Crítica | Star Wars: Thrawn, de Timothy Zahn

estrelas 4

Espaço: Coruscant, Lothal
Tempo: Império, entre os acontecimentos dos Episódios III e IV.

Com toda a certeza a Disney vem sendo muito cuidadosa ao lidar com sua nova galinha dos ovos de ouro, Star Wars. Sua atitude mais drástica foi tomada logo após a compra da Lucasfilm, quando ela decidiu separar o antigo universo expandido da saga, tornando-o não válido, retirando vários personagens amados pelos fãs do cânone do universo.

Thrawn foi um dos personagens que mais causou revolta. Desde sua primeira aparição, no livro Herdeiro do Império, o Chiss vem ganhando novos admiradores, ultrapassando o status de coadjuvante e ganhando protagonismo em suas histórias. Era óbvio que a Disney não iria ignorá-lo, então, na terceira temporada da série animada, Star Wars Rebels, Thrawn ganhou a sua maior batalha e passou a ser parte do cânone da saga.

A equipe liderada por Dave Filoni tinha um grande desafio: criar um personagem que fosse temido, mas que ao mesmo tempo tivesse que “perder” para o grupo protagonista da série. Não seria possível realizar o que foi feito com Darth Vader na segunda temporada, o lorde dos Sith já é conhecido de todos, ele não precisa ser apresentado, já o novo vilão sim. Thrawn é familiar aos fãs mais velhos da franquia, mas não dos novos, então como apresentar um antagonista que é implacável fazendo-o ser derrotado? Felizmente esse desafio foi superado pela equipe, que colocou o antagonista como um personagem que está sempre um passo à frente, fazendo com que a derrota vire parte de um grande plano.

Mas a Disney não estava satisfeita em apenas trazer Thrawn para a série. Em uma manobra inteligentíssima, a casa do Mickey decidiu publicar um novo livro sobre o Chiss e não existe pessoa melhor para cumprir essas tarefa do que o próprio Timothy Zahn, criador do personagem. Aqui vale citar a ótima gestão da Disney, Zahn tinha tudo para não aceitar escrever o livro, por achar errado que sua trilogia tenha sido colocada de lado, porém, ele aceitou. Acredito que a forma com que as negociações foram feitas tenham auxiliado na atitude receptiva do criador.

Timothy já havia escrito a origem do personagem antes e pode-se dizer que ele não foge muito do que foi criado previamente.

O livro começa com uma equipe imperial sendo atacada em um planeta remoto. Todos pensam que o ataque vem dos nativos do local, até que Thrawn se entrega. O chiss explica que está ali porque foi exilado de seu planeta e que atacou o pelotão para chamar a atenção dos superiores. Aqui vale citar a presença de um personagem que será muito importante durante toda a obra: Eli Vanto. Ele é o único que consegue falar a língua do alienígena de pele azul, que, ainda, não domina o idioma padrão.

Os imperiais ficam admirados com a habilidade e tática do chiss e decidem apresentá-lo ao Imperador. Aqui vemos um dos diálogos mais interessantes do livro, ver dois dos seres mais ambiciosos e inteligentes da galáxia conversando é o mesmo que assistir uma grande batalha. Timothy consegue escrever de forma crível o diálogo de ambos, fazendo com que o leitor aceite o comportamento dos dois.

A seguir vemos o início da trajetória de Thrawn e Eli Vanto, poucas vezes temos a oportunidade de ver a saga pelos olhos de imperiais e, aqui, acompanhamos ambos desde a academia. Logo no início a dupla já sofre preconceito por serem diferentes, um alienígena e o outro de um mundo da Orla Exterior. Isso é logo superado pelo talento do chiss, que pode até incomodar muitos, mas sempre traz resultados.

Não irei me aprofundar na trama, o que direi é que vemos muito o estilo de narrativa de Zahn, uma história que não se apressa em ser contada e uma trama que é costurada aos poucos. Vemos poucas lutas e muitos diálogos , se você prefere, assim como eu, o desenvolvimento por meio de conversas e não pelas batalhas, esse livro será um prato cheio.

Outra grande sacada do autor foi descrever o que o protagonista está pensando, ou melhor analisando. Em vários momentos vemos frases em itálico que narram a análise que Thrawn faz dos outros personagem. Até a relação com Vanto, que parece enfadonha no começo, se transforma em uma das coisas mais interessantes do livro. A dinâmica que Timothy insere na relação lembra muito a de Sherlock Holmes e Watson, onde temos um ser de intelecto muito superior, sendo amigo de outro que é comum, mas dedicado e acaba aprendendo muito com a amizade.

Nem só de acertos, porém, vive o livro, o escritor gosta de desenvolver outras subtramas que irão se encontrar com a trama principal. Essas, por sua vez, não são muito interessantes, principalmente a de Arihnda Pryce, também recorrente em Rebels, que começa com um ritmo bom, mas ganha um final dantesco demais para tudo aquilo que o autor vinha construindo. Infelizmente essa parte enfadonha ocupa uma boa parte das 446 Páginas do livro.

A escolha do autor não poderia ter sido melhor, o anúncio de que Timothy voltaria a escrever em cima do personagem que criou animou todos os fãs, que no final do livro, foram recompensados. Zahn faz uma trama intrigante, cheia de diálogos e relações interessantes, que ainda consegue complementar muito o universo, principalmente o da série Rebels. Parabéns para a Disney que sabe transformar algo lucrativo e amado, em algo mais profundo e parabéns a Timothy Zahn, que ficou muitos anos sem escrever sobre sua criação, mas parece que nunca deixou de pensar em histórias para o Grão Almirante Thrawn.

Star Wars: Thrawn (Star Wars: Thrawn) — EUA, 2017
Autor: Timothy Zahn
Publicação original: 11 de abril de 2017
Editora original: Del Rey Books
Editora no Brasil: Não lançado no brasil até a data da publicação da crítica
Páginas: 446 páginas

PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".