refletem a verdadeira experiência do jogo – mas isso podemos falar sobre 90% dos games que vemos por aí.

Star Wars: The Old Republic
Desenvolvedor: 
Bioware
Lançamento:
20 de dezembro de 2011
Gênero:
MMORPG
Disponível para:
PC

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.