Crítica | Supergirl – 2X07: The Darkest Place

estrelas 2,5

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios aqui.

Honestamente acreditei, por alguns momentos, que estaríamos diante de um episódio diferente de Supergirl aqui. Essa esperança, que durou até meados do capítulo, porém, foi abalada pela retomada dos clássicos problemas da série, que vão desde sua estrutura narrativa, até a teatralidade presente nas atuações. Felizmente alguns pontos são ganhos na direção, que acerta em alguns momentos, embora cometa os erros de sempre no decorrer dos aproximados quarenta e dois minutos da projeção.

Mon-El, como vimos no capítulo anterior, fora capturado pela Cadmus. Kara e o restante da DEO, contudo, estão ignorantes em relação a esse acontecimento, o que muda quando a organização utiliza o Daxamita a fim de capturar Supergirl. Ao mesmo tempo, um vigilante local, com o hábito de assassinar seus inimigos, acaba incriminando o Guardião, que passa a ser caçado pela polícia de National City. Não bastassem esses dois problemas, Jon passa a ter visões de sua família, o que pode estar ligado com o sangue de Megan dentro dele.

The Darkest Place abre com uma cena à la Cães de Aluguel, com uma câmera que gira em torno da mesa de Kara e seus amigos no bar para alienígenas. A tentativa de emular a icônica sequência da obra de Tarantino é evidente, marcada pela conversa descontraída entre os presentes ali. Glen Winter, cujo currículo como diretor se resume a séries da CW, realiza outros planos similares ao longo do episódio, buscando oferecer algo a mais para a ação presente em Supergirl. Felizmente ele acaba conseguindo, garantindo uma fluidez à narrativa ao diferenciar uma sequência da outra, mesmo que somente nos aspectos técnicos, visto que o roteiro não foge do comum.

O episódio, como dito antes, chega a criar a expectativa em nós de algo a mais do que estamos acostumados. Por um tempo, a estrutura de vilão da semana pareceu não estar presente aqui, com uma história que poderia abordar a caçada do Guardião e a ameaça da Cadmus. O texto de Robert L. Rovner e Paula Yoo, todavia, prefere permanecer na mesmice e insere o vigilante que incrimina Jimmy Olsen como a ameaça a ser combatida nessa semana. Toda a problemática envolvendo o novo herói, portanto, é resolvida em um piscar de olhos, não permitindo qualquer progressão para os personagens centrais da história – a única diferença é que Kara passa a acreditar um pouco mais no homem com o escudo e Alex descobre a identidade do sujeito. A tensão jamais é criada, desperdiçando totalmente uma potencialmente interessante linha narrativa.

Do lado da Cadmus o mesmo acontece. A libertação da Supergirl e Mon-El, ocorre rápido demais e abandona completamente o realismo. Para começar: onde estavam os guardas quando eles foram libertados? Mas antes mesmo de chegar aí: Kara não poderia simplesmente ter fritado a Luthor quando ela estava prestes a colocar o capacete na heroína? O seriado aposta muito em nossa suspensão de descrença, pecando através de suas cenas mal construídas, que poderiam ser resolvidas com um simples enquadramento mostrando, ao fundo, Mon-El com uma arma apontada para sua cabeça. O plano e contra-plano, contudo, são mais importantes para a direção, que parece não se importar nem um pouco com os furos evidentes no roteiro.

The Darkest Place é mais um medíocre capítulo de Supergirl, que apresenta os problemas de sempre, apostando quase que unicamente em seu cliffhanger para trazer os espectadores de volta para o próximo episódio. Chega a ser engraçado como a heroína poderia ter acabado com a ameaça da Cadmus diversas vezes em um piscar de olho, mas, aparentemente, o roteiro está do lado dos vilões dessa vez, garantindo uma estupidez considerável à protagonista e seus ajudantes. Na próxima semana teremos o esperado crossover entre os heróis da CW e genuinamente espero que não seja apenas uma soma dos horrores de cada uma das séries.

Supergirl – 2X07: The Darkest Place — EUA, 2016
Showrunner: Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: Glen Winter
Roteiro: Robert L. Rovner e Paula Yoo
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, Chris Wood, David Harewood, Tyler Hoechlin,  Calista Flockhart, Katie McGrath
Duração: 42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.