Crítica | Supergirl – 1X14: Truth, Justice and the American Way

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estrelas 2,5

Obs: Há spoilers. Leiam nossas críticas dos episódios da 1ª temporada de Supergirl, aqui.

Depois de uma semana sem episódio, Supergirl volta às telinhas em mais um capítulo que faz referência direta ao seu primo mais famoso. No ótimo For the Girl Who Has Everything, a referência estava no título e na história em si, adaptada de uma das melhores HQs do personagem, escrita por Alan Moore e desenhada por Dave Gibbons. Agora, a chamada a Superman está no título apenas, que é o “lema” usado há muitos anos, em uma época em que festejar o American Way não era algo condenado pela patrulha dos que odeiam o chamado imperialismo americano.

Se os showrunners realmente quiserem dar personalidade própria à série, creio que já tenha passado da hora dessas referências sumirem. Uma homenagem aqui e ali, ótimo, sem problema. Mas uma sucessão de lembretes mais ou menos diretos que Kara Zor-El é prima de Kal-El significa a mais completa falta de confiança de que a série possa decolar sozinha. E o pior é que há potencial para que isso aconteça, mesmo considerando os roteiros que insistem em trabalhar o ângulo do vilão da semana e os romances exacerbados.

Falando em vilão da semana, a bola da vez é o completamente desconhecido Homem de Ferr… digo, Carcereiro , apenas uma das identidades de Carl Draper, personagem mais do que obscuro criado em 1979 como inimigo – claro – do Superman. Vivido por Jeff Branson, o antagonista consegue ser um dos menos interessantes da temporada até agora, e isso é dizer muito, considerando o tipo de vilão que Supergirl tem enfrentado até agora.

No entanto, o roteiro de Yahlin Chang e Caitlin Parrish baseado em história de Michael Grassi não se apoia demais no personagem, o que é uma dádiva. Ao contrário, o grande foco da narrativa é como Kara lida com a morte de sua tia Astra, atravessada por um sabre de luz kryptoniano manejado por sua irmã. J’onn J’onzz assumiu a culpa ao final do episódio anterior e, claro, a protagonista não mais consegue olhá-lo no olho, alterando a dinâmica do episódio e, se tivermos sorte, da série inteira. Será interessante ver se Supergirl consegue efetivamente agir sozinha como ela dá a entender no encerramento do episódio, deixando de se basear em instruções do tipo “como neutralizar o vilão” vindas de convenientes cientistas e especialistas do D.E.O. Temo, porém, que essa sua aparentemente nova condição tenha pernas curtas, mas sonhar é de graça, não é mesmo?

Do lado civil da vida de Kara, somos brindados com a continuação da vingança de Cat Grant por ela ter chutado seu filho Adam. A deliciosamente sacana Cat contrata uma segunda assistente – que é batizada de Assistente nº 1 – para atazanar a vida de Kara, o que é alcançado em questão de segundos. Afinal, a tal nova assistente, Siobhan Smythe (Italia Ricci), consegue ser mais  insuportável ainda que a chefe da atormentada Kara e, no futuro breve, como determina a regra das séries de TV de super-heróis, tornar-se-á a vilã Banshee Prateada.

Com isso, o Carcereiro acaba enterrado debaixo de sua insignificância. O que não fica enterrado de maneira alguma é a forma amadora com que o roteiro lida com a “lição de moral” do episódio. Lembra-se do tal American Way, que é parte do título e que mencionei como sendo parte do lema de Superman? Pois bem, o “jeitinho americano” é fortemente criticado quando Jimmyy, Lucy e também Cat (em um ridiculamente conveniente diálogo com Jimmy na sacada da CatCo) são usados para martelar quase que a cada cinco minutos, que é “chato, bobo e feio” prender alguém contra a própria vontade e sem o devido processo legal em clara alusão  à Guantánamo e outras prisões de guerra vergonhosas dos EUA. Hummm, certo. Entendi, fessora…  É por situações artificialmente marretadas como essa que Supergirl perde sua chance de sair da mera bobagem para pré-adolescente. Não que a mensagem não deva ser passada – ela deve – mas a questão é que, mesmo mirando em um público alvo jovem, não é necessário tratá-lo como burro. Não é necessário escrever algo rasteiro para cativar a audiência. Outras séries do mesmo gênero já provaram isso várias vezes.

Truth, Justice and the American Way é um episódio muito irregular, mas que tinha potencial para ser mais do que algo marginalmente superior a um capítulo de novela da Globo. Pior do que assistir algo medíocre é perceber o potencial não realizado por trás. Espero que Supergirl consiga realmente sair desse lodaçal em que se encontra, desvencilhando-se da sombra do Superman e partindo para histórias próprias que desafiem minimamente o espectador.

P.s.: Este foi o segundo episódio em que o Netflix é mencionado explicitamente, desta vez com direito até à sugestão de Call the Midwife (aliás, muito boa série). É no mínimo estranho que a CBS, um canal de televisão aberta, venda espaço publicitário (pois é product placement, não tenho dúvida) para um concorrente que vem abocanhando o mercado televisivo com voracidade. Mas, no mundo corporativo, o dinheiro sempre falará mais alto, claro…

Supergirl 1X14: Truth, Justice and the American Way (EUA, 22 de fevereiro de 2016)
Showrunner: 
Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: Lexi Alexander
Roteiro: Yahlin Chang, Caitlin Parrish (baseado em história de Michael Grassi)
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, David Harewood, Calista Flockhart, Peter Facinelli, Laura Benanti, Jena Dewan Tatum, Chris Vance, Peter Mackenzie, Malina Weissman, Eric Steinberg, Aaron Lustig, René Ashton, Henry Czerny, Blake Jenner, Tawny Cypress
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.