Crítica | Supergirl – 1X16: Falling

estrelas 4

Obs: Há spoilers. Leiam nossas críticas dos episódios da 1ª temporada de Supergirl, aqui.

Falling deixa evidente que Supergirl consegue mostrar seu potencial sempre que a série sai de sua zona de conforto e navega por águas um pouco mais turbulentas do que a calmaria que costumeiramente impede que suas velas inflem. Foi assim com For the Girl Who Has Everything e é assim agora.

O mais novo episódio da série, que foi recentemente renovada para uma segunda temporada, lida com os efeitos da kriptonita vermelha em Kara. Se aceitarmos a desculpa esfarrapada para ela ter sido exposta à pedra fabricada por Maxwell Lord, a narrativa torna-se divertida, especialmente depois que o prólogo exagera e enaltece as qualidades meigas da super-heroína. Surgida nos quadrinhos em 1958 em uma história do Superman, essa variação da kriptonita apenas enfraquecia o herói de maneira mais aguda que a versão verde. Com o tempo, seus efeitos foram alterados e ela famosamente, em Superman III, transforma o pacato Superman de Christopher Reeve em um completo – e hilário – babaca. E, para variar, a referência direta ao primo mais famoso da heroína não escapa ao roteiro de Robert Rovner e Jessica Queller, que recria a sequencia do filme em que Superman transforma, com “petelecos atômicos”, caroços de azeitona em balas (em Falling são amendoins ou algo do gênero).

Ao deixar o padrão da série de lado e novamente permitir latitude à atuação de Melissa Benoist, que normalmente fica limitada a fazer carinhas de triste, de feliz e de boa moça mesmo nas situações mais adversas, o episódio desabrocha completamente, com excelentes momentos que pervertem a lógica do que até o momento fora estabelecido na série, conseguindo tornar a já bela atriz ainda mais bela em sua versão femme fatale de preto. Kara amargurada e cansada de ser rotulada com adjetivos genéricos, parte para mostrar seu lado negro dizendo verdades violentas à sua meia-irmã, Hank/J’onn J’onzz, Jimmy e, principalmente, a Cat Grant, com direito a arremesso de Calista Flockhart botocada do 40º andar de seu prédio. Momentos divertidos em um roteiro que, apesar de alguns deslizes, sabe costurar diversão com seriedade.

Essa seriedade vem de um simples elemento, vale frisar: as consequências da kriptonita vermelha não são esquecidas ou perdoadas quando a crise passa. Ao menos em princípio, o status quo da série foi alterado, com Supergirl sendo temida pelos habitantes de National City e Kara tendo suas relações com Jimmy, Alex e Cat abaladas, além da identidade secreta de Hank ter sido revelada em momento que poderia ter sido melhor trabalhado, mas que cumpriu sua função. Se a série saberá aproveitar essa sacudida, só o tempo dirá. Espero veementemente que saiba, pois, como já tive a oportunidade de afirmar algumas vezes ao longo de minhas críticas, Supergirl é uma série que demonstra potencial, mas que precisa sair do clichê, do óbvio, do bobalhão para realmente ultrapassar a marca do simplesmente mediano.

Até mesmo os efeitos visuais funcionaram direito. Econômicos, eles foram bem dosados e usados cirurgicamente na ótima, mas rapidíssima luta entre Supergirl e o Caçador de Marte, com direito à destruição de um bom pedaço do prédio da CatCo. Ainda tenho reticências em relação à aparência plástica do marciano, mas não vejo muita saída aqui que não rever o design de criatura para ser menos dependente do CGI ou, claro, desviar um pouco do orçamento para incrementar o personagem.

Falling reacendeu minhas esperanças em Supergirl. Novamente vislumbrei aquilo que a série poderia – deveria! – ser e confesso que fiquei feliz. Só espero que não seja uma miragem…

Supergirl 1X16: Falling (EUA, 14 de março de 2016)
Showrunner: 
Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: Larry Teng
Roteiro: Robert Rovner, Jessica Queller
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, David Harewood, Calista Flockhart, Peter Facinelli, Laura Benanti, Jena Dewan Tatum, Chris Vance, Peter Mackenzie, Malina Weissman, Eric Steinberg, Aaron Lustig, René Ashton, Henry Czerny, Blake Jenner, Tawny Cypress
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.