Crítica | Stop (2015)

estrelas 0,5

Seguindo a polêmica causada pelo seu Pietà, de 2012, o diretor sul-coreano Kim Ki-Duk trouxe ao mundo o literalmente doloroso Moebius, em 2013 e o menos interessante, mas ainda mediano, Dente por Dente, em 2014. Em uma queda visível de qualidade, 2015 traz Stop, filme que chega a ser amador, praticamente irreconhecível como sendo do diretor.

A história teria enorme potencial nas mãos de um diretor como ele, que não foge de polêmicas, mas, no lugar de mergulhar no assunto, o que o roteiro passa a fazer é trabalhar a situação da maneira mais simplória possível, reduzindo um assunto potencialmente sério e com ramificações tenebrosas a uma gritaria sem fim com um final para lá de bobo. Que história é essa? Bem, Kim Ki-Duk volta um pouquinho no tempo, para o dia do acidente nuclear em Fukushima, no Japão, em 2011, depois de um terremoto seguido de um tsunami. Vemos um casal que mora a apenas cinco quilômetros da usina nuclear tendo que ser evacuado do local em razão do risco radioativo. No entanto, Miki (Natsuko Hori) está grávida. Será que seu bebê foi atingido pela radiação?

Ao longo de semanas, acompanhamos o casal que se muda para Tóquio e é perseguido por um representante do governo (apenas uma suposição minha, pois isto não fica exatamente claro) que quer forçar Miki a abortar. Ela realmente acha que deve, mas seu marido Sabu (Tsubasa Nakae) é totalmente contra, voltando várias vezes à sua casa para fotografar a natureza local e comprovar que tudo está normal. A paranoia se instala nos dois, porém, e a narrativa vai em um crescendo histérico que berra aos quatro ventos os males do consumo irresponsável de energia elétrica.

Tudo isso seria interessante se Kim Ki-Duk ao menos chegasse às vias de fato, quase que reinventando o conceito de Godzilla em um filme mais terreno e pesado como seu Moebius. Mas não. Ele, ao contrário, se esquiva ao máximo de encarar o assunto de cabeça, com uma história que cresce em bobagens – Sabu resolve desligar a energia elétrica de Tóquio! – e se esvazia de qualquer conteúdo aproveitável. O roteiro se perde em gritarias, ataques histéricos e momentos inadvertidamente grotescos que incrivelmente transformam o único momento que era mesmo para ser grotesco em uma farsa.

Mesmo que esqueçamos a história, a fita é eivada de diversos outros problemas sérios. O primeiro deles é a atuação dos protagonistas. Toda a atenção recai neles, pois há apenas mais três coadjuvantes e o tempo de tela de Hori e Nakae deixam às escâncaras o quanto eles são completamente inábeis em seus respectivos papeis. Não convencem como casal amoroso, casal preocupado, casal paranoico, casal histérico e casal destruído em nenhum momento. E, quando vistos separadamente, os atores não tem melhor sorte.

Nada de história. Nada de atuação. Quem dera que a coisa parasse só aí. Mas a montagem, feita pelo próprio diretor-roteirista, talvez seja a verdadeira culpada pela aparência amadora da fita. Há cortes equivocados, reaproveitamento de tomadas e de imagens e uma costura feia, que agride o espectador da maneira errada. E o mesmo poderia ser dito da fotografia (sim, você adivinhou, também de Kim Ki-Duk) que tenta um tom documental somente para resultar em imagens lavadas, claramente feitas em câmeras digitais de qualidade duvidosa que não serviriam nem para um filme de baixo orçamento para a TV.

O assunto sério que Kim Ki-Duk tenta abordar vira um pastiche completo em suas mãos. Uma pena ele ter simplificado tanto algo que poderia dar bons frutos, especialmente com seu estilo cru de filmar.

Stop (Seu-Top, Japão/Coréia do Sul – 2015)
Direção: Kim Ki-Duk
Roteiro: Kim Ki-Duk
Elenco: Natsuko Hori, Tsubasa Nakae, Mitsuhiro Takeda, Daigo Tashiro
Duração: 85 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.