Crítica | Strange Tales #180 [Primeira Aparição de Gamora]

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estrelas 3,5

Adam Warlock é um dos personagens mais fascinantes de todo o panteão de super-heróis Marvel. Criado por Stan Lee e Jack Kirby como uma figura de Cristo e surgindo pela primeira vez apenas em forma de casulo na revista Quarteto Fantástico #66, de setembro de 1967 e em forma já humanoide, chamado apenas de “Ele”, no número seguinte, Warlock é, como se pode esperar, um personagem trágico e que, ao longo de décadas, já sofreu muitas mortes, tendo que enfrentar Thanos diversas vezes, além de Magus que nada mais é do que ele próprio, só que no futuro, uma espécie de versão do “lado negro” de si próprio.

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Não, a Gamora não é nenhum desses dois…

Mas é Jim Starlin que faz de Adam Warlock o que ele é hoje, trazendo-o para aventurais mais cósmicas e entregando-lhe um fardo pesadíssimo para carregar. Com isso, Warlock ganha a joia da alma, uma das joias do infinito, que ele passa a carregar em sua testa. E o já citado Magus é criado. E é no meio da narrativa em que Warlock caça Magus, peregrinando por todas as “filiais” da Igreja Universal da Verdade (que idolatra sua versão do futuro) e que traz um novo e duradouro uniforme para o galante anti-herói de pele dourada, que encontramos Warlock em Strange Tales #180.

Trata-se de Parte II do chamado “Julgamento de Adam Warlock”, em que ele é inserido em um kafkiana e bizarra situação em que é julgado por um tribunal comandado por Kray-Tor. Mas é um tribunal extremamente parcial e que o próprio Kray-Tor afirma que é. Mas Kray-Tor acredita de verdade na lisura desse tipo de procedimento e prossegue apesar das argumentações lógicas de Warlock no sentido de que ele, sendo a versão do presente de Magus e sendo Magus quem comanda espiritualmente o julgamento, que Warlock não poderia ser julgado por ele mesmo (bom advogado esse Adam Warlock, não?).

Mas não tem jeito. Warlock não tem saída que não seja usar o poder da joia da alma e que ele ainda mal controla e, na verdade, receia tremendamente em usar, para absorver a alma de Kray-Tor. Com isso, seu sentimento de culpa aumenta ainda mais, pois ele, em número anterior, já havia absorvido a alma de Autolycus, um Cavaleiro Sombrio da Igreja Universal da Verdade e aprendido que essa absorção o faz capturar toda a vida da vítima para dentro de sua própria vida. Vale um parêntese aqui: a versão do século XXXI de Autolycus, na Terra-691, é o Espírito da Vingança, do grupo spin-off dos Guardiões da Galáxia conhecido como Galactic Guardians.

É claro que todo o julgamento é apenas uma cortina de fumaça para que a Matriarca, uma das comandantes da Igreja, domine Warlock e faça uso da joia do infinito conforme os números subsequentes mostram. O importante é que, durante esse entrevero, o companheiro de Warlock, Pip, encontra, em um bar, uma misteriosa e sensual mulher de pele verde, que pergunta por Warlock, afirmando que deseja se juntar a ele caso ela determine que Warlock tem chances de derrotar Magus, caso contrário ela o matará. Apesar de permanecer sem nome nesse número, estamos diante da primeira aparição de Gamora (conforme a imagem do destaque dessa crítica), que, mais para a frente, teria papel essencial na vida de Warlock, juntando-se a ele na Guarda do Infinito.

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Poderia ter sido desenhado por Salvador Dalí, não?

A arte de Strange Tales #180, pelas mãos de Starlin, é densa e quase gótica, com uma arquitetura planetária escura e entristecida, passando muito bem o que o autor pensa de uma entidade como a Igreja Universal da Verdade. É um trabalho que chama a atenção pelos detalhes e pela diagramação dos quadros, em um esquema 3x3x2 ou 3x1x1 (e variações) muito eficaz.

Um pouco mais sobre Gamora

Integrante atual dos Guardiões da Galáxia e ex-integrante da Guarda do Infinito, Gamora é conhecida como a “Mulher Mais Perigosa do Universo” e tem superforça, velocidade e agilidade, além de ter fator de cura como Wolverine. Surgida em Strange Tales #180, ela nunca ganhou revista própria, mas participou com constância das histórias com Adam Warlock, chegando a ter romance com ele e também com Richard Rider, o Nova.

Gamora, assim como muitos personagens da versão original dos Guardiões da Galáxia, é a última de sua espécie (Zen Whoberi), dizimada pelos Badoon (depois de um retcon da editora). Thanos a encontra ainda criança e a cria como uma arma e sua missão é justamente assassinar Magus. Com um passado pesado, que inclui seu múltiplo estupro quando ainda adolescente, ela teve suas habilidades naturais aumentadas por implantes cibernéticos feitos por Thanos. Na saga Abismo Infinito, a moça acaba vivendo com Warlock em uma dimensão paralela, cuidado de Atleza, uma menina que tem como função manter a realidade intacta. De lá, ela só sai quando a saga Aniquilação começa, o que a leva, finalmente, a se juntar aos Guardiões da Galáxia.

Strange Tales #180 (EUA, junho de 1975)
Roteiro: Sam Jiltrin
Arte: Jim Starlin
Editora: Marvel Comics
Páginas: 31

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.