Crítica | Star Wars: Um Novo Amanhecer

estrelas 4

Espaço: Sistema Calcoraan, Sistema Gorse, Wor Tandell
Tempo: Império Galáctico, seis anos antes dos acontecimentos de Star Wars Rebels. Onze anos antes dos acontecimentos de Star Wars: Uma Nova Esperança.

Star Wars: Um Novo Amanhecer tem um nome perfeito, não apenas pela trama que John Jackson Miller cria, mas também pela sua tentativa em emular o título do quarto filme da franquia, Uma Nova Esperança. Pode-se dizer que o livro é a transição do antigo canon para o novo (feito pela Disney). Ele foi a primeira obra dessa nova linha a ser lançada, e assim como o querido Episódio IV, o romance inaugura e abre novos horizontes para toda a Saga.

John Jackson Miller faz um prefácio brilhante, lemos à respeito de uma aula dada na antiga ordem jedi pelo já amado Obi-Wan Kenobi. O mestre ensina aos jovens padawans como realizar uma chamada para que todos os jedis voltem para casa, então o futuro eremita é interrompido por um pequeno aprendiz, chamado Caleb Dume, que comenta: e se nós não tivermos casa para voltar?

O livro foi lançado um mês antes da série animada Star Wars Rebels, mas está cronologicamente situado seis anos antes do começo da animação. Aqui acompanhamos a jornada de Kanan Jarrus, que antes de ter esse nome era Caleb Dume, um padawan que não teve tempo de virar Jedi. Devido à ordem 66, Caleb viu sua guia na Força morrer nas mãos de seus aliados, desde então o menino vaga sozinho, evitando ser notado e escondendo tudo aquilo que um dia aprendeu.

Agora mais velho Kanan mora no planeta Gorse, um local que tem como joia principal sua lua, Cynda, cujo terreno é muito rico no mineral torilídio, dessa forma, toda a economia do planeta está baseada nesse mineral. O Império utiliza-o em seus Star Destroyers, nas torres de sustentação dos Turbo Lasers.

Tudo parecia tranquilo até que uma inspeção Imperial causa uma confusão, colocando a vida de Kanan em risco e obrigando-o a usar sua antiga aliada, a Força. Com o seu disfarce em perigo, o menino decide ir embora de Gorse, porém o planeta atraiu muita atenção do Império, e a fim de aumentar produção de torilídio, Palpatine envia Denetrius Vidian, um grande aliado da causa que é mais máquina do que homem.

No meio de toda essa confusão temos um grande encontro, em uma noite Kanan Jarrus se depara com Hera Syndulla, uma piloto Twi’lek que luta contra o mal da galáxia, a alienígena de pele verde está em Gorse para colher algumas informações sobre seu inimigo, no meio de tudo isso a honrada piloto conhece o Jedi não tão honrado assim.

Com toda a certeza o casal é o melhor do livro, por mais que Kanan tenha os princípios da ordem dentro dele, o menino nega tudo o que viveu, e em vez de se preocupar com o todo, se preocupa apenas consigo. Já Hera é o oposto, querendo lutar contra o Império a Twi’lek não gosta do humano pois o vê como alguém individualista. Jarrus se apaixona por Syndulla na primeira vez que os dois se encontram, então vemos o galã jogar seu charme durante todo o livro.

É impossível não lembrar de Han e Leia, John Jackson Miller escreve muito bem toda as brigas entre o casal, são frequentes as risadas quando se está lendo essa parte do livro. Mas nem só de Kanan e Hera vive Um Novo Amanhecer, o livro nos entrega muitos outros bons personagens. No lado do Império temos o já citado Denetrius Vidian, um ciborgue que é implacável em seus objetivos, ele faz de tudo para chegar cada vez mais perto do trono do Imperador. Vemos também a agente Rae Sloane, uma mulher que quer galgar os postos mais altos no escalão do regime.

Para ajudar o lado bom, temos Zaluna uma supervisora que passou sua vida toda observando pelas câmeras o comportamento dos habitantes de Gorse. Cansada de toda essa vigilância, a Sullustan decide se juntar com Hera e entregar algumas informações imperiais. Não se pode esquecer de Skelly, um companheiro de trabalho de Kanan que é tido como maluco, pois anuncia que uma tragédia esta chegando na machucada lua.

Miller já tinha se mostrado muito talentoso em desenvolver a história por meio dos personagens no excelente Kenobi. Em Um Novo Amanhecer o autor repete a dose, ele sabe elaborar muito bem todos os personagens, mesmo não revelando muito do passado deles. Os livros de John podem ser um pouco difíceis de se iniciar a leitura, talvez seja até por isso que o autor coloca Kenobi logo no começo, porém no segundo ato da história, o leitor se vê muito envolvido com toda a trama.

O único demérito do livro é seu final, com muitas explosões e reviravoltas, parece que autor não queria, ou não sabia, como dar um bom final para a história. Com grandes exageros em suas últimas páginas, o novel perde um pouco de seu ritmo. Escrevo isso pois acho que o que foi construído à base de diálogo não deve ser concluído à base de explosão, porém, se você é amante de ação, não se incomodará com a última parte do livro.

O final não causa grande dano no romance, ao final vemos uma trama muito interessante, que abre muitas portas e nos faz amar o casal Kanan e Hera. Um Novo Amanhecer começa muito bem a nova fase da saga, o livro deixa o terreno pronto par a chegada de Star Wars Rebels. Deve-se admitir, a Disney e a Lucasfilm sabem lidar muito bem com toda essa galáxia muito, muito distante.

Star Wars: A New Dawn (Star Wars: Um Novo Amanhecer) — EUA, 2014
Autor: John Jackson Miller
Tradução para o português: Caco Ishak
Publicação original: 2014
Editora original: Del Rey Books
Editoras no Brasil: Editora Aleph
Páginas: 420 (aprox.)

PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".