Crítica | Supergirl – 2X12: Luthors

estrelas 4

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios aqui.

Qualquer um que esteja acompanhado minhas críticas de Supergirl desde o início dessa temporada sabe o quanto a série não conseguia me atrair. Sua estrutura procedural e deslizes em relação aos dramas pessoais de cada personagem definitivamente não ajudavam o seriado, transformando-o em algo mais mirado no público adolescente que no leitor de quadrinhos em si. Isso tudo mudou após o hiato e o que passamos a ver foi algo que utilizava melhor o vilão da semana, colocando-o apenas como um catalisador para as subtramas presentes desde o início desse segundo ano. Ouso dizer que o ponto máximo dessa ascensão ocorre aqui em Luthors, décimo segundo episódio da segunda temporada.

O capítulo já dá indícios de sua importância para o seriado nos seus primeiros minutos. Vemos um flashback de Lena, ainda criança, chegando na casa dos Luthor ao lado de Lionel (Ian Butcher). A garota é recebida por Lilian e seu novo irmão, Lex (Aidan Fink), marcando, portanto, a primeira aparição do arqui-inimigo de Superman na série. O que vemos em seguida perfeitamente se encaixa com esse prólogo, com a trama focada no julgamento de Lilian e a sua relação com a filha. Sem muitos devaneios, temos aqui um episódio que vai direto ao ponto, conseguindo trabalhar de maneira eficaz cada um de seus personagens.

Mesmo a presença de Metallo é perfeitamente justificada aqui e o vilão não ocupa mais tempo do que é necessário em tela. Chega a ser impressionante como Luthors dispensa narrativas paralelas, ao mesmo tempo que consegue se aprofundar nos dramas pessoais de cada um dos indivíduos retratados em tela. Um bom exemplo disso é Jimmy Olsen/ Guardião, cuja discussão com Kara é inserida de forma orgânica e mesmo suas aparições como herói são perfeitamente justificadas, fazendo parte do arco principal do episódio.

O roteiro de Robert L. Rovner e Cindy Lichtman acerta ao criar um clima de desconfiança em relação a Lena, com apenas Kara acreditando em sua amiga. Com isso, o texto aproveita para trabalhar a figura de Lex, que nos é revelado ter sido melhor amigo de Clark, como ocorrera em Smallville. De fato, ficamos a maior parte do capítulo sem saber em quem acreditar e esse fator contribui para a nossa tensão e imersão, que não precisam necessariamente estarem ligadas a uma luta contra um ser do espaço ou algo assim: basta um bom roteiro que saiba aproveitar seus personagens.

A direção de Tawnia McKiernan, experiente em séries policiais, utiliza muito da linguagem desse gênero,com planos mais longos com maior movimentação de câmera, criando um suspense maior, com nossa expectativa sendo lentamente aumentada. Infelizmente, McKiernan não se sai tão bem nas sequências de ação, nos perdendo através de quadros mais tremidos. Felizmente esses são poucos e ainda são encurtados por conta da montagem paralela, que sabe exatamente quando trocar o foco para outro personagem. Um bom ponto para observarmos isso é a sequência da luta na prisão, que alterna o foco para Lena observando o combate de sua tela, não precisando mostrar exatamente tudo o que acontece entre o Guardião e Metallo.

Outro deslize do episódio é o seu desfecho, que demonstra a necessidade da CW de inserir em tudo a maior quantidade de cliffhangers possíveis. A aparição de Mr. Mxyzptlk (boa sorte tentando falar isso) poderia ocorrer apenas no próximo capítulo – não necessariamente precisávamos ter terminado essa semana com o beijo de Kara e Mon-El, poderiam ter cortado antes disso, afinal, a maior surpresa foi a revelação de que Lena pode não ser tão boa amiga assim, como vimos pelo seu olhar suspeito após descobrirmos que ela ganhou de Lex em sua primeira partida de xadrez.

Mesmo com esses deslizes, Luthors consegue ser um dos melhores episódios de Supergirl, uma série que está mostrando claros sinais de melhoria nesses últimos capítulos. Esperamos que eu esteja errado e que esse não seja o ápice da ascensão do seriado e que os próximos apenas melhorem a fórmula utilizada nesses últimos. Pelo que parece, a série, enfim, encontrou sua identidade e, com quatro acertos seguidos, somos deixados com esperança em relação ao futuro de Kara.

Supergirl – 2X12: Luthors — EUA, 2017
Showrunner: Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: Tawnia McKiernan
Roteiro: Robert L. Rovner, Cindy Lichtman
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, Chris Wood, David Harewood, Tyler Hoechlin,  Calista Flockhart, Katie McGrath, Brit Morgan
Duração: 41 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.