Crítica | Supergirl – 2X11: The Martian Chronicles

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estrelas 3,5

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios aqui.

O que está acontecendo com Supergirl? Pela terceira semana seguida ganhamos um episódio que conseguimos gostar – ele conta, sim, com seus problemas, mas nada tão gritante quanto era antes. Será que o seriado finalmente está se tornando aquele que a heroína merece? Estamos falando de um possível abandono da estrutura de vilão da semana como era antes, com a utilização de antagonistas que dialogam com a história pessoal de cada personagem, nos entregando um roteiro mais coeso. O problema continua através de furos no texto, alguns desses que acabam prejudicando a continuidade da temporada como um todo, mas nada tão gritante.

The Martian Chronicles, como o título já sugere, trabalha principalmente J’on J’onzz e M’Gann, continuando a partir do ataque psíquico que a personagem sofrera no capítulo anterior. Aqui os marcianos brancos, enfim, aparecem, tentando levar aquela de sua raça de volta para seu planeta, para que possa ser julgada. Naturalmente, J’on se coloca no meio e decide proteger a marciana, junto de todo o DEO. Enquanto isso, Kara, também fisgada para o centro desse conflito, deve lidar com a revelação do final do episódio anterior, por parte de Mon-El, ao mesmo tempo que  busca aceitar o fato de sua irmã não passar seu aniversário da chegada na Terra junto dela.

Evidente que a existência dos típicos “draminhas”(vulgo “mimimi”) de Supergirl continua aqui, mas, ao menos, sentimos como se eles fossem bem justificados. A relutância de M’Gann em aceitar ajuda dilata desnecessariamente a estrutura do capítulo, mas nada que atrapalhe muito sua fluidez. Sabiamente, o roteiro de Gabriel Llanas e Anna Musky-Goldwyn sabe criar um vínculo com a trama principal e suas subtramas, explorando a psiquê dos personagens sem dividir a narrativa sem necessidade. A montagem paralela aqui presente ocorre toda dentro da DEO praticamente, minimizando ao máximo a fragmentação do episódio, que flui com uma agilidade gratificante ao espectador.

Infelizmente alguns furos ainda estão presentes, como a notável ausência de Mon-El durante a maior parte do episódio – ele não estava treinando para se tornar um herói? Claro que a relação entre ele e Kara sofreu um abalo após ele revelar seus sentimentos no episódio anterior, mas uma fala, ao menos, poderia ter sido inserida para mostrar que o roteiro não se esqueceu dos capítulos anteriores quando se trata desse personagem. Sentimos como se o daxamita fosse jogado para o escanteio aqui, o que chega a ajudar no trabalho das emoções de Kara, sem criar um drama gigantesco, mas que poderia ter sido melhor pensado.

O mais gritante dos deslizes, porém, é a cópia de aparência realizada pelos marcianos brancos: como Alex e Wynn subitamente desapareceram da sala? Sabemos que um dos marcianos tinha tomado a forma de M’Gann e, em um breve apagão, ele consegue copiar outra pessoa, levar para outro pedaço da base, amarrar no teto (ou na parede) e depois voltar como se nada tivesse acontecido? Claramente temos aqui um ponto que pede demais de nossa suspensão de descrença. Fora isso, felizmente, todas as sequências no DEO mesclam a ação e o suspense na medida certa.

Dito isso, a direção de David McWhirter acaba sofrendo um pouco com o excesso de câmeras lentas, explicitando de forma desnecessária os efeitos especiais do programa. Felizmente, quando isso não ocorre, o diretor sabe transitar bem entre os personagens em tela, dispensando o uso frequente de cortes, optando por uma câmera que se movimenta mais, mas sem tremer. O resultado são cenas de luta que conseguem nos engajar, imprimindo uma boa sensação de urgência na narrativa.

No fim, The Martian Chronicles prova ser uma mistura de erros e acertos, cujas qualidades, felizmente, conseguem sair vitoriosas. Supergirl ainda tem muito o que melhorar, mas definitivamente está no caminho certo. Esperamos que nossas esperanças não sejam destruídas até o fim da temporada e que estejamos certos sobre a melhoria da série. O que aconteceu com Supergirl? A série enfim começa a encontrar sua verdadeira identidade.

Supergirl – 2X11: The Martian Chronicles — EUA, 2017
Showrunner: Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: David McWhirter
Roteiro: Gabriel Llanas, Anna Musky-Goldwyn
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, Chris Wood, David Harewood, Tyler Hoechlin,  Calista Flockhart, Katie McGrath, Brit Morgan
Duração: 41 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.