Crítica | Star Wars: TROOPS

Bad boys, bad boys
What you’re gonna do, what you’re gonna do
When they come for you
– Bad Boys, Inner Circle

Dois curtas dedicados a Star Wars marcaram profundamente a história dos fan films. O primeiro foi Hardware Wars, de 1977, o blockbuster original do gênero, algo que combina perfeitamente com o sucesso de Uma Nova Esperança à época e até hoje. O segundo foi TROOPS, bem mais recente, de 1997, o ano em que George Lucas começou a lançar suas versões “especiais” da amada Trilogia Original  e notabilizou-se por levar o fan film à era digital, ampliando o leque de possibilidades.

Produzido, dirigido e co-escrito por Kevin Rubio, que começara sua carreira na televisão cinco anos antes trabalhando na Fox Kids Network, o curta é, ao mesmo tempo, uma paródia em formato de mockumentary do Episódio IV e de COPS, famoso e longevo documentário serializado americano no ar desde 1989, que segue policiais em suas atividades do dia-a-dia. E, em sua proposta, a obra é uma perfeita amálgama da estética cinematográfica do segundo com o visual do primeiro, com o bônus de funcionar como o preenchimento de momentos importantes do filme que acontecem off camera de uma maneira tão inteligente que é perfeitamente possível – e divertido! – considerar TROOPS como canônico da saga.

Filmado em locação no lago seco El Mirage, na região central e inóspita do deserto de Mojave, na Califórnia, o curta lida com duas missões de uma equipe de Stormtroopers em Tatooine. A primeira investiga Jawas suspeitos de contrabandear androides e, a segunda, aborda (mais) uma briga doméstica entre Owen e Beru Lars. Não são nem cinco minutos para cada historieta, mas a câmera intrusiva de Rubio, emulando a mesma linguagem de COPS funciona perfeitamente bem para dar a aparência documental necessária à obra, imediatamente inserindo-nos naquele contexto em que o enfoque é a partir dos olhos de agentes do Império em um dia comum de trabalho (algo que Rubio faria de novo, só que nos quadrinhos, com Tag & Bink). A humanização dos Troopers de capacete é a chave aqui, fazendo com que eles deixem de ser apenas buchas de canhão e ganhem personalidade mesmo que seus rostos sejam mantido escondidos por todo o tempo.

Ao mesmo tempo, lógico, o diretor e roteirista não deixa de lidar com a violência policial, mas sempre mantendo o tom jocoso e satírico mesmo quando dois Jawas são friamente fuzilados quando tentam fugir da batida. Com isso, Rubio adiciona um pouco de crítica social a seu falso documentário que poderia simplesmente esquivar-se de qualquer subtexto dessa natureza mais controversa, digamos assim.

Particularmente no caso envolvendo Beru e Lars (que têm seu rosto desfocado como acontece com todos os civis em COPS), o trabalho de atuação dos atores debaixo das armaduras brancas é impressionantemente fenomenal, algo que definitivamente não se espera em um fan film. Os tons de voz cansados e irônicos pela rotina insuportável que é separar o casal briguento, sempre intercalados pelo clássico som da estática do sistema de comunicação dos Stormtroopers, permitem que o espectador imagine com exatidão os rostos de cada um dos “policiais”. Podemos “ver” olhos revirando-se, suspiros de incredulidade e falta de paciência e assim por diante. E o mesmo vale para a expressão corporal de cada um, algo que, guardadas as devidas proporções, é comparável ao assombroso trabalho de David Prowse e de Richard Marquand nos momentos finais de O Retorno de Jedi, quando Darth Vader volta a ser Anakin Skywalker, salvando seu filho.

Ajuda muito na imersão imediata a autenticidade das armaduras utilizadas, que são melhores do que as que vemos na Trilogia Prelúdio em termos de detalhes estéticos cuidadosos. Da mesma forma, o uso de CGI “amador” é também muito preciso e jamais intrusivo ou tentando aparecer mais do que deveria. Ele existe e cumpre sua função de ser discreto e funcional, com Rubio muito ciente de suas limitações, algo que vários diretores com orçamento centenas de vezes maior – inclusive George Lucas – aparentemente se recusam a aceitar.

TROOPS é uma excelente paródia de duas obras clássicas, um fan film praticamente perfeito produzido ainda no nascedouro do CGI de fácil acesso a todos. Seria incrível se a Lucasfilm, um dia, encampasse a ideia de Rubio e desenvolvesse o curta em uma série de TV de verdade.

TROOPS (Idem, EUA – 1997)
Direção: Kevin Rubio
Roteiro: Kevin Rubio, Steven Melching, David Hargrove, David McDermott
Elenco: Cameron Clarke, Jess Harnell, Bill Farmer, Eric Hilleary, Caleb Skinner
Duração: 10 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.