Crítica | Supergirl – 2X02: The Last Children of Krypton

estrelas 2,5

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios aqui.

Crianças, o que aprendemos no episódio de Supergirl dessa semana?

  • Se você está combatendo bandidos normais só converse com seu primo super-poderoso por meio de ironias e frases de efeito.
  • Não deixe para depois o que você pode fazer agora, como deixar de prender um espião de sua organização enquanto você está dentro dela, somente para prendê-lo quando você estiver sozinho e desamparado, como a tia Alex.
  • Se você está muito feliz por ter conseguido um emprego, se prepare, a lei do clichê define que seu chefe será o equivalente The CW de Fletcher, vulgo J.K Simmons, de Whiplash.
  • 500 palavras não é muito e só dá mais de uma página se você colocar em uma fonte como esta:

500 palavras

  • É óbvio que o ser super-poderoso de personalidade desconhecida vai acordar no exato mesmo instante que todo o estoque de sua única arma contra ele voar para bem longe.
  • Tyler Hoechlin, apesar do roteiro que não o favorece, é o melhor Superman desde Christopher Reeve.

Pois bem, após essas considerações iniciais (esqueci alguma coisa? Por favor, comentem abaixo se deixei algo passar, pois não queremos que as crianças deixem de aprender algo com esse capítulo da melhor série de todos os tempos depois de Fada Bela), vamos ao capítulo. Brincadeiras à parte, porém, The Last Children of Krypton não foi uma experiência tão desgastante quanto o episódio anterior – todo o clima Ursinhos Carinhosos foi amenizado (ainda está lá, não se preocupem, seus saudosistas da Globo pelo domingo de manhã), ao passo que uma ameaça maior surge através de Metallo e as outras criações da Cadmus.

Esses supervilões iniciais da galeria que com certeza veremos ao longo da temporada nos trouxeram algumas interessantes cenas de ação envolvendo os dois Supers, que dispensaram os sorrisos e as frases espertinhas durante as lutas. Curiosamente, aqui vemos a presença menor de cortes e uma direção que mantém os planos mais estáticos, enquanto que nas lutas entre humanos o contrário ocorre – de repente uma mostra de como essa linguagem dos filmes de hoje em dia enraizou-se tanto na mente da maioria dos cineastas de ação, que se tornou praticamente inevitável não seguir por esse caminho. Felizmente, não somos muito atrapalhados por isso, visto que há somente uma sequência em que isso ocorre.

O que estraga as sequências de combate, mais especificamente a final, é a montagem paralela realizada, que tira qualquer expectativa do espectador, tornando tudo muito óbvio. É evidente que nenhum dos dois kriptonianos iria morrer ou até ser derrotado aqui, mas, ao menos, poderíamos ficar sem saber o que iria acontecer durante toda a luta – a tentativa óbvia de tentar criar um paralelismo entre os dois (ambos tem desentendimentos com alguém querido e, no final, resolvem) acaba prejudicando a fluidez da cena, cortando a eficácia do clímax pela metade.

A sorte é que o foco do capítulo vai, de fato, para Tyler Hoechlin, que pudemos ver mais a fundo aqui, em razão de um roteiro que trouxe mais do que momentos felizes em família. O ator representa um bem-vindo sopro de vida ao personagem, que fora demasiadamente desgastado através da visão dark/depressiva de Zack Snyder e de uma “atuação” que deixa bastante a desejar de Henry Cavill. E antes que venham defender o sujeito, gostaria que parassem para pensar se vocês se lembram de mais do que essas quatro feições do ator: sobrancelhas arqueadas com um sorriso inocente, cara de bravo (com ou sem olhos vermelhos), chorando porque matou o Zod ou cara de sou um coitado (vulgo, ninguém permanece bom nesse mundo). Mas isso não é um texto sobre Batman vs Superman ou O Homem de Aço.

Hoechlin retoma aquela inocência e cara de bonzinho que só Reeve conseguira nos trazer até então. Temos aqui um Superman que aceita quem ele é, que gosta de ser o herói e é justamente disso que precisamos – deixemos os dilemas eternos (que se repetem de um filme para o outro) de lado e abracemos um herói pleno. Como nosso querido Bill já disse (ele mesmo, do filme do Tarantino), quando Superman acorda ele é o Superman, seu alter-ego é Clark Kent. Portanto, que melhor maneira de mostrar isso com alguém que interpreta o personagem totalmente à vontade? O mesmo vale para Supergirl, aliás. Reparem como as suas maiores dificuldades (psicologicamente falando, é claro) acontecem em sua vida “à paisana” e não quando veste o uniforme. Supergirl é uma mulher certa de si, segura, enquanto Kara mal consegue falar com seu novo chefe, o que cria uma dualidade interessante, visto que ela precisa aprender consigo mesma para ser independente nos dois lados dessa “moeda”.

Naturalmente, essa descoberta vem junto de uma típica “CWzice”, com sua chefe efetivamente precisando dizer que ela é forte, somente para criar um momento “fofinho” entre as duas, de forma que o seriado não fuja de seu público-alvo (very) young adult. Esses momentos, porém, são mais reduzidos aqui quando comparamos à première da temporada, atrapalhando a narrativa consideravelmente menos, por mais que jamais aceitemos que ninguém reconheça Supergirl como Kara, nem mesmo quando estão a centímetros de distância. Evidente que um de seus superpoderes é provocar a estupidez ou a cegueira nos humanos à sua volta.

Supergirl conseguiu nos entregar o Superman que precisávamos, mas, infelizmente, sua presença é rodeada por um roteiro que tropeça a cada instante, uma direção que não sabe decidir o que quer e uma montagem que acaba tornando tudo uma experiência anticlimática. Ainda que seja bastante superior ao primeiro episódio da temporada, The Last Children of Krypton é a prova de como o seriado precisa melhorar muito para se tornar algo verdadeiramente bom – por enquanto beira o passável e o divertido.

Supergirl – 2X02: The Last Children of Krypton — EUA, 2016
Showrunner: Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: Glen Winter
Roteiro: Robert L. Rovner, Caitlin Parrish
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, Chris Wood, David Harewood, Tyler Hoechlin,  Calista Flockhart, Katie McGrath
Duração: 42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.