Crítica | Supergirl – 2X01: The Adventures of Supergirl

estrelas 0,5

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios aqui.

A mudança de Supergirl da CBS para a CW realmente nos trouxe uma grande preocupação, tão grande que fez nosso editor Ritter Fan me passar a tarefa de acompanhar e criticar a série por episódio. Chegamos, portanto à segunda temporada e o que assistimos aqui definitivamente não é um bom sinal do que está por vir: uma trama procedural, que aposta em cenas desnecessárias e um desenvolvimento de personagens, no mínimo, duvidoso, com atuações de se dar arrepios e um apoio gigantesco em efeitos especiais já bastante datados.

A trama de The Adventures of Supergirl nos traz, desde cedo, diferentes subtramas a serem trabalhadas. Temos o relacionamento de Kara Danvers (Melissa Benoist) com Jimmy Olsen (Mehcad Brooks); sua luta para encontrar o propósito de sua vida quando não está vestindo o manto de Supergirl; sua relação com seu primo, Clark Kent (Tyler Hoechlin) e, é claro, o vilão da semana, um homem sobre quem nada sabemos, mas que está vidrado em assassinar Lena Luthor (Katie McGrath), irmã de Lex, que tomara controle da Luthorcorp e deseja agora revitalizar a empresa, alterando seu foco e seu nome para L Corp (ótima maneira de fazer as pessoas esquecerem de Lex, hein? Genial).

O episódio já tem início com Supergirl salvando o dia ao lado do Caçador de Marte, em uma cena completamente dispensável que, de fato, nada acrescenta ao episódio a não ser a nossa lúcida percepção dos temíveis efeitos especiais. Evidente que estamos falando de um orçamento para série de televisão e não de um longa-metragem como Batman vs. Superman, mas existem maneiras de mascarar os efeitos e poucos são utilizados. Felizmente, quando em alta velocidade, não conseguimos ver muito mais que um vulto, o que atua a favor da série em inúmeros momentos.

Mas, de fato, isso é um problema menor de Supergirl. A grande questão é a artificialidade de seus personagens. A começar pela própria Kara, que parece estar sob efeito de drogas ou de ter acabado de sair do tratamento pelo qual passara Alex DeLarge, transformando-a em um ser que sorri o tempo todo, com uma felicidade inabalável de invejar até mesmo Kimmy Schmidt. Ao seu lado temos Superman, que finalmente dá as caras de verdade na série, mostrando que esse traço corre na família – o que mais assusta é quando uma nave está caindo na Terra, o herói simplesmente para ao lado da prima, até ela ser forçada a dizer que precisa de ajuda, somente para a cena soar mais “bonitinha”. Felizmente, há uma química entre os dois personagens, por mais que ela seja nada menos que ridícula em virtude de sua irrealidade.

De fato há um esforço do roteiro de Andrew Kreisberg e Jessica Queller em fazer a série assumir essa atmosfera, que para ser complementada só faltavam unicórnios e ursinhos carinhosos. Mesmo quando o vilão da semana é morto a tiros não há uma preocupação qualquer – ele é bandido, merece – onde está o caráter dos heróis, principalmente de Superman, que, em geral, se recusa a matar? É como se todo esse universo estivesse sempre banhado por um dia ensolarado, com pessoas felizes e capazes de esquecer o que Lex fizera simplesmente com a alteração do nome da empresa.

Esse fator acaba se estendendo para a disposição dos outros personagens, que, se não forem vilões propriamente ditos, sempre serão muito solícitos. Mesmo J’onn (David Harewood) evidentemente tem sua percepção da kriptonita alterada quando Clark fala o óbvio para ele, mostrando que é o roteiro que lê as falas e não os atores, tamanha a artificialidade de todo o negócio. Estamos em um universo preto e branco e tudo o que há no meio simplesmente não existe, tirando qualquer possibilidade de imersão do espectador.

A segunda temporada de Supergirl definitivamente não começa bem, retendo a péssima qualidade que apresentara no season finale da anterior. Resta esperar para que toda essa ingenuidade aqui apresentada seja revertida conforme progredimos nesse ano, caso contrário, uma série que já não contava com uma audiência tão grandiosa assim, certamente encontrará problemas para se manter na televisão.

Supergirl – 2X01: The Adventures of Supergirl — EUA, 2016
Showrunner: Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: Glen Winter
Roteiro: Andrew Kreisberg, Jessica Queller
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, Chris Wood, David Harewood, Tyler Hoechlin,  Calista Flockhart, Katie McGrath
Duração: 42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.