Crítica | Supergirl – 2X05: Crossfire

estrelas 2,5

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios aqui.

Após o devaneio de SurvivorsSupergirl retoma sua trama principal: a ameaça apresentada pela Cadmus, o que apenas corrobora o caráter do capítulo anterior como puro filler, visto que J’onn J’onzz sequer apareceu aqui. Em Crossfire o seriado abraça seus pontos positivos e nos entrega uma história que sabe trabalhar com a linguagem da série, nos entregando uma narrativa que conseguimos nos aproximar e não simplesmente desgostar totalmente. Evidente que os clássicos problemas continuam, mas, ao menos eles são minimizados aqui, através de algumas doses de humor.

Quando uma gangue assalta um banco utilizando armas de tecnologia alienígena, a DEO é a automaticamente ativada e cabe a Supergirl acabar com o grupo. Ao mesmo tempo, Mon-El deve se acostumar com sua vida como humano, enquanto se esforça no primeiro dia de seu novo emprego. Ocupando um trecho menor do episódio temos Alex Danvers em sua jornada de autodescobrimento, especialmente após Maggie questionar sua sexualidade. Felizmente, todos esses arcos acabam se encontrando, garantindo uma maior coesão ao capítulo. O problema está nos deslizes individuais dentro de cada um deles, que acabam gerando uma queda de qualidade no episódio.

Do lado da ameaça dos vilões a história segue a fórmula básica do vilão da semana e, no fim, gera apenas uma nova revelação: que a líder da Cadmus é uma Luthor. Evidente que isso acaba comprometendo toda a mitologia da série, visto que, aparentemente, os únicos humanos malvados são da mesma família, ao menos os de destaque. É nítido que a intenção era gerar um grande plot-twist, mas tudo o que o roteiro consegue fazer é criar ainda mais elementos ridículos dentro da série, limitando esse universo apenas a alguns personagens-chave, ao invés de nos oferecer um olhar mais abrangente sobre esse lado da DC Comics.

A nova empreitada de Jimmy Olsen como superherói também não pode significar coisa boa. Além de já termos heróis o suficiente no tabuleiro (há alguma dúvida de que Mon-El seguirá por esse caminho?), algumas penosas memórias da Era de Prata dos quadrinhos são reavivadas, como o Homem-Polvo ou o Gigante Homem-Tartaruga, ambos Olsen com poderes obtidos de maneiras diferentes. Naturalmente, o que veremos é apenas o repórter com alguma roupa especial, mas me pergunto se isso não é somente uma nova tentativa da CW em nos entregar outro seriado spin-off. Torcemos para que sejamos poupados desse horror.

Felizmente, a forma como Mon-El lida com sua nova vida nos entrega alguns momentos divertidos, mas nada além disso. O personagem finaliza como iniciou o episódio e o único real crescimento ocorre com Kara, que aprende que ele não é igual a ela. Chega a ser curioso como o roteiro dispensa a oportunidade de construir o personagem e se preocupa apenas com o humor provocado pelo seu comportamento. Não digo que um deveria deixar de existir em detrimento do outro, mas ambos poderiam ser realizados ao mesmo tempo.

No fim, Crossfire demonstra o mesmo grau de qualidade de tantos outros capítulos de Supergirl, provando mais uma vez que a CW não se preocupa em nos trazer uma boa história e sim momentos divertidos e facilmente “esquecíveis”. Realmente não vejo nenhuma esperança para essa série ser algo além do que ela é no momento presente. Resta torcer para que um novo spin-off saia dela – sejamos poupados de outro show de horrores desse canal.

Supergirl – 2X05: Crossfire — EUA, 2016
Showrunner: Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: Glen Winter
Roteiro: Gabriel Llanas, Anna Musky-Goldwyn
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, Chris Wood, David Harewood, Tyler Hoechlin,  Calista Flockhart, Katie McGrath
Duração: 42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.