Crítica | Sukiyaki Western Django

estrelas 3,5

Yojimbo – O Guarda Costas, Por um Punhado de Dólares, O Último Matador e Sukiyaki Western Django. O que esses filmes têm em comum?

Simples: o primeiro é o pai dos demais. Yojimbo, do mestre Akira Kurosawa, está entre um dos melhores filmes já feitos. Pode-se dizer que esse filme, sozinho, deu origem ao Western Spaghetti de Sergio Leone e tantos outros. Por um Punhado de Dólares é basicamente Yojimbo passado no velho oeste americano (ou seria italiano???) com cowboys no lugar de samurais. O Último Matador é a refilmagem americana mais recente, com a transposição do faroeste para um filme de gangster. As duas refilmagens funcionaram muito bem dentro de suas propostas.

Sukiyaki Western Django é uma espécie de volta às origens, pois é um filme japonês novamente, dessa vez sob a batuta de Takashi Miike, prolífico diretor responsável por 13 Assassinos (outra refilmagem) e Ichi, o Assassino. O filme não transpõe a história para um cenário futurista ou atual como alguns vão deduzir, mas sim volta para o western, em Nevada, nos Estados Unidos mas com cenários que lembram o Japão feudal, com cowboys que são samurais, usando espadas e pistolas, vestidos de túnicas. É uma mistura impressionante e inusitada, com direito até às músicas clássicas de Ennio Morricone.

O filme funciona, apesar da convergência de gêneros? Fico feliz em dizer que sim, funciona muito bem. É estranho, verdade, mas um estranho fascinante, que instiga a imaginação. O filme abre com um história que parece ser separada, estrelada por Quentin Tarantino, com cenários artificiais e banhados em cores fortíssimas. Ao fim dessa história, há um corte para a chegada de um cowboy/samurai solitário e sem nome (qualquer semelhança ao personagem de Clint Eastwood na Trilogia dos Dólares não é mera coincidência) chegando à uma cidade (em Nevada) que, como disse, lembra uma cidade medieval japonesa. Lá, duas gangues dividiram o território, a gangue branca e a gangue vermelha, todas as duas formadas somente por homens. A gangue branca, porém, tem uma solitária mulher com um filho.

Segue uma disputa para saber quem vai ficar com o forasteiro, que, claro, se mostra um excelente pistoleiro. Depois disso, a uma sequência de flasbacks e de flashbacks dentro de flashbacks, todos eles beneficiados por uma montagem eficiente, que evita confusão do espectador, passados sombrios, tiroteios insanos com direito à balas curvadas, uma destruidor gatling gun e malabarismos. E isso sem contar com revelações surpresa e morte atrás de morte até sobrar só um de pé.

E tudo isso com cores primárias fortes que, se não fosse a oportunidade de ver em alta definição, certamente “sangrariam” para fora de seus locais corretos. A fotografia trabalha muito bem os clichês do gênero, extrapolando-os e criando caricaturas deles que comentam os clássicos filmes de faroeste muito mais do que palavras fariam. A direção de Miike é segura, com cadência que não dá guarida ao espectador, com uma firme sequência de cenas de ação bonitas e violentas. No entanto, claro, trata-se de um filme típico de estilo sobre substância, em que o que vemos é muito mais importante do que o que ouvimos. Cada elemento cenográfico, que funde o ocidente com o oriente, cada pose de cada pistoleiro e de cada espadachim está lá com o propósito de deslumbrar e entreter.

Sukiyaki Western Django é uma diversão descompromissada – mas inteligente – que agradará sem muito esforço.

Sukiyaki Western Django (Idem, Japão – 2007)
Direção: Takashi Miike
Roteiro: Takashi Miike, Masa Nakamura
Elenco: Hideaki Itô, Masanobu Andô, Kôichi Satô, Kaori Momoi, Yûsuke Iseya, Renji Ishibashi, Yoshino Kimura, Quentin Tarantino
Duração: 121 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.