Crítica | Supergirl – 1X19: Myriad

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estrelas 1,5

Obs: Há spoilers. Leiam nossas críticas dos episódios da 1ª temporada de Supergirl, aqui.

O que foi esse episódio de Supergirl? Uma pegadinha com o público? Um momento de delírio dos showrunners? Uma auto-sabotagem? Ou algo diferente?

Tenho para mim, talvez, que tenham esquecido que, entre o antepenúltimo e o último episódios, há o penúltimo, pois ficou evidente que Myriad foi escrito para tampar um buraco enorme na progressão narrativa que simplesmente não tinha material suficiente para uma episódio duplo final, gerando, talvez, o mais irritante e chato (não dá para usar eufemismos ou termos técnicos aqui) capítulo da série até agora. No mínimo contrataram o Rolando Lero para expandir o que poderia ser um momento expositivo de 10 minutos no último episódio, já que o que vemos chega a ser amador de tão mal escrito e enrolador, um típico filler daqueles sem inspiração e utilidade alguma.

Como vimos no final do crossover entre Supergirl e The Flash, todo mundo em National City passou a ser controlado por Non, que, já não era sem tempo, inicia seu plano mirabolante de dominação mundial que dá título ao episódio aqui comentado. Em um dos poucos acertos do roteiro, a situação é logo rotulada como realmente complicada, já que o próprio DEO é também controlado, com Lucy obrigada a soltar todos os prisioneiros, algo que é logo impedido por Supergirl.

A partir desse ponto, porém, o roteiro puxa o freio de mão e engata a marcha lenta, algo que, por si só, não é ruim, mas que, aliado a diálogos extremamente expositivos e conveniências que exageram demais no grau de suspensão da descrença como os brincos bloqueadores de íons controladores de mente que Cat Grant aparece usando assim do nada. Supergirl primeiro recorre à Fortaleza da Solidão para finalmente descobrir do que se trata o plano em mais um uso patético da mitologia de seu primo mais famoso, primo esse, aliás, que dá as caras de longe, somente para também ser controlado pelo Myriad depois de uma explicação que não convence por Maxwell Lord, sempre preparado para tudo, lógico.

Falando em Lord, alguém aqui em sã consciência sentiu que o roteiro chegaria perto de caminhar para uma solução que envolveria a morte de 8% da população da cidade? Uma bomba de kriptonita que obrigaria Supergirl a ficar longe da cidade por 50 anos? É esse tipo de bobagem desnecessária que, somada a todo o resto, me tira do sério. Para que inserir esse plano mirabolante que não seja para artificialmente gerar longos e tediosos diálogos com lições de moral e civismo dolorosamente óbvias e repletas de clichês? Pensando bem, nem Rolando Lero seria capaz de enrolar tanto…

Não satisfeitos, porém, com a situação da cidade, os roteiristas ainda fazem questão de trazer o Caçador de Marte e Alex de volta à cidade, depois de apenas um episódio longe, quando eles passaram a ser fugitivos. Nada como sabotar um ótimo momento estabelecido na série, não é mesmo? E o pior é colocar J’onn J’onzz contra Indigo, que compete bravamente com a Banshee Prateada pelo prêmio de pior cosplay da série, em um combate mal coreografado e que acaba de forma patética com a vilã dando uma de T-1000 e quase matando o marciano, herói que o próprio Superman disse ser o mais poderoso ser na Terra.

Em outras palavras, esse episódio faz um enorme esforço para ser ruim e alcança seu objetivo esplendorosamente. Inacreditável que a promessa que é Supergirl – pelo menos em comparação com as outras séries de heróis da DC (não incluindo as adaptações da Vertigo aqui) – seja jogada no ralo na reta final. Só resta torcer para que o derradeiro episódio pelo menos resolva de maneira satisfatória a narrativa, abrindo caminho para um segunda temporada que realmente faça a série deslanchar ou que pelo menos não contenha aberrações narrativas como em Myriad.

Supergirl 1X19: Myriad (EUA, 11 de abril de 2016)
Showrunner: 
Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: Adam Kane
Roteiro: Yahlin Chang, Caitlin Parrish
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, David Harewood, Calista Flockhart, Peter Facinelli, Laura Benanti, Jena Dewan Tatum, Chris Vance, Peter Mackenzie, Malina Weissman, Eric Steinberg, Aaron Lustig, René Ashton, Henry Czerny, Blake Jenner, Tawny Cypress
Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.