Crítica | Supergirl 2X03: Welcome to Earth

estrelas 1

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios aqui.

Já estamos no terceiro episódio de Supergirl e as coisas definitivamente estão longe de melhorar, com uma narrativa previsível, repleto de clichês. Welcome to Earth consegue não trazer absolutamente nada de novo para o seriado, mas, ao menos, homenageia a eterna Mulher Maravilha, Lynda Carter, que entra para o seriado como a presidente dos EUA, em uma referência clara às atuais eleições norte-americanas, com inclusive trechos que tornam o paralelismo amplamente explícito.

Após o alienígena que chegara à Terra em uma capsula Kriptoniana acordar, convenientemente logo após Superman levar embora toda a kriptonita da DEO, a organização entra em alerta. Escapando das instalações, o ser super-poderoso pode representar um risco à vida da presidente, que chega em National City naquele mesmo dia. Quando a chefe de Estado chega no local o esperado ocorre, ela é atacada por raios de calor que parecem atingir tudo menos ela, uma demonstração de mira precisa, digna de stormtroopers imperiais. Suspeitando imediatamente do alienígena que escapara, a busca se torna ainda mais frenética. Tudo enquanto Kara precisa entrevistar Lena Luthor, a pedido de seu novo chefe, que a enxerga apenas como uma novata.

A temática de Welcome to Earth evidentemente revolve ao redor do direito dos alienígenas no país, uma metáfora evidente à toda questão da imigração nos EUA, algo bastante relevante nos dias atuais, considerando a postura de Donald Trump em relação ao assunto. Em uma trama lotada de elementos desnecessários, porém, esse foco acaba se perdendo e acaba se classificando como um eterno vai e vem, com a protagonista mudando de opinião diversas vezes ao longo do episódio, chegando a um ponto que se mantém à parte de toda a problemática, como se tirasse o corpo fora. Evidente que as ações de Alex Danvers chegam a combater a ideia da imigração, especialmente quando ela agride um alienígena somente para obter informações.

A revelação de que não fora o alienígena o culpado por todo o atentado é bastante previsível, é evidente que ele e Kara se aproximariam. Supergirl cai mais uma vez, portanto, no clássico vilão da semana e, ao invés de utilizar a organização criminosa dos dois capítulos anteriores, a trama insere uma antagonista comum – tinha a oportunidade de ampliar e se aprofundar na conspiração envolvendo a Cadmus, mas decide permanecer na superficialidade já habitual dos roteiros do seriado. Tudo, naturalmente, se complica quando entramos nos trechos envolvendo o lado jornalístico de Supergirl.

Chega a ser engraçado como o novo chefe da heroína representa uma visão mais realista do trabalho (ainda que muito exagerado) e é colocado como uma espécie de vilão, a favor de Jimmy Olsen, que evidencia um jornalismo tendencioso. Existe a tentativa de desbancar esse lado de Kara, que elabora um texto amplamente opinativo, mas que é rejeitado pelo seu editor, que defende a ideia de textos que apenas transmitem a notícia sem a tentativa de convencer o leitor de algo. Mais uma vez a série tira o corpo fora no assunto, não defendendo ou atacando a posição do personagem.

Supergirl consegue, portanto, nos trazer mais um capítulo repleto de superficialidades, uma série que tem medo de demonstrar opinião e opta por tentar nos divertir através de seus péssimos efeitos especiais e roteiro mais que previsível. Na tentativa de homenagear Lynda Carter, Welcome to Earth consegue apenas jogar um olhar bastante preconceituoso sobre a questão da imigração, especialmente se ela se demonstrar como uma vilã até o término da temporada. Sem a presença de Superman, o seriado consegue cair ainda mais fundo do que já estava, nos entregando algo que sequer nos diverte.

Supergirl – 2X03: Welcome to Earth — EUA, 2016
Showrunner: Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: Rachel Talalay
Roteiro: Jessica Queller, Derek Simon
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, Chris Wood, David Harewood, Tyler Hoechlin,  Calista Flockhart, Katie McGrath, Lynda Carter
Duração: 42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.