Crítica | Super Castlevania IV

estrelas 5,0

A trajetória da franquia Castlevania é bastante peculiar. Embora a Konami, a cada jogo, experimente com novas mecânicas, algumas vezes mudando a fórmula completamente, de tempos em tempos retornamos ao primeiríssimo game da série através de diferentes releituras. Esse é o caso de Super Castlevania IV, que nada mais é que uma versão atualizada do Castlevania original do NES. Isso, contudo, de forma alguma, deve afastar novos ou antigos jogadores, já que praticamente tudo foi mudado, fazendo desse um jogo essencialmente diferente do primeiro, por mais que apresente a mesma premissa (não digo história, pois essa se resume a atravessar as fases e matar Drácula) e protagonista, Simon Belmont.

Antes de mais nada, é importante ressaltar que Super Castlevania IV, como o próprio título já sugere (pessoalmente detesto games que levam parte do nome do console no título), é o primeiro da franquia a ser lançado para o SNES, vulgo Super Nintendo, trazendo consigo, pois, significativas melhorias gráficas e no som. Além disso, vale a nota de que o jogo chegou ao console logo no início de seu tempo de vida (aproximadamente um ano após esse chegar às lojas), o que, em geral, quer dizer que todas capacidades da máquina não foram apropriadamente exploradas. Estamos falando, porém, de uma exceção, já que o jogo se mantém como um dos melhores títulos do icônico videogame.

Logo de início podemos observar esse aspecto através dos gráficos, que, aliás, são praticamente únicos dentro da franquia, com design, em geral, exclusivos das criaturas, apresentando um grau de detalhes impressionante, especialmente para aqueles que pularam do NES para o SNES. Mas isso já era esperado em razão da troca de gerações. O que verdadeiramente nos surpreende é a trilha sonora, cujas melodias emulam diferentes instrumentos, fazendo máximo uso das capacidades sonoras do console.

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A princípio as músicas podem não agradar, visto que não seguem o típico trabalho harmônico neoclassicista de Michiru Yamane, mas rapidamente passamos a apreciar os tons inesperados das composições, principalmente ao escutar faixas como Entrance Hall/ Chandeliers, que trazem consigo o som do órgão e piano, ou a nova versão de Bloody Tears, certamente uma das melhores de toda a franquia. Vale observar o constante uso da percussão, que tão bem define o ritmo dessa aventura, permitindo que o gameplay nos absorva apropriadamente. Caso desejam comparar as composições desse game com a dos anteriores, sugiro que escutam as versões de Vampire Killer e comparem essa trilha com outros jogos lançados na mesma época, como Super Mario World.

Somado ao excelente level design, novamente, um dos melhores de toda a série, não há como não pular de fase em fase. Aliás, temos aqui o primeiro Castlevania a verdadeiramente acertar no grau de dificuldade. Evidente que, para os padrões atuais, o jogo ainda pode ser considerado difícil, mas nada que nos faça jogar o controle na parede, como fora o caso da odiosa fase “Tetris” de Castlevania III: Dracula’s Curse.

Naturalmente que grande parte dessa maior “facilidade” se dá em razão das melhorias na jogabilidade, que incluem novos movimentos de Simon e pequenos detalhes que anteriormente significavam a nossa morte. Dessas alterações é preciso ressaltar a possibilidade de atacar com o chicote para novas direções (para cima e diagonalmente, dispensando, claro, qualquer preocupação com a física), o fato de podermos alterar os movimentos no meio do ar e pularmos para uma escada sem cair, o que antes provara ser uma das mais detestáveis características da franquia.

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É digno de nota, também, como a Konami, em suas experimentações, soube escolher especificamente os pontos positivos de suas produções anteriores. Isso pode ser visto na variedade de cenários que percorremos em Super Castlevania IV, cuja aventura é iniciada em fases externas ao castelo de Dracula, similarmente a Dracula’s Curse, por mais que a não-linearidade desse tenha sido abandonada, como dito antes, esse é essencialmente uma releitura do game original, portanto nada de escolher rotas alternativas. Essa notável variedade tira a repetitividade do gameplay, permitindo que nos engajemos mais com toda a experiência, que pode ser aproveitada em uma tacada só – vale lembrar, porém, que essa obra é consideravelmente mais longa que as anteriores, requerendo, portanto, mais horas de jogo. Essas claro, podem ser parceladas visto que o sistema de password retorna novamente.

Dito isso, fica fácil enxergar o porquê de Super Castlevania IV ser um dos mais queridos aos fãs da franquia. Ele representa um grande passo dentro da série, trazendo melhorias que claramente influenciaram vários de seus sucessores. Com gráficos melhorados, memorável level design, uma trilha sonora única para a série, que faz máximo uso das capacidades do SNES e correções de vários defeitos irritantes dos jogos anteriores, essa obra merece ser jogada por todos que desejam conhecer Castlevania mais a fundo. Certamente um dos grandes jogos do querido Super Nintendo.

Super Castlevania IV
Desenvolvedora:
Konami
Lançamento: 31 de outubro de 1991
Gênero: Ação, Plataforma
Disponível para: SNES, Virtual Console

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.