Crítica | Supergirl – 2X09: Supergirl Lives

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estrelas 4

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios aqui.

Ontem mesmo estava em uma conversa e eis que o assunto de Supergirl surge – a pessoa com quem eu dialogava dizia que assiste a série e que não vira o capítulo dessa semana ainda, enquanto eu, confesso, enrolava o máximo, porque, por mais que eu tente, não consigo gostar dessas produções da CW. Eis, portanto, que quebro a cara ao me ver diante de Supergirl Lives, no qual me peguei gostando do que via. Temos aqui um episódio que foge dos problemas habituais da série e abraça seu lado da ficção científica, claro que alguns deslizes ainda ocorrem, mas, em geral, seus lados positivos saem por cima. Foi em sua metade que percebi o motivo desse lapso de qualidade no seriado, tomando conta de quem o dirigia, o que ficou bem claro com a aparição de sua filha, Harley Quinn Smith.

Naturalmente que, para dar esse nome para sua filha só poderíamos estar falando de Kevin Smith, o nerd de carteirinha que entrou para o mundo do cinema lá atrás com o fantástico O Balconista (Clerks) e que, desde então, nos trouxera inúmeras pérolas, como O Império (do Besteirol) Contra-AtacaDogmaYoga Hosers.

A trama do capítulo tem início quando uma mãe decide ir até a CatCo, pedindo à heroína disfarçada e seu chefe rabugento que ajudem a encontrar sua filha, Izzy Williams (Harley Quinn Smith), que desaparecera misteriosamente há alguns dias. Prontamente, Kara decide investigar e logo descobre que o sumiço da menina faz parte de um esquema de alienígenas, que sequestram seres humanos (dentre outras raças) para vende-los como escravos em outro planeta. Ao encontrar o portal que leva para o planeta dos escravizadores, Supergirl e Mon-El se veem presos em um local banhado pela luz de um sol vermelho, os deixando completamente sem poderes.

Desde cedo podemos sentir o dedo de Kevin Smith influenciando em Supergirl Lives, mesmo que não tenha sido responsável pelo roteiro, o texto está recheado de referências nerds, que vão desde Star Trek até Stargate, algo que obviamente ele inserira através do personagem de Jeremy Jordan, Winn Schott. Tais citações, além do trabalho de Chris Wood, como Mon-El, criam os necessários alívios cômicos dentro do episódio, tornando essa uma aventura que mistura a descontração com uma atmosfera mais pesada, inerente à temática abordada e nos tiram das costumeiras reações exageradamente dramáticas, favorecendo personagens que abraçam o tom sci-fi do seriado, ainda que os trechos envolvendo o namoro de Alex Danvers soem como drama adolescente.

Naturalmente, que alguns aspectos do roteiro ainda exigem muito de nossa suspensão de descrença, como a presença de Roulette no capítulo, que é totalmente desnecessária. Felizmente, isso é contrabalanceado pelos arcos pessoais tanto de Mon-El quanto de Winn, ambos abraçando seus lados combatentes do crime, além disso, simplesmente sair do planeta Terra já constitui uma necessária mudança de ares para o seriado, fugindo de mais um antagonista com armas alienígenas. Mas, como nada é perfeito, a fuga da prisão soa fácil demais, especialmente considerando que estamos falando do centro intergaláctico da escravatura, era de se esperar que uma segurança maior estivesse presente.

A direção de Smith ainda faz um serviço ao capítulo ao trabalhar as sequências de ação dispensando a típica câmera que treme e planos um pouco mais longos que o normal, conseguindo até minimizar nossa percepção dos (de)efeitos especiais, que aparecem menos ao longo desses quarenta e três minutos de exibição.

Supergirl Lives, no fim, é um episódio muito acima da média da série sobre a superheroína, que, enfim, nos afasta dos costumeiros problemas, por mais que alguns deles ainda apareçam brevemente. Sair da Terra, mesmo que por um curto período de tempo é um alívio e explora mais do teor de ficção científica de Supergirl, que poderia estar bem mais presente que apenas nas tecnologias utilizadas pelos vilões da semana. Resta torcer para que o restante da temporada siga os mesmos moldes desse daqui.

Supergirl – 2X09: Supergirl Lives — EUA, 2016
Showrunner: Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: Kevin Smith
Roteiro: Eric Carrasco, Jessica Kardos
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, Chris Wood, David Harewood, Tyler Hoechlin,  Calista Flockhart, Katie McGrath, Harley Quinn Smith
Duração: 42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.