Crítica | Supergirl – 2X06: Changing

estrelas 2,5

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios aqui.

Supergirl é um exemplo claro dos tipos de série que conseguimos fisgar algumas coisas boas, mas sua insistência em manter uma estrutura procedural acaba prejudicando esses elementos positivos. O clássico vilão da semana evidentemente impacta o bom ritmo estabelecido pela maioria dos capítulos, tornando-os uma verdadeira provação de se assistir. No caso de Changing, temos alguns pontos de bastante relevância sendo abordados em paralelo, o que, por si só, permitiria um abandono da necessidade de colocar no texto um monstro a ser combatido, ao menos um que aparece e é destruído no mesmo episódio – podendo ser facilmente substituído pela ameaça da Cadmus, o que traria uma maior sensação de urgência à narrativa.

Quando um grupo de cientistas descobre um lobo que permanecera preservado no gelo por eras, eles acabam acordando um parasita alienígena que toma conta da mente de um desses pesquisadores. Obcecado pelos impactos da humanidade na natureza, que levam ao aquecimento global, ele entra em uma jornada para assassinar os grandes nomes ligados a esse fator. Naturalmente, cabe a Supergirl e a DEO combater essa ameaça. Um novo herói, contudo, entra na jogada. Jimmy Olsen, seguindo sua vocação para ser um herói, se torna o Guardião, que ajuda a superheróina na luta contra o parasita.

É evidente que a presença desse ser que consegue roubar os poderes de terceiros está presente na trama especificamente para colocar esse novo jogador no tabuleiro. A pergunta que surge em nossas mentes é acerca da necessidade desse novo herói. Já não temos “supers” o suficiente em Supergirl? Naturalmente a CW tem em mente a criação de uma nova série, seja uma focada em Olsen ou nos super-amigos, algo que chega a aparecer em um diálogo entre ele e Winn. Essa jogada mercadológica, contudo, acaba prejudicando a própria série base, visto que superlota sua narrativa, que já lida com questões o suficiente, como o recém chegado Mon-El.

Felizmente, a presença do vilão da semana acaba retomando a subtrama envolvendo o Marciano e sua contraparte feminina (ao menos o que ele acredita ser), que tiveram sua ausência sentida no episódio anterior. A transfusão de sangue realizada aqui pode provocar a revelação da verdadeira raça da mulher, o que certamente irá gerar um conflito entre ela e J’onn. Resta torcer para que o próximo capítulo não seja um dos costumeiros fillers da temporada, que avançam a trama geral a passos de tartaruga.

Isso tudo é rodeado por subtramas mais envolventes, como a aceitação de Alex sobre quem ela é ou o papel de Mon-El naquele planeta, algo que, por si só, já daria um episódio completo, sem a necessidade de colocar um antagonista mais que secundário. Ambas as questões trabalham o crescimento psicológico dos personagens de maneira mais íntima, mas parece que a preferência dos roteiristas está em colocar cenas de ação dispensáveis a cada capítulo, algo que, efetivamente, em nada acrescenta à série e nos entrega momentos que exigem muito de nossa suspensão de descrença, como a Supergirl conseguindo plutônio de uma usina nuclear em questão de instantes.

Changing, como de costume evidencia o problema de um seriado de mais de vinte episódios, que adota uma estrutura procedural desgastante e bastante atrasada para os padrões atuais de séries. Um episódio que desperdiça o crescimento de personagens e favorece sequências de ação comuns, criando uma narrativa arrastada que não chega a envolver o espectador como deveria. O drama pessoal, que deveria ser o foco da série, soa como um elemento secundário – como podemos, portanto, nos identificar com algo que não valoriza seus personagens centrais? Definitivamente a CW precisa evoluir e não apenas investir em mais e mais potenciais spin-offs.

Supergirl – 2X06: Changing — EUA, 2016
Showrunner: Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: Larry Teng
Roteiro: Andrew Kreisberg, Caitlin Parrish
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, Chris Wood, David Harewood, Tyler Hoechlin,  Calista Flockhart, Katie McGrath
Duração: 42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.