Crítica | Supergirl – 1X09: Blood Bonds

estrelas 3

Obs 1: Leiam nossas críticas dos episódios da 1ª temporada de Supergirl, aqui.

Obs 2: Há spoilers.

Devo confessar que Supergirl é uma daquelas séries que, se o espectador souber perdoar alguns problemas sérios aqui e ali – os efeitos especiais abaixo da média sendo um deles – e dosar suas expectativas, vai, vagarosamente, tornando-se mais, digamos, adocicada na medida em que Ali Adler, Greg Berlanti e Andrew Kreisberg se aprofundam na história da super-heroína, surpreendentemente fugindo, ainda que não completamente, da fórmula batida de “vilão da semana”. Talvez seja o charme de Melissa Benoist como Kara Zor-El ou a química da atriz com Calista Flockhart fazendo as vezes de Cat Grant ou mesmo o fato de a série abraçar por completo seu tom jovial e juvenil, não sei.

O ponto é que, calejado com séries dessa natureza que sou, jamais imaginaria me deparar com a constatação de que estou me divertindo mais do que talvez devesse. Sinal de que estou mais leniente? Não, acho que não. Supergirl tem uma estrutura boba, é verdade, praticamente cópia das demais séries baseadas em super-heróis da DC Comics (herói cuja identidade todos conhecem que luta contra ameaças com a ajuda de amigos das mais diversas especialidades), mas ela carrega uma espécie de aura que evoca os quadrinhos talvez com a mesma propriedade que The Flash, mas sem carregar demais (até agora pelo menos) em romances e olhares chorosos e com uma estrutura episódica menos evidente.

Dito isto (e a introdução era necessária, já que sou eu, Ritter Fan, o crítico agora responsável por comentar Supergirl por episódio), vamos a Blood Bonds, que é o episódio de retorno da série depois de seu breve hiato e de ter recebido a encomenda de série completa pela CBS. O capítulo faz, claro, dobradinha direta com o anterior, Hostile Takeover, em que Kara tem que enfrentar sua tia Astra e seu marido e amigos kriptonianos de um lado e, de outro, convencer Cat que não é a Supergirl, ao mesmo tempo em que precisa lidar com seu passado e sua relação com a tia e com a mãe. Além disso, em uma narrativa paralela, Jimmy Olsen, ajudado pelo aparentemente gênio em computação Winn (o cara hackeia qualquer coisa, não é mesmo?), tenta descobrir que segredo Maxwell Lord esconde em sua empresa.

Os vários fragmentos narrativos deixados pelo episódio anterior são bem resolvidos, ainda que a estrutura de mistério sobre o grande plano de Astra seja mantida. Fica uma ponta de dissidência entre a própria Astra e seu marido Non que, como determina a regra de séries do gênero, levará a conflitos internos entre os ex-prisioneiros de Fort Rozz, muito provavelmente em relação a alguma ameaça iminente à Kara. Mas eu divago. O fato é que as dúvidas maternais de Kara ganham resolução satisfatória, assim como seu divertidíssimo embate com sua chefe Cat sobre sua identidade secreta.

Aliás, devo dizer que, nesta dobradinha de episódios, Cat tentando confirmar suas suspeitas sobre Kara foi um elemento narrativo muito mais interessante do que as demais histórias. Não que o resto tenha sido ruim, longe disso, mas a relação Cat-Kara talvez tenha chegado a seu ápice aqui (espero que não, na verdade), ultrapassando todas as maquinações do General Lane e todo o chororô sobre a mãe de Kara.

O mesmo, porém, não pode ser dito da ação paralela envolvendo Olsen e Winn. Não só Mehcad Brooks e Jeremy Jordan ainda não provaram seu valor verdadeiro em termos de atuação, como, aqui, eles demonstraram não ter muita química sem que Benoist faça a ponte entre eles. Pode ser que isso melhore com o tempo, pois reputo o problema em Blood Bonds como sendo muito mais do roteiro neste trecho, pois ele parte para simplificar absurdamente a invasão à empresa de Lord, com um conclusão ainda mais patética, criada única e exclusivamente para o diretor Steve Shill usar contra-luz e profundidade de campo no momento em que Lord chega para “torturar” Jimmy.

Outro detalhe: apesar de a presença de J’onn J’onzz ser fantástica em termos nerds de pensar, não consigo deixar de sacudir a cabeça pensando no que isso pode dar. Afinal, o Caçador de Marte não só consegue ter mais poderes do que Supergirl, como sua história de origem é muito parecida e, pior, sua presença parece ser só aquilo que até agora é, ou seja, fan service. Muito sinceramente, até o momento continuo preferindo a dubiedade moral que Hank Henshaw demonstrava até revelar-se como o último sobrevivente de Marte.

Blood Bonds cumpre sua função de divertir e de avançar a narrativa, sem complicar a trama demasiadamente. Considerando que nem chegamos na metade da série ainda, há muito chão pela frente!

Supergirl 1X09: Blood Bonds (EUA, 2016)
Showrunner: 
Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: Steve Shill
Roteiro: Ted Sullivan, Derek Simon
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, David Harewood, Calista Flockhart, Peter Facinelli, Laura Benanti, Jena Dewan Tatum, Chris Vance, Peter Mackenzie, Malina Weissman, Eric Steinberg, Aaron Lustig, René Ashton
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.