Crítica | Starwoids

Apesar de sempre ter sido um apreciador do universo de Star Wars, jamais pensaria em esperar mais do que meia hora em uma fila para comprar um ingresso ou para entrar em alguma sala de cinema. Starwoids (o título é uma tentativa de se criar um nome bacana para os fãs da série como é o caso de Trekkers, mas que nunca funcionou de verdade) é sobre fãs tão obcecados em serem o primeiros a assistir A Ameaça Fantasmaque eles acamparam não por horas ou dias na frente do famoso Chinese Theatre, em Hollywood, mas por semanas.

Sim, semanas. E para ver um filme que estaria disponível por diversas semanas para a frente. Confesso que, se uma parte de mim admira esse tipo de tenacidade, outra a enquadra como algo pouco saudável, o que é claramente um eufemismo que uso só para ser simpático com quem eventualmente tenha feito sandice semelhante.

De toda maneira, obviamente, o documentário de Dennis Przywara é uma ode de fãs para os fãs da franquia feita em uma época em que o frenesi por um novo filme da série estava em seu auge, lembrando que O Retorno de Jedi havia sido lançado no então já longínquo ano de 1983. Portanto, havia uma enorme – gigantesca, quiçá incomensurável – demanda reprimida por mais Jedi, Sith e sabre de luz coloridos, além de nomes estranhos e bichos esquisitos. Mesmo provando-se uma obra péssima em todos os sentidos, pode-se dizer que A Ameaça Fantasma foi um marco na franquia assim como fora o filme de 1977.

O documentário, portanto, reúne diversas filmagens feitas com câmeras portáteis durante os 42 dias seguidos que marcaram o começo da fila organizada pelo site countingdown.com até o dia do lançamento do filme. De alguns gatos pingados no começo, a coisa vai tomando uma proporção mastodôntica e que ganha sofisticação, desde uma forma de se estabelecer o lugar na fila, até quanto tempo cada um tinha que ficar para não perder o lugar, evitando que “substitutos” fossem usados, passando, claro, pelas eternas rivalidades entre grupos. Entremeando o documentário, Przywara também aborda a montagem teatral amadora de um musical baseado em Star Wars, um colecionador de tudo que existe da franquia e diversas outras curiosidades para evitar que a obra caia na repetição e mesmice, algo que ele consegue apenas em parte.

Afinal, a curiosidade inicial de se ver gente esperando em fila por quase um mês e meio antes do lançamento de um filme logo se esvai como uma curiosidade momentânea. Mesmo os fãs mais apegados à obra de George Lucas têm que reconhecer quando a coisa ultrapassa o nível do razoável, algo que Starwoids ultrapassa em sua primeira meia hora. Simplesmente não havia material para mais do que isso e as questões paralelas são forçadas e pouco orgânicas dentro da proposta inicial, parecendo justamente o que elas são: maneiras de se estender a duração para algo mais longo que um curta metragem. Mesmo considerando que  Przywara conseguiu a narração introdutória de ninguém menos do que o fã-que-virou-diretor-de-verdade Kevin Smith, isso não é suficiente para sustentar a narrativa que logo começa a cansar e a entrar em um loop de repetição.

Starwoids é uma curiosidade, sem dúvida. Mas, mais do que isso, é um lembrete que muito de alguma coisa normalmente é demais. Assim como 80 minutos de documentário é mais do que o assunto merecia, 42 dias em uma fila para absolutamente qualquer coisa é, provavelmente, 41 dias e 22 horas a mais do que o razoável.

Starwoids (Idem, EUA – 2001)
Direção: Dennis Przywara
Roteiro: Dennis Przywara
Com: Daniel Alter, Phil Brown, Cecil Castellucci, Scott Chernoff, Michael Doherty, Peter Genovese, Katie Horn, Guy Klender, Roberty Meyer Burnett, Kevin Smith, Lance Swartout, Hal Wamsley
Duração: 80 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.