Crítica | Supergirl – 1X12: Bizarro

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estrelas 1,5

Obs: Há spoilers. Leiam nossas críticas dos episódios da 1ª temporada de Supergirl, aqui.

Tenho feito força para gostar de Supergirl, mas agora não deu. Bizarro encapsula, talvez, tudo que há de errado com a série, em um episódio que deixa às escâncaras que a estrutura juvenil bobalhona que os showrunners tentaram imprimir até agora é apenas isso mesmo, uma estrutura juvenil bobalhona.

E será que realmente a juventude precisa que o material apontado para esse público seja diluído e emburrecido para que seja apreciado? Basta mesmo só colocar o “heroizinho” na tela e esquecer todo o resto? É mesmo necessário marretar romances, vilões da semana e esquecer qualquer tipo de lógica interna? Será que a juventude é tão rasteira quanto esse episódio deixa entrever? Quero crer que não. Quero crer que haja massa pensante por aí que consiga perceber o quão ruim Bizarro foi em praticamente todos os níveis.

O roteiro de Roberto Aguirre-Sacasa e Rachel Shukert é um dos mais ineptos da temporada até agora, desde as dolorosamente inseridas citações a Prometeu Libertado e Frankenstein, até a caracterização dos personagens-chave da narrativa, que são despidos da pouca sutileza que ainda carregavam e tornam-se rasos como o proverbial pires.

Reparem, primeiro, como o romance fadado ao fracasso de Kara com Adam (alguém tinha dúvida daquele final?) é tratado. Ele permeia todo o episódio, vagarosamente sendo intercalado com as cenas de ação com o único objetivo  de fazer com que a narrativa conseguisse alcançar o tempo regulamentar de duração. São encontros interrompidos, olhares lânguidos, Cat Grant feliz da vida por seu filho e por sua “nora” e um beijo furtivo que não poderia ser mais clichê. Melissa Benoist, sem ter com o que trabalhar, reverte a um estado anterior, como ela era no primeiro episódio, que dá pena de ver. É como se todo aquele empoderamento feminino que a série tenta valorizar fosse jogado no ralo de uma tacada só e Kara se transformasse em mais uma princesa da Disney genérica, sem vida, sem força e definida pelos seus romances e pretendentes. Aliás, falando em pretendentes, Jimmy e Winn, como os “amantes abandonados” naquele momento bromance patético regado artificialmente à uísque (tinha que ser refrigerante e algodão doce!) mereciam o Framboesa de Ouro da televisão pelo que demonstram ali.

E Maxwell Lord? Sempre o vilão tirador de onda e cheio de si, ele, em Bizarro, ganha uma camada de cientista maluco que faz dele e não de sua criação o elemento mais bizarro do episódio. Não que o personagem tivesse demonstrado ter complexidade antes, mas seus atos são tão aleatórios e sem objetivo claro que sua presença em tela é caricata ao extremo, no pior estilo “vilão de James Bond“.

Com isso, chegamos à Bizarra propriamente dita. A grande vilã da semana. Personagem que já vinha sendo trabalhada em episódios anteriores e que aparece uniformizada bem no finalzinho de Strange Visitor From Another Planet, ela tem sua presença reduzida a dois ou três breves momentos salpicados aqui e ali em meio ao roteiro Barrados no Baile, retirando qualquer possibilidade de desenvolvimento minimamente decente que a elevasse acima do patamar usual de “saco-de-pancadas-de-Kara-que-acaba-sendo-derrotado-por-um-deus-ex-machina-qualquer”. Todo o sofrimento, toda a angústia da vilã, que vai se deteriorando com o passar dos minutos e se aproximando de sua contrapartida dos quadrinhos (ao menos a maquiagem e figurino eficientes merecem elogios), é diluído em uma trama que não tem nela o foco e sim apenas uma distração.

Além disso, os embates aéreos chegam ao ponto mais baixo em toda a temporada e é hora de dar um basta nisso. Se eles antes já não eram muito bons, aqui só faltou deixar logo aparecendo os cabos de aço levantando as dublês de tão artificial que cada movimentação é. Com o desenvolvimento da tecnologia de computação gráfica e também do chamado wire-fu, tão bem utilizado, por exemplo, em Into the Badlands, chega a ser incompreensível e constrangedor ver Kara e Bizarra lutando daquela maneira estática e simplista. Só uma pergunta à CBS: quando vocês embarcaram nessa produção, vocês foram informados que um dos poderes mais marcantes de Supergirl é o voo não? Porque não parece que foram… Talvez seja melhor arrumar uma desculpa qualquer para Kara perder o poder de voo…

Espero que Bizarro tenho sido apenas um tropeço na temporada e que os showrunners voltem no mínimo ao patamar mediano/medíocre/bobalhão em que estavam. Não é pedir muito, não é mesmo?

Supergirl 1X12: Bizarro (EUA, 2016)
Showrunner: 
Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: John Showalter
Roteiro: Roberto Aguirre-Sacasa, Rachel Shukert
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, David Harewood, Calista Flockhart, Peter Facinelli, Laura Benanti, Jena Dewan Tatum, Chris Vance, Peter Mackenzie, Malina Weissman, Eric Steinberg, Aaron Lustig, René Ashton, Henry Czerny, Blake Jenner, Tawny Cypress
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.