Crítica | Supergirl – 2X10: We Can Be Heroes

supergirl-2x10-plano-critico

estrelas 3,5

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios aqui.

Após ter decidido, no episódio anterior, que iria se tornar um super-herói como Kara, Mon-El certamente apareceria aqui em alguma espécie de treinamento, algo que não chegamos a ver desde suas primeiras aparições na série, antes de sua briga com a kryptoniana, que enxergara que ele não precisava seguir o mesmo caminho que ela. O título We Can Be Heroes, evidente referência ao clássico de David Bowie, já deixou bem claro que veríamos o personagem dando seus primeiros passos em direção a seu destino aqui na Terra. O que não esperávamos, contudo, é que ganharíamos um bom episódio que sabe aproveitar o emocional de seus personagens, ainda que alguns problemas ainda apareçam.

O capítulo tem início com Kara e Mon-El treinando em uma sala da DEO e a superheroína julga o rapaz pronto para iniciar seus trabalhos ao seu lado. Enquanto isso, Winn obriga James Olsen a finalmente revelar que ele é o Guardião para Supergirl, depois dele ter sido ferido por uma bala. Tudo isso fica mais complicado, porém, quando Livewire (Brit Morgan) escapa de sua prisão, deixando Kara no auge de seu nervosismo. Para piorar, M’Gann sofre um ataque psíquico deixando J’onn mais que preocupado.

Chega a ser impressionante como esse episódio consegue colocar tantos acontecimentos em apenas quarenta e dois minutos, sendo capaz de resolver suas subtramas sem fazer a narrativa soar exageradamente acelerada. Claro que sentimos como se o cientista maluco, vilão da semana, fosse apenas um filler, servindo como desculpa para tirar Livewire da prisão, mas, ao menos, não muito tempo é gasto com esse antagonista e, no fim, ele acaba cumprindo seu papel de movimentar o restante da trama, cujo foco principal é a relação entre os três super-heróis: Supergirl, Guardião e Mon-El, com a questão sobre o que faz de cada um deles um herói em evidência.

Nesse quesito, We Can Be Heroes se sai muito bem, trazendo motivações plausíveis para os conflitos entre os personagens. Em momento algum sentimos como se essas discussões fossem desnecessárias, visto que perfeitamente se encaixam com a personalidade de cada um deles. Ainda sinto como se o Guardião fosse apenas uma desculpa para inserir mais uma série de heróis na grade da CW, mas, ao menos, ele funciona como ponto de partida na narrativa para explorar outros pontos, como os sentimentos do Daxamita por Kara – esse aspecto, por sua vez, consegue ser resolvido sem muito drama, de forma simples, que não nos faz cair em mais uma novela.

Enquanto o texto acerta, contudo, a direção da inexperiente Rebecca Johnson deixa muito a desejar, apostando em desconfortáveis câmeras lentas que quebram a fluidez das cenas de ação em uma tentativa de fazer tudo ficar o mais épico possível, mas falhando miseravelmente. Chega a ser engraçado como, mesmo em slow-mo não conseguimos ao certo entender o que acontece em tela. Felizmente a diretora acerta nos momentos mais dramáticos, apostando em planos mais curtos e próximos a fim de construir uma tensão no espectador, o que pode ser visto especialmente na sequência das memórias e no desfecho do capítulo.

Portanto, pasmem! We Can Be Heroes é mais um bom episódio de Supergirl, que parece, finalmente, estar melhorando (depois de semanas e semanas de pura tortura). Sabendo explorar bem seus personagens, temos aqui um capítulo que aposta em uma jogada mais intimista, que joga a trama para frente. Resta torcer para que o restante da temporada apenas melhore essa fórmula, nos poupando de verdadeiras tragédias televisivas.

Supergirl – 2X10: We Can Be Heroes — EUA, 2016
Showrunner: Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: Rebecca Johnson
Roteiro: Caitlin Parrish, Katie Rose Rogers
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, Chris Wood, David Harewood, Tyler Hoechlin,  Calista Flockhart, Katie McGrath, Brit Morgan
Duração: 42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.