Crítica | Supergirl – 2X08: Medusa (Invasão! – Prelúdio)

estrelas 1

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios aqui.

Sinceramente eu me pergunto constantemente, ao assistir Supergirl, se os roteiristas gastam mais do que vinte minutos para escrever cada capítulo. Fora a óbvia falta de profundidade em qualquer texto do seriado, temos situações forçadas ao extremo, que imploram por nossa suspensão de descrença, resultando em tramas ou subtramas simplesmente estúpidas. Medusa, pasmem, não é diferente e se você está aqui única e exclusivamente pelo crossover das séries da DC, pode se desanimar, pois o que vemos em relação a isso dura no máximo um minuto de projeção e apenas consegue piorar um capítulo que já era péssimo.

Seguindo os eventos do episódio anterior, Medusa nos traz a epítome de tudo o que a Cadmus queria: a destruição dos alienígenas. Lilian Luthor (eles realmente precisam começar com L?) planeja dispersar pelos céus de National City um vírus kryptoniano capaz de acabar com qualquer  outra raça alienígena que não seja a nativa de Krypton – não me perguntem por que os humanos não são afetados, simplesmente não faz sentido mesmo, acho que os roteiristas se esqueceram que, para o kryptonianos, os seres humanos também são alienígenas. Dito isso, naturalmente, Supergirl e a DEO entram em uma corrida contra o tempo para impedir os planos da Luthor.

São tantos problemas em um episódio só que chega até a ser difícil elencar todos eles. Mas comecemos do início. É ação de graças em National City e a turma de Kara se encontra para o típico almoço do feriado americano, em uma cena que evidentemente fora gravada junto com a final do capítulo passado, mas nada de errado aí. O que prejudica a progressão do capítulo aqui é a aparição de um portal interdimensional que é ignorado solenemente conforme avançamos no episódio. É como se o crossover tivesse sido uma ideia de última hora e decidiram inserir alguns trechos em um capítulo que já havia sido finalizado. O pior é que o negócio chega a aparecer mais outras vezes, mas não afeta em absolutamente nada a trama geral do capítulo ou mesmo o diálogo de alguns personagens.

Outro aspecto aterrador de Medusa é Lena Luthor, que poderia simplesmente dizer para a heroína: “vamos acabar com a psicopata da minha mãe”, mas que opta por fazer joguinhos sem sentido, que visam somente o plot-twist no final. É um típico exemplo do ponto de virada não justificado, visto que seus planos de acabar com a sua mãe em nada seriam afetados se ela não agisse de maneira tão misteriosa. Evidentemente um artifício pobre do roteiro de tentar surpreender o espectador. E já que estamos falando da família de vilões, vamos às escolhas de Lilian durante o episódio. Em todo ele, ela utiliza somente o Cyborg Superman (que faz questão de dizer seu nome ridículo a todo e qualquer instante), mesmo quando vai ela própria ativar um míssil para liberar o vírus. O que aconteceu com o exército de capangas dela? Por que se arriscar tanto? Mais um ponto no qual o roteiro trata o espectador como estúpido.

Não bastasse isso, nos trechos finais do capítulo o roteiro percebe que gastara tempo demais em todo o resto e decide resolver tudo de uma vez. Temos a metamorfose de Jon revertida, a cura de Mon-El, o romance de Alex sendo concretizado, a prisão de Lilian (ao que tudo indica). Mas, além de resoluções, temos o acréscimo de novos elementos, como o grupo misterioso que busca o daxamita e a aparição de fato de Barry Allen, que em nada influencia no episódio em si, a não ser os portais que são constantemente esquecidos pelos personagens principais. É dado o início, portanto, ao crossover tão anunciado, Invasão!, baseado em HQ homônima, que unirá os personagens de The Flash, Supergirl, ArrowLegends of Tomorrow.

Medusa pode significar o desfecho de um arco para Supergirl, com a captura da Luthor perversa. Tivemos, contudo, um clímax completamente anticlimático preenchido por inúmeros pontos que simplesmente não fazem o menor sentido. Supergirl continua sendo um seriado dispensável e a promessa de um crossover definitivamente desagradará muitos fãs, visto que os trechos nos quais isso acontece não passam de cinco minutos.

Supergirl – 2X08: Medusa — EUA, 2016
Showrunner: Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: Stefan Pleszczynski
Roteiro: Jessica Queller, Derek Simon
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, Chris Wood, David Harewood, Tyler Hoechlin,  Calista Flockhart, Katie McGrath
Duração: 42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.