Crítica | Supergirl – 2X15: Exodus

estrelas 1,5

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios aqui.

O dramático episódio anterior de SupergirlHomecoming, deixou um belo gancho para que os capítulos posteriores pudessem seguir uma linha narrativa única, focando no roubo da lista dos alienígenas presentes na Terra pela Cadmus. Exodus, porém, mostra ser um ponto fora da curva ascendente que demonstrara ser essa segunda metade da temporada, um deslize que pode comprometer o futuro desse ano, visto que estragou quase tudo o que fora apresentado na semana anterior. Ainda assim, algumas escolhas ousadas foram tomadas, o que pode revitalizar a série por outro lado, contanto, é claro, que os roteiristas saibam aproveitar o impacto na protagonista dos eventos que aqui aconteceram.

Exodus tem início com o sequestro de uma família alienígena pela Cadmus, uma das muitas ocorrências dos últimos dias, que a DEO tem observado e demonstrado ser incapaz de impedir tais acontecimentos ou sequer chegar perto da localização para a qual tais aliens estão sendo levados. Naturalmente que isso deixa todos na agência federal prestes a explodir, especialmente levando em conta que Jeremiah Danvers agora está do lado inimigo e que a namorada de Winn também fora levada embora. Dito isso, Kara tenta alertar os alienígenas da cidade através do jornal, enquanto todos tentam descobrir onde fica a base da Cadmus.

O grande problema do episódio em questão está na forma prematura como ele resolve toda a questão do pai de Alex e Kara, enquanto acaba com a trama envolvendo o sequestro dos alienígenas. Ambas essas questões poderiam ser exploradas mais a fundo pelo restante da temporada e, ao invés disso, o que ganhamos é a velha estrutura procedural, com a ameaça da semana sendo resolvida imediatamente. Para piorar, a desculpa de Jeremiah em trabalhar para a organização de pura vilania é totalmente forçada, visto que as duas filhas já se colocam em perigo com a Cadmus constantemente – a sensação que nos é passada é que os roteiristas não conseguiram pensar em uma razão melhor para sua suposta traição.

Esse fator se complica ainda mais com o plano mirabolante da Luthor em enviar os aliens para fora do planeta, através de uma espaçonave que ela conseguiu de uma hora para a outra. A Lilian construída até aqui simplesmente executaria esses seres e a desculpa de que Danvers a convenceu de apenas tirá-los da Terra simplesmente não soa como algo que possamos acreditar. Mas havia a possibilidade de Supergirl não conseguir parar a nave, o que nos levaria para um interessante desdobramento da série, algo que, é claro, foi totalmente desperdiçado quando o poder do amor a deu forças para continuar empurrando a nave.

Não bastasse isso, chega a ser curioso como Alex rapidamente consegue descobrir a localização dos sequestrados somente com a ajuda de sua namorada policial (que por alguma razão misteriosa aceitou deixar Danvers ir sozinha para o covil do inimigo), algo que toda a DEO não conseguira até então. Para piorar o texto ainda emburrece a personagem consideravelmente a fazendo não divulgar sua localização ou sua descoberta com a agência do governo ou sua irmã. Em outras palavras, temos muitas conveniências do roteiro em um curto período de tempo, o que transmite uma notável artificialidade à trama.

O único ponto que soa verdadeiramente realista em tudo isso é a demissão de Kara no fim do capítulo, algo que obviamente precisava acontecer, visto que ela simplesmente passou por cima de seu chefe e, de quebra, rompeu o contrato com a CatCo. Isso é o que nos dá um pouco de esperança para o futuro dessa temporada, visto que a protagonista pode seguir por caminhos ainda não trilhados. Mas, muito provavelmente, veremos ela sendo readmitida no jornal graças à sua amizade com Jimmy Olsen, o que, inevitavelmente, irá estragar todo esse desenvolvimento iniciado aqui.

Exodus é o ponto baixo da segunda metade desse ano de Supergirl, um capítulo que estraga quase tudo o que vimos antes e nos deixa quase sem esperanças pelo que está por vir (especialmente se considerarmos o vindouro episódio musical-crossover com The Flash). Apresentando um roteiro repleto de acontecimentos convenientes demais e uma prematura resolução do arco envolvendo o roubo da lista com os nomes dos alienígenas na Terra, fica difícil gostar do episódio e sequer entrarei no fato do chefe de Kara não a reconhecer como Supergirl, algo que já foi estabelecido como extremamente ridículo desde o início do seriado.

Supergirl – 2X15: Exodus — EUA, 2017
Showrunner: Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção: Michael A. Allowitz
Roteiro: Paula Yoo, Eric Carrasco
Elenco: Melissa Benoist, Chyler Leigh, Peter Gadiot, Jeremy Jordan, Chris Wood, David Harewood, Tyler Hoechlin,  Calista Flockhart, Katie McGrath, Brit Morgan
Duração: 41 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.