Crítica | Supergirl – 1X15: Solitude

estrelas 2,5

Obs: Há spoilers. Leiam nossas críticas dos episódios da 1ª temporada de Supergirl, aqui.

A  heroína se veste de azul e vermelho, voa, tem visão de raio-x e de calor, sopro congelante, é super-forte, sua fraqueza é kriptonita e seu uniforme tem um discreto “S” no peito, mas, mesmo com todas essas “pistas”, os showrunners de Supergirl precisam nos lembrar, um capítulo após o outro, que Kara tem parentesco com o Superman. E, ironicamente, desta vez, em um episódio em que a personagem diz que “pode ser sua própria Supergirl”.

Do que estou falando? Bem, da Fortaleza da Solidão, claro, a terceira referência direta seguida em um episódio da série, depois de For the Girl Who Has Everything e Truth, Justice and the American Way. Se é mesmo para Supergirl ter personalidade própria, essas menções ao seu primo mais famoso precisam acabar; caso contrário, tudo que os espectadores passarão a esperar, episódio após episódio, são piscadelas do tipo “olha, ela é da mesma família que o Superman que vocês tanto gostam!”.

Mas o mais complicado é usar a Fortaleza da Solidão por algo como três minutos para obter o mesmo tipo de informação que Kara poderia ter obtido do holograma de sua mãe no DEO. Ah, claro, ela estava de mal com Hank e não queria ir lá consultar o computador-mamãe e preferiu voar até o Pólo Norte com Jimmy para descobrir quem exatamente era a vilã Indigo (ou Brainiac-8), vivida por Laura Vandervoort. Conseguem me imaginar revirando os olhos? Ou seja, o elemento que dá título ao episódio nada mais é do que uma “armadilha para fãs” sem função narrativa alguma, algo colocado só para enfeitar a história de maneira inconsequente. Sim, a recriação da Fortaleza de forma muito próxima aos quadrinhos, com direito à chave de material super-denso e estátuas gigantes dos pais de Kal-El, foi divertida, mas deixa aquela impressão de “gato por lebre” de armadilha boba para fazer a série parecer mais do que ela é. Seria receio dos showrunners em relação ao material que têm, algum tipo de incapacidade de acreditar que Supergirl pode carregar sozinha uma série? É uma pena que a personagem-título continue à sombra de Superman…

Mas, partindo para a história, o vilão da semana, na verdade a vilã, é daquelas completamente aleatórias, com um plano de destruição do mundo mirabolante, porém vagabundo, além de um figurino de queimar as retinas de tão ruim. Indigo, uma vilã extraterrestre digital com poderes de controlar qualquer eletrônico, resolve aparecer agora que Astra está morta, revelando-se como uma megalomaníaca destruidora que é derrotada por um vírus de computador que Winn providencialmente havia criado antes, em suas horas vagas (lembranças fortes de Independence Day aqui…). Vandervoort encarna a personagem como uma atriz fazendo força para estragar algo já ruim, cheia de caras e bocas e diálogos-clichê cheio de frases de efeito de doer.

No entanto, no mar de problemas de Solitude, há botes salva-vidas. O primeiro deles é a relação Kara-Alex-Hank, que ganha um lado emocional piegas, mas razoavelmente convincente, bem no espírito conciliador representado pela super-heroína. Pontos para Melissa Benoist e Chyler Leigh, que vêm convencendo cada vez mais em seus respectivos papeis. O segundo bote é a promessa de que Indigo será mais do que apenas uma “vilã da semana”. Ela não só parece ter sido a catalisadora da chegada de Kara (e de Fort Rozz) à Terra, como já teve um caso com Non e, conforme se pode ver no final, será usada como instrumento de guerra pelo kriptoniano de coração partido. Apenas gostaria que, em sua próxima aparição, no lugar de látex sadomasoquista azul, a personagem ganhasse um verniz de CGI que fizesse referência mais direta à sua origem “digital”.

Do lado Barrados no Baile, a narrativa vai de mal a pior, com Lucy descobrindo que Jimmy ama Kara e com Winn sendo atacado por Siobhan. Considerando que a carga emocional do episódio já tinha no triângulo formado pelas irmãs e pelo Caçador de Marte um elemento realmente importante, não era necessário ao roteiro trabalhar, agora, esses demais aspectos. Quer parecer que os showrunners estão, à todo custo, martelando romances com a mesma função da Fortaleza da Solidão, ou seja, absolutamente nenhuma.

Solitude vem apenas reiterar que a CBS não quer deixar Supergirl firmar sua identidade. O episódio continua a tendência – que têm se tornado padrão – de misturar referências fan service com bobagens sentimentais, sem assumir o tipo de risco que assumiu em For the Girl Who Has Everything. Uma lástima, pois continuo vendo, debaixo de camadas e mais camadas de acomodação e preguiça, algum potencial nesta série.

Supergirl 1X15: Solitude (EUA, 29 de fevereiro de 2016)
Showrunner: 
Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: Dermott Downs
Roteiro: Anna Musky-Goldwyn, James DeWille (baseado em história de Rachel Shukert)
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, David Harewood, Calista Flockhart, Peter Facinelli, Laura Benanti, Jena Dewan Tatum, Chris Vance, Peter Mackenzie, Malina Weissman, Eric Steinberg, Aaron Lustig, René Ashton, Henry Czerny, Blake Jenner, Tawny Cypress
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.