Crítica | Supergirl – 1X18: World’s Finest

estrelas 3,5

Obs: Há spoilers. Leiam nossas críticas dos episódios da 1ª temporada de Supergirl, aqui.

Se eu tivesse que apostar como seria o tão aguardado crossover de The Flash com Supergirl, diria, sem titubear, que seria um episódio filler, bobalhão e “revirador de olhos”. E eu teria quebrado a cara e perdido dinheiro.

E teria ficado – como fiquei – feliz!

Depois de dois bons episódios que trataram a personagem e seus espectadores de forma mais madura, mas com a costumeira “ternura”, World’s Finest (título de HQ – Os Melhores do Mundo, em português – normalmente ligado com a dupla Superman e Batman) prometia ser apenas mais um fan service inconsequente e mal ajambrado para elevar a audiência de Supergirl, o que acabou dando muito certo, já que houve um aumento de impressionantes 30%. Que me lembre, essa é a segunda vez que heróis da DC Comics de produtoras diferentes ganham episódio conjunto, o primeiro tendo sido a aparição de John Constantine no quinto episódio da quarta temporada de Arrow, mas, como Constantine (a série) já havia sido cancelada, essa parece ser a primeira vez que dois super-heróis de séries em andamento produzidas por canais diferentes se juntam.

De toda forma, o que acabei assistindo me surpreendeu positivamente. Não é uma maravilha narrativa, notadamente pelo uso de duas vilãs que não têm qualquer atrativo, mas o episódio certamente trabalha bem a presença de Barry Allen (Grant Gustin) no mundo de Kara, introduzindo o conceito de Multiverso para a kriptoniana, o que pode significar novos crossovers com grande potencial. Ainda que o herói da Terra-1 apareça “do nada”, tendo passado de um universo ao outro sem nem  mesmo perceber, o ponto principal é que o roteiro do showrunner Andrew Kreisberg (também de Arrow e The Flash), co-escrito com Michael Grassi com base em história do outro showrunner das Greg Berlanti (idem de Arrow e The Flash), funciona bem ao trabalhar a simpatia de Gustin e Benoist e, ao mesmo tempo, um texto auto-consciente e crítico ao próprio trabalhos deles na The CW.

Afinal de contas, usando Cat Grant como veículo, ouvimos frases como “vocês [referindo-se a Winn, Olsen, Benoist e Gustin) se parecem com o elenco atraente e racialmente diverso, mas não ameaçador, de um show da CW” e brincadeiras com o nome do Flash – cujo poder parece ser o de usar um sobretudo e mostrar as partes íntimas em becos escuros (excelente!) – que simpaticamente quebram a quarta parede e acrescentam inteligência à narrativa. A própria forma como Supergirl e Flash interagem, sempre um de acordo com o outro, sempre sorrindo e sempre de boa vontade, funciona como uma estocada nas próprias séries em si e, claro, na contrapartida sombria e pessimista representada por Arrow (e, aparentemente, por todo o Universo Cinematográfico DC a julgar pelo tom “tão sério que chega a ser engraçado” estabelecido por BvS).

Além disso, fecha-se, aqui, o mini-arco iniciado no ótimo Falling no que se refere à reputação de Supergirl, com o roteiro sabendo lidar com o problema desde o começo e solucionando-o de maneira óbvia e mais do que esperada, ainda que eficientemente e de forma a lembrar a sequência do trem em Homem-Aranha 2. Mas os outros aspectos iniciados no mesmo episódio mencionado continuam em aberto, provavelmente reservados para serem novamente abordados nos dois episódios finais, que, pelo que se pode ver do epílogo, finalmente lidará com o misterioso plano de Non.

Mas, voltando à dupla de heróis, ou, mais precisamente, às antagonistas, eis que a fraqueza do capítulo se revela. A Banshee Prateada, identidade vilanesca adotada por Siobhan Smythe (Italia Ricci) depois que descobre ter poderes sônicos ao final de Manhunter, prova-se muito mais interessante como nêmesis civil de Kara do que como alguém minimamente ameaçador. E sua dupla com Livewire, vivida por Brit Morgan (Curto-Circuito nos quadrinhos e Linha Viva na versão em português da série de TV animada de Supergirl) e que aparecera no episódio homônimo do começo da temporada, não melhora as coisas, pois falta química às atrizes que parecem muito mais preocupadas em fazer caretas do que transmitir algum senso de malignidade.

Pelo menos a Caixa de Pandora foi aberta com a origem da Banshee Prateada ser próxima a dos quadrinhos, ou seja, não relacionada com Supergirl ou seus inimigos, deixando claro que novos meta humanos podem aparecer sem os artifícios centralizados que caracterizam The Flash. Ao mesmo tempo que isso abre espaço para novos e interessantes vilões e vilãs, potencializa o uso exaustivo da estrutura de “vilão da semana”. Só o tempo dirá o caminho a ser seguido pelos showrunners.

World’s Finest parece um intervalo que prepara a temporada para seu encerramento. Mas, pelo menos, é um intervalo eficiente e não apenas mais um descartável filler. Se usado com moderação e inteligência, crossovers dessa natureza podem gerar narrativas interessantes. Tomara que a CW e a CBS empolguem-se com o resultado.

Supergirl 1X18: World’s Finest (EUA, 21 de março de 2016)
Showrunner: 
Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: Nick Gomez
Roteiro: Andrew Kreisberg, Michael Grassi (baseado em história de Greg Berlanti)
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, David Harewood, Calista Flockhart, Peter Facinelli, Laura Benanti, Jena Dewan Tatum, Chris Vance, Peter Mackenzie, Malina Weissman, Eric Steinberg, Aaron Lustig, René Ashton, Henry Czerny, Blake Jenner, Tawny Cypress
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.