Crítica | Supergirl – 1X17: Manhunter

estrelas 3,5

Obs: Há spoilers. Leiam nossas críticas dos episódios da 1ª temporada de Supergirl, aqui.

Nem parece que Manhunter é um episódio de Supergirl, aquela série que tinha apenas episódios estanques normalmente lidando com “vilões da semana” com um ar de leveza que tornava sua personagem-título mais unidimensional que cartolina. É a primeira vez que acontecimentos de um episódio anterior – no caso, do excelente Falling – vazam para o seguinte e o impregnam de forma a tomar completamente a linha narrativa.

Aproximando-se do final da primeira temporada, Supergirl parece, finalmente, estar tentando crescer. Certamente ainda veremos episódios soltos por aí como promete ser o próximo (com uma dobradinha com o Flash), mas os showrunners começam a delinear uma história maior que vai além da trama envolvendo os prisioneiros de Fort Rozz que só aparecem vez ou outra. Se isso é fogo de palha, saberemos muito em breve, mas o fato permanece que Manhunter acende a proverbial luz no fim do túnel.

Focado quase que exclusivamente em J’onn J’onzz, como o título deixa entrever, ele agora é prisioneiro do D.E.O. e investigado por uma junta militar formada pelo agressivo Coronel James Harper (Eddie McClintock, de Warehouse 13) e pela amargurada Major Lucy Lane, de volta às suas funções originais depois de acabar o namoro com Jimmy Olsen. Usando os interrogatórios e depois uma conversa como pontes narrativas, o roteiro de Cindy Lichtman e Rachel Shukert trabalham as histórias pregressas da trinca principal em forma de flashbacks.

O primeiro coloca em imagens o episódio ue o Caçador de Marte já contara a Alex e Kara anteriormente, ou seja, seu encontro com Jeremiah Danvers (Dean Cain) e com o verdadeiro Hank Henshaw e como ele acabou tomando a forma do último para cumprir uma promessa feita ao primeiro. O segundo, bem menos interessante, lida com o recrutamento de Alex por Hank, já sendo o Caçador e, finalmente, o terceiro, aborda os primeiros dias de Kara na Terra tendo que lidar com seus poderes e com a necessidade de escondê-los de forma muito semelhante como a situação é tratada em O Homem de Aço.

Ao voltar ao passado, o episódio dá mais estofo aos personagens e cria as situações necessárias para manter essa linha narrativa ativa por mais tempo, depois que Alex e Hank são resgatados por Lucy e Kara em modo “furtivo” que, porém, exige demais de nossa suspensão da descrença e chega a ser um tantinho ridículo. Mas, diante do pouco tempo que o episódio tinha – nada que não pudesse ser resolvido dividindo-o em dois – o atalho que o roteiro toma é indolor o suficiente para deixarmos passar.

Da mesma forma que a trama lidando com o Caçador de Marte é amplificada e agora passará a lidar com ele e Alex fugitivos tentando infiltrar-se no Projeto Cadmus (dificilmente teremos o Superboy, mas será que dá para ter o clone do Guardião?) para resgatar Jeremiah, que parece estar vivo para surpresa de absolutamente ninguém, o lado Supergirl de Kara parece continuar com o mesmo problema de reputação causado por sua “versão do lado negro” exposta pela kriptonita vermelha em Falling. Assim, há ainda um trabalho a se fazer para ela reconstruir sua aceitação pelos habitantes de National City, o que ajuda na continuidade narrativa da série sem que ela precise recorrer a episódios soltos.

Manhunter, ao fazer a dobradinha com Falling, prova que aquele potencial adormecido da série continua vivo e muito bem. Resta saber se os showrunners realmente saberão trabalhar o material que eles têm em mão, fugindo do trivial e entregando algo digno da personagem.

Supergirl 1X17: Manhunter (EUA, 21 de março de 2016)
Showrunner: 
Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: Chris Fisher
Roteiro: Cindy Lichtman, Rachel Shukert (baseado em história de Derek Simon)
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, David Harewood, Calista Flockhart, Peter Facinelli, Laura Benanti, Jena Dewan Tatum, Chris Vance, Peter Mackenzie, Malina Weissman, Eric Steinberg, Aaron Lustig, René Ashton, Henry Czerny, Blake Jenner, Tawny Cypress
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.